Saudade é única

saudades, partida, sentimento, únicoSaudade é o sentimento sem nome, o aperto do coração que tem dificuldade de se descrever em palavras, em verdadeiras narrações. É abstracto e doloroso, na certeza das sensações boas.

É um sentimento antagónico, que dói, faz sofrer, espernear e chorar, mas que só existe pelas vivências indulgentes, pelas pessoas que nos fazem bem. Jamais sentimos saudades de quem nos fez mal, de quem pouco nos acrescentou. Sentir saudade é escrever nas linhas do vento, com palavras mudas: amo-te; adoro-te; desejo-te; quero-te; és especial; jamais deixarás de ter o teu canto no meu fulcro.

Eu amo e sinto saudades. Saudades dentro do amor, em escassos momentos de ausência. A saudade não é exclusiva dos que deixam de ver, dos que sabem que partiram, saudade também é do agora para o depois. É uma equação com um denominador comum, o amor, seja de que tipo for, porém dispõe de diversas variáveis que influenciam o cálculo e, respectivamente, o resultado. As minhas saudades não iguais às tuas, garanto-te! Podemos ter o coração a palpitar apertado, pelo adeus à mesma pessoa, que as nossas saudades não são iguais. Todos sentimos saudades, mas elas são únicas, pessoais. Cada pessoa, feita do seu tecido de pele e vida, transforma a saudade num sentimento uno. Sem replicações!

Saudosos são os tempos, como os corações apaixonados. O amor não vive só do beijo na boca, do aperto dos corpos, também se sente na palavra amiga, no abraço terno, na amizade pura. Saudades existem dos amores, amigos, familiares e desconhecidos que nos completam os dias. É um sentimento forte como uma montanha em avalanche, porém que se doma, que se torna mais brando. Mais brando não é desparecido. A saudade é eterna!

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Do Eusébio ao Feher

eusébio, feher, aniversário, morte, saudade, conquistas, benfica, portugalHoje é um dia incontornável para os benfiquistas, tanto como devia ser para os amantes do futebol. É uma data muitíssimo unânime, para existirem clubismos a separá-la.

Há setenta e um anos, em Lourenço Marques, actual Maputo, nascia um dos maiores símbolos do nosso desporto. Uma perpetuidade, que felizmente ainda se encontra entre nós. Um homem que teve no Mundial de 66 o seu auge, pela pátria que o acolheu e que ama como se nunca tivesse conhecido outra. Com a camisola do meu Benfica, ele ergueu anos que nem a cadência das memórias futuras poderão apagar. Uns, mais azulados, gostam de falar de Salazar, quando, na verdade, existiam nomes como o de Eusébio, que em 614 jogos oficiais pelo Benfica marcou 638 golos. Vencendo onze campeonatos nacionais, cinco taças de Portugal e uma taça dos campeões europeus, com presença em mais três finais. Juntando a isto, na taça dos campeões europeus foi o melhor marcador três vezes e ainda ganhou a bola de ouro por duas vezes (foi o primeiro português a conquistar uma). Tudo isto em vinte e duas épocas de profissional, em que quinze foram passadas no Benfica. Com um jogador destes, ombreado por outros de imensa qualidade, apenas ofuscados pelo seu brilhantismo, acho desonesto falar do Salazar. Foi apelidado de Pérola Negra, Pantera Negra e de Rei – sendo que este último me parece o que melhor lhe veste.

Parabéns, Eusébio.

