Não juntes dinheiro

não juntes dinheiro

Bayona, Espanha

Junta amigos, uma praia e uma cidade desconhecida. Traz à memória histórias de infância, adolescência e cria novas. Vive.

Faz felizes os de quem gostas e sê feliz. Muito feliz. A felicidade é paz. Saber que foste, saber que viveste. Acontecer. Não importa se é bom, se é mau ou desenxabido. Importa é que tenha acontecido. Que o mar tenha beijado a costa. Que a garrafa tenha sido esvaziada e que a vida tenha acontecido. A vida acontecer é ser feliz.

E o dinheiro não paga isso. Mesmo que faça falta para outras coisas.

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A morte dá respostas à vida. Viaja!

A morte dá respostas à vida

(photo: @mickeyoneil)

Pessoas próximas, que não conhecemos tão bem assim, fogem-nos. Desaparecem num infinito que gostamos de imaginar como mar, o céu ou a terra. Mas não conhecemos. Sabemos apenas que é infinito.

Essa noção de distância inalcançável assusta-nos, tira-nos o chão forte para ser pisado e coloca-nos à procura de respostas, da costa. Não para a partida de quem foi, mas para o significado da nossa permanência. Misturamos o medo, o desespero e a esperança. É estranho, mas é assim. A esperança nasce, quase sempre, da ausência limite de esperança ou explicação.

A vida é curta.

É assim que elas nos aparece quando a ausência de sentido para as partidas assoma. Fugimos do medo, gradualmente, para nos aproximarmos da vida. Por isso, que, a partida de alguém tão próximo e jovem, seja sempre a abertura para algo novo. Uma nova nau que parte para a turbulência que é vida, mesmo quando o mar está calmo.

Porque, assim, a morte responde à vida – ou a vida dá resposta à morte. E essa é – e deve ser – a nossa homenagem para todos os que vão, mesmo os mais jovens. Um dia encontramo-nos todos. Na festa do costume.

Ontem punha-me um gosto num texto a brincar. Hoje não está entre nós. Descansa em paz, Paiva! E um abraço a todos os grandes amigos, família e meros conhecidos como eu, que se emocionam com estas coisas. A vida é curta e o descanso é eterno. No meio está o que podemos aproveitar. A viagem.

 

O blog de viagens sem viajar

Blog de viagens sem viagensEstou mesmo a pensar neste projeto. Adoro a ideia de conhecer novas culturas, locais e pessoas. Aquela sensação de ficar sem chão, por estar a pisar novos chãos. Por ser tudo novo. Assim, movido por essa sensação de conquista de novos mundos, estou a pensar muito nesta ideia de um blog de viagens. E vou operacionalizá-lo com 3 coisas:

1 – Vontade;
2 – Fotos do telemóvel;
3 – Textos;

Não falta nada, estão aqui os ingredientes todos. Menos as viagens, claro. Que é a minha maior dificuldade. Viajo pouco. Para o que quero, pelo menos. Portanto, vou fazê-lo com viagens do quotidiano. É esse o meu objetivo, aliás: viajar no quotidiano.

Começo por Ovar – ainda sem criar um blog. É uma cidade que me acolhe desde sempre e me cria. Momentos, histórias e vida. É verdade. É uma cidade que cria vida. Tenho aqui amigos, coisas de que não abdico e muitas coisas que já nem vejo, que são corriqueiras. Como esta Praça das Galinhas, que, por estes dias, me fez sentir inveja.

Vi uma espanhola a partilhar nas redes sociais uma foto da cidade, da praça, e invejei-lhe a forma como olhava a cidade: ladrilhada de azulejos e pura na sua beleza rústica. Pensei: foda-se, isto para ela é muito mais bonito. E, então, hoje combinei com um amigo beber um fino nela, ao fim do dia de trabalho. Viajei.

Pelas histórias dele, pelas minhas e pela cidade. Foi bonito. Tão bonito que até comecei um blog de viagens. Obrigado, Ovar.

A praia como perfeita metáfora da vida.

Por do Sol
Passamos os dias à procura do melhor ângulo para mirar as coisas, a revezar artigos da internet que nos ensinem a viver momentos que ainda são novos para nós e acabamos a fugir do que é inevitável:
vivermos por nós!

