Portugal a arder

mourinho, ronaldo, pepe, portugueses, confusãoHoje de manhã, no JN, vi uma notícia que anunciava que Mourinho acusava Ronaldo de pensar que sabia tudo e Pepe de ter estado praticamente fora do Real.

No interior, Mourinho referia que Ronaldo achava que sabia tudo, mas que fez três épocas fabulosas no tempo que ele estava lá. Enquanto Pepe, no entender dele, não era apreciado como o jogador fantástico que era, por isso lutou para que ele fosse mais respeitado, no entanto teve uma lesão prolongada e apareceu o Varane, doze anos mais jovem, e ele sentiu que era momento de fazer a transição. O Pepe não foi capaz de compreendê-lo e, logo, os que acusavam Pepe de ser um assassino, que eram os mesmos que o queriam de lá para fora, saíram em defesa dele, criticando o Mourinho. O que no entender do treinador é um reconhecimento do seu trabalho, pois os ódios devem ser puxados para o treinador, de maneira aos jogadores terem liberdade para fazerem o que sabem. E que, assim, o Pepe ficou numa posição confortável, novamente.

A notícia, por si, era interessante, não tinha como lhe resistir, mas o que me fez palpitar de imediato foi a sensação de que vinham por aí pérolas. Pérolas que entenda-se por comentários. Assim foi.

O Ronaldo, que aparece noticiado sempre em associação ao Messi, é julgado pela mesquinhice portuguesa, acusando-o de ser inferior ao Messi, de ser um convencido, que se devia preocupar era em jogar e não em falar, aparece agora a ser defendido pelos nomes que eu suponho sejam os mesmos. O Mourinho é um convencido que acha que só ele é que tem razão, o Mourinho é fraco porque com uma equipa daquelas devia ter ganho tudo, o Mourinho é isto e aquilo. Não vale nada. Porém, e não obstante, se for um dirigente espanhol, ou nomeadamente do Barça, a acusá-lo do que quer que seja, o Mourinho só foi vítima de um clube sem estrutura, de um grupo de espanhóis que se uniu no balneário e lhe fez a folha.

No final de tudo isto, tenho a dizer que Portugal é um país a arder. Podemos viver em crise, termos subsídios e direitos cortados, mas quando toca a avaliações de pessoas, Portugal será sempre um expositor de divertimento. Coerência é palavra que não nos aprouve. E eu gosto disso. É mais divertido!

Para encomenda de livros, sem portes: ricardoalopes.lopes@gmail.com

Para compra directa: http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

Anúncios

Xauzinho, Real Madrid

FC Internazionale Milano vs AS Bari - Serie A 2009/2010

Ontem andava a viajar pelos desportivos, já a saborear a miscelânea de compras e vendas, trocas e baldrocas, tão típicas desta altura, que se principiará a partir do próximo fim-de-semana. O que de bom guardo desta fase de adormecimento da bola a rolar, são as imagens das manhãs de verão, em esplanadas junto à praia, no Algarve ou no Furadouro, a desfolhar folhas de jornais impressas somente para vender, com jogadas de empresários e pequenas mentiras de editores.

Porém, não foi isso que me moveu a escrever. O Mourinho saiu do Real e, todos sabemos, sem os resultados expectáveis. Não obstante disso, o que me faz confusão, e até alguma revolta, é a exacerbante ingratidão de um clube, pelo qual tanto torci nos últimos anos. Confesso, em Portugal sou Benfica, mas existem muitos que depois de saídos do Porto, me prendo de amores, por lhes dar o devido valor. O Mourinho e o André Villas-Boas são dois exemplos. O primeiro, é o melhor do mundo. Sem grandes conversas em redor disso, os resultados falam por ele. O segundo, noto nele um potencial enorme e um conhecimento importante do jogo e de algumas estratégias motivacionais, que tal como o Mourinho no Real, foram ceifadas no Chelsea. Contudo, será do primeiro, nesta narrativa e na escala dos treinadores, que falarei. Em três anos ganhou um campeonato, uma taça do rei, duas supertaças e mais duas meias-finais da liga dos campeões. É pouco, muito pouco para quem já ganhou tudo. Porém, é muito para um clube que tem sido um cemitério de resultados, uma desgraça de muitos treinadores e o abrigo de tantas outros que se dizem madrilenos da vida e para a vida.