No entanto, este dia não se esgota aqui. Faz hoje nove anos que o Benfica viveu um dos seus dias mais negros. Recordo-me de estar num café, com o meu pai, com os nervos em franja com o jogo que estava difícil, dando inclusive para o Fernando Aguiar fazer golo, quando ele se tombou no chão depois de um lance em que viu amarelo. Na inocência dos meus dezasseis anos, ou no fervor do meu benfiquismo, proferi com força, vigor: levanta-te, caralho, ainda vais para a rua!  Mas esta insânia resistiu poucos segundos, logo se percebeu que era algo de mais negro que assolava o Afonso Henriques. O local onde nasceu Portugal, via partir o Feher. Durante todo o processo de reanimação no relvado, as pessoas ergueram-se olhando a televisão, silenciando o café num declame imenso de força para aquele húngaro, que só o destino pode saber se faria história na águia. Não foi longa a sua passagem, mas deixou a triste marca da sua partida. O meu Benfica, como pai atencioso que é, jamais lhe virou as costas. Ofereceu-lhe o seu 29 para a eternidade, tirando-o de circulação, e não deixando jamais de assinalar este dia. Um dia antagónico para o meu clube, onde se festeja o nascimento do seu maior símbolo, ao mesmo tempo que se chora a partida de um menino que deixou saudades.

Tenho orgulho do meu Benfica, mas hoje o meu texto vai muito além disso. Se o desporto se quer trajado de fair-play, pois que hoje não haja clubismos na hora de dar uma palavra a estas duas nossas lendas. Uma do prazer imenso das conquistas, a outra da injustiça da vida, da partida abrupta de quem tinha tanto para dar. Obrigado a ambos, um pelo que ganhou o outro pelo sorriso com que nos brindou.

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Sofrer por amor

É exagerar, é ressoar tudo com uma força excedente pelas linhas do corpo, pelas separações da alma, do coração. É chorar e tentar sorrir, tudo sem origem. Sem lógica.

É um sentimento de unicidade, que se alastra a uma velocidade de torrentes de mar, por canais de rio. É uma reflexão obscura, de que somente a nós isto podia acontecer, que ninguém o experimentará com tanta força como nós experimentamos. Zero, nada disto é tão mau para os outros, como é para nós. Somos uns azarados inveterados, o cosmos está em reunião para eleger os piores correctivos e remetê-los de aguaça para nós. Atirá-los a arquear-nos as costas; a arrancar-nos a capacidade de ver um filme romântico sem chorar; de encarar um casal de namorados, sem deixarmos de entender que só nós é que somos infelizes; de olharmos uma mulher linda, que é asfixiada pela lembrança da pessoa que nos fez sofrer.

São penitências que cumprimos sem justiça! Somos os lesados e, ainda assim, buscamos a nossa falta. Desenvolvemos um ódio instalável, que tanto nos faz abominar, como a seguir amar tanto. Lembrar com uma saudade gigante, aqueles beijos, aqueles dias juntos e, de repente, aquelas palavras horríveis, aqueles actos coadjuvantes com alguém mau, que fazem remigrar ao ódio, às sensações feias. Num momento só pensamos que devemos sair, ir cometer loucuras, fazer tudo o que não fizemos no tempo de partilha, para depois vir um burburinho interior que nos prende ao sofá, que nos faz deslizar lágrimas sebastianistas e pensar em como ela era perfeita, nos momentos que tínhamos juntos. Não interessa se eram muitos ou poucos, se ilhas no meio do deserto, são só eles que nos fazem o caminho da cabeça. Que nos giram o vira-vento da vida. Com essa saudade, vem a certeza que ficamos perpetuados à infelicidade, que agora não nos acasalaremos com alguém que nos perceberá e aceitará em tantas coisas como ela, por muito que na hora de partir nos tenha magoada com palavras de iceberg. Sentimo-nos enlameados, não capacitamos o que podem ver em nós. Não entendemos como alguém nos poderá amar, com todos aqueles defeitos que nos foram aguçados. Sentimos que melhoraremos sempre no futuro, sem sequer perceber que já criávamos imensas coisas boas, que só o simples facto de abrir a porta e acenar em forma de coração é uma resplandecência, quando o candeeiro do amor está aceso dos dois lados.

E, de ímpeto, com um caminho feito, entendemos que o pecado não era só nosso, que o que era amargura tornou-se presença discreta, que estamos novamente felizes e a credenciar o amor. Que agora o caminho é para a frente.

