Novos projectos

Novos projectos

Começar a semana com um novo projecto em carteira, por pequeno que seja, é uma alegria que não é fácil descrever.

Não sou um exemplo em todos os sentidos da minha vida, cometo os erros comuns, deixo-me levar pelos momentos que não definem quem sou, mas também tenho coisas minhas, mesmo que não sejam traços exclusivos, que me fazem sentir bem de alguns rumos que vou tomando.

Os pequenos projectos em que me vou envolvendo, por simpáticos convites ou por pequenas loucuras, vão-me fazendo sentir bem. Há dois predicados que considero fundamentais para me entusiasmar: amor e adrenalina.

O amor é fundamental em tudo na vida. Só fazendo as coisas com sentimento podemos fazê-las de forma diferente. Gosto de acreditar que ao levar uma carta ao correio estou a realizar uma possibilidade de comunicação; gosto de acreditar que ao fazer um orçamento estou a criar uma possibilidade de negócio; gosto de acreditar que ao redigir um texto estou a criar a possibilidade de outros se lerem nas minhas palavras. É isto que eu considero o amor. Desmontar as tarefas, torna-las ínfimas ao ponto de as poder incluir em algo maior. Isto não é amar o que fazemos, isto é amar a vida. E eu gosto de amar a vida.

O outro predicado é a adrenalina. A adrenalina é a consequência do amor. Se tudo for relevante, até o mais pequeno detalhe, fará com que cada pedaço de trabalho tenha uma importância sobrenatural, o que trará a adrenalina. A maravilha da barriga crepitar, a angústia de não saber se as pessoas vão gostar e a certeza que precisamos melhorar a cada vez que levamos a cabo um determinado acto. Eu gosto de viver assim.

Quando temos pessoas de quem gostamos muito, daquelas que nos fazem explodir o coração a cada cinco minutos, temos dificuldade de gerir a pessoa que somos. Não conseguimos achar que mostrar tudo o que somos é suficiente, tendemos a exagerar, a mostrar-nos especiais a cada passo que damos, para que não restem dúvidas que somos especiais, os tais. Eu sou um bocado assim, comigo e com quem amo. Mas não posso cair no erro crasso de, a cada vez que faço algo menos bem, querer mudar tudo.

Há coisas que fazemos bem, em alturas que só andamos a fazer o mal. E eu aprendi isso com os projectos. Já estive maniento e a querer ser especial em todos os instantes. Mas, depois, percebi que a minha maior realização não estava no que as pessoas pensavam do que eu fazia, estava na sensação de que fiz e dei o melhor de mim. As opiniões são fundamentais, não vivemos ermos neste mundo, mas não são o que nos define. O que nos define é a entrega que temos pelas coisas.

Para esta semana, tenho dois projectos, além do meu emprego, do meu blogue, das minhas habituais crónicas e do livro que anda em carteira, a ser escrito devagarinho e a espaços. Um é pequenino, resolve-se numa mesa de café ou na secretária de casa, com um café e uns momentos de ponderação; o outro vem sendo trabalhado. Em nenhum deles há dimensão, apenas amor. Quero brilhar, ser reconhecido, ganhar dinheiro pelo meu trabalho, mas, acima de tudo, ser apaixonado pelo que faço. Seja uma carta que escrevo para o correio da empresa, seja um texto sobre mim para centenas de pessoas, quero fazê-lo bem. É isso que me move.

É amor…

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Arde, sente-se a passar com ternura. É um apego grande, que se percebe nas coisas pequenas, miúdas, corriqueiras. Aperta, faz ferida de tanto que alegra. Sente-se na pele como um corte de folha de impressora, atravessa o corpo como um carro de corrida. Treme na perna, alça no peito e rebenta no sorriso. É grande, imenso, incomensurável, mas incrivelmente pequeno, insignificante. É um beijo antes de adormecer, um rosto pousado no peito, um braço que acolhe e aconchega, um aperto de mão que vale um dia. Um passeio abraçado, encostado como uma placa tectónica que nunca será feita de duas. É grande e pequeno. É pequeno o suficiente para não ser digno de um livro, mas grande o imenso para ser digno de metáforas que elevam o céu e apoderam o fogo. É o amor simples, de um casal simples, que só ambiciona a simplicidade de ser. E ser é o melhor da vida.