Portanto, a praia é a metáfora perfeita da vida:
quando procurarmos o melhor ângulo para olhar as coisas, lembremo-nos que ele é quase sempre de frente. E se puder ter o sol e o mar nesse ângulo, com um jarro de sangria ao lado, que se celebre.

A vida vive-se de frente e o amor pelo mar celebra-se de frente para ele. A deixar o sol beijá-lo, como nós queremos beijar a vida. Mesmo quando nos escondemos dela, em procura de melhores soluções, para o que nós tememos não ter resposta. O incerto!

Os silêncios sinceros com que as crianças nos ensinam

Silêncios sinceros com que as crianças nos ensinam

A volta à escrita. Tenho passado tanto e tanto tempo com este blog vazio. São dias inteiros preenchidos por sonhos, por vontades cada vez mais vincadas de sermos mais e melhores e são os mais pequenos a ensinar-nos.

A sinceridade com que nos brindam assusta-nos. Não há influência do medo de ser inferior, da necessidade de pintar a moldura com o melhor quadro, de ser sempre perfeito. Querem ser sempre só eles, ensinam-nos a mostrar a verdade, com a fragilidade que ela nos traz, sabendo que é sempre a melhor saída.

A vida rouba-nos a possibilidade de sabermos sequer o que queremos ser. Estamos muito focados onde queremos chegar e investimos pouco tempo em saber quem queremos ser. Eles ensinam-nos. Dizem que querem ser isto, que sonham ser aquilo. Mas nunca colocam os outros no meio dessa equação. Quando colocam é para questionar: queres ser, também? Não se importam nada de termos uma vida organizada, de parecermos mais confiantes do que somos, só perguntam se os queremos acompanhar nesse sonho. É tão lindo. Tão capaz de nos levar de volta às nossas raízes. Porquê que nunca fui bombeiro? Pensei nisso tantas vezes.

Não sei. Sei que gosto do que sou, do que tenho, mas há tanto mais que podia ser, ter. Esse tanto mais é o caminho a ser feito, mas o para trás deixa mágoas. Podemos dizer que não, insinuar-nos que fizemos as escolhas certas, mas deixa. Deixa tantas que, por vezes, assusta-nos que nos digam: pareces sempre bem. Pensamos se ao querermos tanto acertar não errámos.

O caminho fica por preencher com as coisas e pessoas que não estão, com os medos que venceram as vontades vestidos de certezas, de intransigências. Queríamos, mas a humildade de sermos quem somos é, também, aceitarmos quem os outros são, sem supormos. Mas nem sempre é fácil, a vontade de vencer, de ter, é tão grande que não nos expomos ao que somos. Tentamos ser mais. Achamos que os outros queriam mais. Não ficam, afinal, as mágoas. Ficam as saudades do que podíamos ter vivido.

Por vezes, um silêncio vale tanto como um adoro-te, amo-te, quero-te, ou espero-te. Mas também há sempre estes sorrisos de domingo à tarde, dos miúdos que nos dizem: vou, queres vir? Mesmo que estejamos deitados na cama, com os olhos fechados e à espera que a noite chegue. E, se duvidarmos por um segundo, indiferentes à nossa incerteza, apenas repetem: eu gostava. E é isso que conquista: a certeza que se não o disserem é porque respeitam, não porque tentam adivinhar o que somos e queremos. E isso faz-nos aceitar, ir. O medo não é fragilidade, as defesas é que são. E a sinceridade é que conquista, seja forte ou tremelicante. Interessa é que seja sincera.

PS – É assim desde que começou a andar. E é assim que espero que continue a ser. É um puto maravilhoso e tenho a sorte de ser meu afilhado. Os sorrisos valem tudo.

Ano Novo

Ano NovoSol, mar e alegria. Peles morenas. Pensamentos vazios. Noites mal dormidas. Luares a nascerem entre festas de arromba e músicas do Henrique Iglesias e DJ Snake. Bailando.