Nesta viagem louca, o maior e único problema, é a sensação que somos ímpares, a vergonha que nos inunda por acharmos tudo ridículo e que ninguém passou por ela. Que somos uns falhados e nunca conseguiremos resolver isso. Que existirão sempre cartas que não escrevemos, beijos que não demos, palavras que não falamos, mas na verdade nada é assim. Vivemos o que tínhamos a viver, e hoje estamos felizes.

Eu estou feliz e apaixonado, incapaz de me apartar de sentir que o amor (da amizade à carne) é o melhor sentimento do mundo. É uma emoção sem dinheiro, que, contudo, é rica. Concebe-nos a experiência de viver, de farejar por todo o tipo de sensações – do píncaro ao fundo do poço. Usei o género feminino, sem diferenciar atitudes. No mundo não existem mulheres nem homens, existem pessoas. Todas sentem, todas amam, todas erram, todas sofrem. Por amor ou desgosto, sofrer é sempre sofrer.

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Descansa em paz, amigo!

A morte tem o condão de nos despontar uma angústia, um sentimento de injustiça, mais ainda em casos como o que me move neste texto. Ela não deveria ter o direito de ceifar existências tão jovens, tão cheias de vida.

O Barnabé era um menino em corpo de adulto, acusem-no de ser falador de mais, de ser expressivo em forma excessiva, mas nunca o acusem de não se fazer notar, de não viver a sua vida no esplendor máximo. Conheci-o a falar com uma veemência magnetizante da sua ida ao Rio de Janeiro, percebia-se a realização do seu sonho, que naquela viagem tinha ido ao céu na terra. Sem temer exagerar, poderei dizer que vi para cima de cinquenta vezes aquele álbum, em que aparecia o Cristo Rei, o Barnabé em plena Copacabana, no Pão de Açúcar. Ficam as saudades.

Depois vinha ele e as suas conversas do Benfica, a forma como sabia que eu sou benfiquista, como gostava de contar em palavras e gestos o jogo que viu com o seu falecido pai, contra o Porto. Tenho tão presente o seu jeito a fazer o passe do Quaresma, o remate do Lucho. “Era uma pressão!”, como ele gostava  de dizer esta frase. A última frase que ouvi dele foi há coisa de uma semana e tal, talvez duas, em que ele me dizia que tinha cometido um erro grave, que tinha feito asneiras. Eu perguntava o quê e ele só me dizia que tinha comprado um cachecol do Porto, que estava exposto na óptica. Dizia que era um erro, sem nunca esconder o sorriso feliz de tentar agradar a todos. Era um menino, sem dúvida um menino, que valia pela sua inocência.

Maldade não morava naquele ciclista, de equipamento do Boavista. Era extasiante a forma como ele descrevia as novas aquisições para aquela bicicleta; para aquele equipamento. Ele não permitia que ninguém caísse em amorfos momentos, a forma empolgante como se mexia, como usava o brasileiro para açucarar as palavras, o jeito doce como passeava a sua mãe pelas noites, como a levou para a passagem de ano. Não eram certamente os melhores sítios para a senhora andar, mas com toda a certeza ele a levá-la era como prova de amor e entrega. “Esta é a minha namorada”, como ele dizia.

Barnabé, descansa em paz. Por aqui, o teu brasileiro, de botequim, não será esquecido. Será guardado com saudade, amigo.

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Me encanta

São dias banais, sem nada mais que simples cafés ou passeios de mão dada, contudo isso faz deles belos.

Há algo no amor que me fascina, que me prende à vida.

Amar também é viver, ou aliás, viver também é amar. A forma como o simples se complica e o complicado se descomplica, é uma espécie de magnetismo que nos prende os pés no ar e faz o céu ser mais belo, o mar mais azul. Tudo valer mais a pena.

Amar é ter momentos difíceis, para nos fáceis eles nos parecerem ridículos. Completamente desprovidos de sentido. Amar é isso. É belo.

Não me falem de contos de fadas, eles não seriam sucessos cinematográficos se fossem realidade. Paraísos de amor, não existem em harmonia perpétua, existem em ápices de entrega absoluta que desmascaram as arreliações, que nos fazem acreditar que vale a pena suportá-las pelos verdes campos que a seguir virão.