Nevoeiro

Quando o nevoeiro esconde a sensação, a brisa propaga-se, afasta-se do céu e toca os corpos, aperta os corações, desenfreia as cabeças e coloca-as a pensar. A pensar demasiado, a apartar a naturalidade da vida, que mais do que pensada deve ser vivida. Vivida com calor e com frio, com névoa e sol. Vivida. Sempre vivida. A vida é para ser vivida.

Amor em prosa

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Não sou bom nem mau,
Sou um pedaço carnudo de um céu ido,
De um mundo engolido.

Vivendo flutuante na espuma deste mar
Desembocado no longínquo infindo,
De um desprazer inapto de alcançar a mocidade,
A nobreza da intrepidez, lapidada na pedra cavada,
Desse teu ventre consumido
Pela minha ânsia, pelo meu ardor
De um feitiço feito de amor,
Que, em acaso, também pode ser castiço.

Castiço de rir, de chorar com lágrimas
De ternura e afecto,
Pois entre nós sempre remata
Na melancolia de uma vista,
Derrubada sobre o vulcão de erupção aflitiva,
De urgência como deve ser, como sabemos ser.

A nossa premência acha-se na firmeza
Que o vivido não é o desmerecido,
A espera do acontecido,
Mas meramente um acaso do recebido.

Por ti, amor, só por ti,
Faço aqui e ali,
O que não é bonito nem disforme,
Mas que para sempre nos consome.

O amor. O simples e merecido amor,
Que nos definha no contraciclo
De um caminho para o hemiciclo,
Deste nosso grande criador.

Se deus existe, que se resguarde,
Que se esconda,
Pois, nesta viagem, só o amor é que pode ser narrador.

Ral
http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

Saudade é única

saudades, partida, sentimento, únicoSaudade é o sentimento sem nome, o aperto do coração que tem dificuldade de se descrever em palavras, em verdadeiras narrações. É abstracto e doloroso, na certeza das sensações boas.

É um sentimento antagónico, que dói, faz sofrer, espernear e chorar, mas que só existe pelas vivências indulgentes, pelas pessoas que nos fazem bem. Jamais sentimos saudades de quem nos fez mal, de quem pouco nos acrescentou. Sentir saudade é escrever nas linhas do vento, com palavras mudas: amo-te; adoro-te; desejo-te; quero-te; és especial; jamais deixarás de ter o teu canto no meu fulcro.

Eu amo e sinto saudades. Saudades dentro do amor, em escassos momentos de ausência. A saudade não é exclusiva dos que deixam de ver, dos que sabem que partiram, saudade também é do agora para o depois. É uma equação com um denominador comum, o amor, seja de que tipo for, porém dispõe de diversas variáveis que influenciam o cálculo e, respectivamente, o resultado. As minhas saudades não iguais às tuas, garanto-te! Podemos ter o coração a palpitar apertado, pelo adeus à mesma pessoa, que as nossas saudades não são iguais. Todos sentimos saudades, mas elas são únicas, pessoais. Cada pessoa, feita do seu tecido de pele e vida, transforma a saudade num sentimento uno. Sem replicações!

Saudosos são os tempos, como os corações apaixonados. O amor não vive só do beijo na boca, do aperto dos corpos, também se sente na palavra amiga, no abraço terno, na amizade pura. Saudades existem dos amores, amigos, familiares e desconhecidos que nos completam os dias. É um sentimento forte como uma montanha em avalanche, porém que se doma, que se torna mais brando. Mais brando não é desparecido. A saudade é eterna!

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