Assim é o agosto. O agosto que hoje termina e põe à prova todos os que um dia leram o texto da Sumol e pensaram se estavam ou não na idade do chinelo, se desejavam ou não dizer-lhe “não te falo” quando ela chegasse. Se ficavam todos nervosinhos se não trocassem de carro de 4 em 4 anos. Este é o mês que afoga as preocupações em mares revoltos e deixa a alegria à tona como uma bóia de menino em uma tarde de piscina. É o mês em que se trocam as mesas de restaurantes com toalhetes brancos de papel pelas beiras de piscina e relvados ao lado da churrasqueira. É o mês onde se estoura mais dinheiro e se diz: Eu mereço!

Setembro é o mês onde se olha para a carteira e se diz: foda-se, não devia ter gasto tanto. Onde aparece o sol entre as nuvens e se pega nas toalhas e vamos à praia. Mas já não é igual. É mais morno, mesmo que o sol queime mais. É uma tarde de praia, não é um mês de praia. Custa. Faz sofrer. Leva a partilhar fotos nas redes sociais a dizer “volta, verão”. Mas também é o mês onde os meus pais fazem anos de casados, o meu pai celebra mais um aniversário, vários amigos meus fazem anos e um amigo e uma amiga até se vão casar. Setembro é o mês que desejamos que ele seja.

Não pomos o corpo ao sol tantas vezes, não gastamos tanto dinheiro em especiarias da vida que nos fazem sentir mais felizes, mas é um mês. E um mês que merece ser vivido. Um mês que nos diz que, depois dele, já só faltam 11 meses para o próximo agosto. E que pelo meio vai meter outono, inverno e primavera. É um mês onde começa o ano. E ai de quem diga que é em janeiro. Setembro é o começo do ano. Do novo ano.

O Triste Fado do Futebol Português. E da vida!

Triste Fado do Futebol Português. E da Vida!

Não estou contra Portugal, nunca estarei. Acho é que temos muito mais medo de fazer mal, do que vontade de fazer bem.

Sei que nem todos concordarão comigo, que relembrarão grandes selecções de 1966 e 2000, ou mesmo 2004, mas eu acho que o problema de Portugal é, mais do que táctico, cultural. Temos medo de ser felizes. Carregamos o Fado para os mundiais e europeus. Volta e meia aparecem Ronaldos e Mourinhos que contrariam a lógica, mas mesmo eles, cá, embrenhados nesta lógica de não ser demasiado arrogante nem convencido, se retraem. Sentem necessidade de provar que são melhores que os outros, porque todos os põem em causa, todos desconfiam, todos pedem explicações. Todos querem provas, mesmo quando elas estão dadas.

Não é bom ser arrogante, mas é pior ser gabarolas. E os alemães são e ninguém diz nada. Mas não dizem porquê? Porque ganham. Não procuram tantos problemas, concentram-se mais em soluções. Enquanto nós nos mantemos o país dos Descobrimentos, mas que não os soube aproveitar. O país que acha interessante o sucesso, mas não o suficiente para o admirar. “Quando a esmola é grande, o pobre desconfia”. “Há marosca!”. Mas, de repente, num ápice de loucura, da quase bipolaridade que tanto afecta os que não confiam em si, temos um raide de entusiasmo efusivo. E isso faz o quê?

Faz com que nunca tenhamos calma. O fulgor é bom, mas não é constante. E isso é o que os alemães são: constantes. Nós, não. Somos latinos no sangue na guelra, mas hipocondríacos nos pensamentos. Fomos ensinados a desconfiar do sucesso e, por isso, quando ele pode ser real, preferimos tentar explicá-lo, temê-lo, em vez de aproveitá-lo. E isso é triste, porque faz-nos mais invejosos do que verdadeiramente bons.

Hoje, mesmo com o golo deles, podíamos ter ganho. Mas foi uma dificuldade que apareceu e, quando elas aparecem, preferimos cantar o fado e lamentar a nossa triste sina. É menos glorioso, mas é mais emotivo. E isso é o que nós gostamos!!

Não é defeito nem virtude, é feitio. Dizem. Mas, para mim, a boa dose está sempre ao meio. Por isso é que não queria ser alemão. Preferia ser português, como sou, mas com um bocadinho de mais optimismo. O Fado antigo já acabou, agora a Carminho, a Mariza e a Ana Moura até são todas airosas. Nós podíamos fazer o mesmo. Em campo e na vida.