Há algo no amor que me encanta.

 

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Saudades de expor-me

Escrevo as saudades na linha de um tempo que já não existe, que já não é de ninguém. Hoje sou eu e esse tempo, essa linha invisível, que está por detrás destas teclas. Deste cândido som de dedos a bater em plástico.

Deixo-me guiar por um ímpeto de forças audazes, de alegrias escondidas, num escombro de vida perfeita. Não é imaculada, mas é feliz e isso faz dela perfeita. Amo e sou amado, respeito e sou respeitado, dou e recebo. Sou feliz.

Expus-me nestas linhas, como os escritores se expõe nos seus romances, com palavras adocicadas de histórias que nada revelam de mim. Eu sou isto, tudo o que está atrás destas letras, destas palavras, destes átimos de escrita. Cada texto oferece-vos uma parte de mim.

Espero que gostem de mim.

Tenho andado por aqui, pelo blogue, a indagar em textos de cariz noticioso, de elemento vazio, por outros projectos que me têm sugado o melodioso, me têm levado o espaço da exposição. Porém, hoje, foi diferente. Tinha saudades de me expor, de oferecer parte de mim.

Bom dia a todos. Sejam felizes… só assim vale a pena!

 

PS – Não se esqueçam, caso tenham curiosidade de saber mais detalhes sobre o livro que lançarei, lá para meados de Novembro, basta clicarem neste sublinhado: Livro – Ricardo Alves Lopes (Ral)

Estou no topo do mundo

Estou no topo do mundo. Tenho o meu mac aberto na luxuosa secretária do Trump International New York. Franzindo o olho esquerdo, e levantando tenuemente o mesmo ombro, alargo o nó da gravata, usando movimentos rectilíneos – agora da mão oposta. Finalmente, consegui libertar-me do, sôfrego, aperto dela. Vou atirá-la para trás, para cima da cama, em tons pastel, onde estão caídas as chaves do meu Bentley e arremessado o meu blazer preto, Hugo Boss.

Estou, enfim, pronto para escrever.

O dia está invernoso, não com aquele cinza escuro a que a chuva nos habitua, antes com aquele acastanhado de outono. Sinto-me deliciado a ver as folhas deslizarem pelo Central Park. Sinto-me tão leve quanto elas, o vento sopra-me ao ouvido e eu sopro-lhe de volta. Consigo tocar cada casal de idosos que se deixar descansar num dos bancos, cada jovem mulher que percorre os quilómetros imensos do Central Park, dentro dos seus fatos justos de lycra, ouço cada música que os grupos de jovens levam nos seus Ipods, meto conversa com cada empresário que passeia os seus fatos, semelhantes ao meu. Estou no topo do mundo.

Tenho mais de 30 anos, acabei de chegar da apresentação, na Biblioteca Municipal de Nova Iorque, de mais um best-seller meu –Como fazer milhões – com este já são 5 a percorrer o mundo, ensinando a ser um empresário de sucesso. Ontem tive um jantar delicioso no Jean Georges, aqui mesmo no Central Park, com uma russa lindíssima que conheci na noite anterior no Rink Bar, na 5th Avenue. Terminamos a noite neste quarto de hotel, de onde agora vos escrevo.

Longe vão os tempos da minha infância na pequenina aldeia de Lindoso, Ponte da Barca, onde eramos poucos jovens. Entrelaçávamos os sonhos de estudos superiores, com os anseios de seguir a herança do cultivo. Segui o sonho – Gestão em Lisboa. Hoje, vinte anos depois, estou no topo do mundo. Tenho a vida que todos os homens sonham: sucesso; dinheiro; mulheres.

Oculto-vos apenas uma coisa: hoje completo 37 anos e tenho saudades da minha vida no Lindoso, da minha namorada da juventude, dos meus amigos de roupa suja das terras e do convívio com os velhinhos que acalentam o café da aldeia. Faço anos e estou sozinho.

Jogo jogos de poder, de sedução e termino na solidão.

Com amor, para Lindoso…