A taça do rei que perderam este ano é inadmissível, mas até ao Mourinho chegar não a ganhavam há doze anos. Perder duas meias-finais na liga dos campeões é pouco, mas desde o ano em que ganharam com o golo do Zidane era um valha-me deus para passarem o grupo. As supertaças são coisas pequenitas, mas era tão certo elas serem ganhas pelo Barcelona como o campeonato. Um campeonato em três anos é pouco, mas foi na altura que o Barcelona até a jogar de muletas ganhava a qualquer equipa do mundo. Duvidam que o decréscimo do Barcelona, a queda de confiança, também vem de alguns resultados do Real Madrid, que mostraram ao mundo que eles não são invencíveis? A distância foi desastrosa este ano, no campeonato que o Mourinho apelidou de pior, mas não foi por isso que no confronto directo deixaram de cerrar punho. Aquele medinho dos jogadores madrilenos em defrontar o Barcelona, desapareceu pelas mãos do Mourinho, fê-los acreditar que eram capazes. E, para isso, foram importantes outros portugueses, como o Ronaldo que marcou em todos os jogos e até o Pepe que bateu em todos sem medo. Tudo isto são conquistas. Mas a tacanhice de um clube que quer ser grande e bonito e espanhol, mas não percebe que ser grande e bonito e espanhol, não é fazer ámen a todos os que acham que mandam lá e despedir em catadupa.

O Real Madrid nunca será verdadeiramente grande, em conquistas, enquanto forem agradecidos aos ingratos e estúpidos para os campeões. O Di Stéfano é mítico, mas se elogia o Mourinho está senil; O Calderón é o presidente esquecido, mas se diz que o Mourinho foi o pior treinador da história do Real tem razão.

Não sou bruxo, nem ditador de verdades, mas se o Casillas continua a ser o símbolo e o Ronaldo é quem dá as vitórias, pois quem apoiem o Casillas. Respeito e consideração são coisas diferentes, mas em Madrid isso não se percebe. Pois então, que se amanhem nas redes que criam, que um dia será tarde para irem atrás de um mundo de futebol que os goza. Dêem razão aos do Barcelona, que no papel deles gozam o Real, e não se virem contra eles, respeitem-nos como um menino respeito um polícia. E depois verão partir Mourinhos, Ronaldos, Ozils, Coentrões, Marcelos, Pepes, entre outros, e ficarão com a prata da casa que é feita de anos de futebol e de já pouca entrega, e verão quem tinha razão. Não lhes desejo mal, mas que espero ver isso espero. Ai espero, espero. Ingratos. Demagogos. Pouco inteligentes.

Para encomenda de livros, sem portes: ricardoalopes.lopes@gmail.com

Para compra directa: http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

Ai esta nossa pequenez!

cristiano ronaldo, aniversário, parabéns, chegada à selecçãoEusébio e Figo foram os maiores expoentes, a elevação do futebol português a um patamar desconhecido. Onde se pensava que só reinavam brasileiros, alemães, espanhóis, ingleses e argentinos, também existiram portugueses.

Hoje, vários anos volvidos, dispomos do maior expoente de todos. Só venceu uma vez, mas sempre mantendo-se em segundo (muitas vezes de forma discutível a entrega do 1º), num duelo titânico de dois dos maiores nomes que a história do futebol poderá ver. Cristiano Ronaldo e Messi, independentemente dos gostos, das preferências, fazem sempre valer mais a pena ligar a tv e ver a bola a correr. Um faz dos pés a finura de recorte de um deus, o outro (o nosso) faz da forma como se reinventa a cada época, a cada jogo, a exaltação do crescimento da sua força, da sua velocidade, da sua entrega, do seu remate, do seu faro de golo e até do cabeceamento, o nosso orgulho. Evolui como se a ainda não existisse um limite definido, quebra a lógica da excelência. Exista um Messi, seja melhor ou não, a forma como ele cresce a cada época é assombrosa. É um portento.

Hoje cresce até aos seus 28 anos, merece os nossos parabéns pelo aniversário e pela forma como dignifica a nossa bandeira. Porém, vivemos num país onde a mesquinhice impera. Pessoas invejosas ornamentam a nossa praça com uma tacanhice que a mim me aflige. No dia anterior ao seu aniversário, chegado para representar Portugal, ouve-se um otário gritar Messi, com a vontade de depois ir para o café gabar-se da sua altivez. É isto a mentalidade que temos. Valha-nos saber que se aparecesse o Messi, o cromo gritaria Ronaldo. Não é maldade, é pequenez a querer aparecer.

Para encomenda de livros, sem portes: ricardoalopes.lopes@gmail.com

Para compra directa: http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

Cristiano Ronaldo, o Robocop!

Se acho que ele devia falar menos? Acho. Se acredito que podia falar melhor? Acredito. Se sinto que ele se mete em batalhas que não são dele? Sinto. Mas isso não altera o resto.

No espaço de um mês, ou pouco mais, já o vi deslocar um ombro, sem atirar a toalha ao chão, a correr para dentro de campo, a fazer golo em pleno Camp Nou e a jogar o resto do tempo com o braço pendurado, em claro esforço. Mas isso não lhe era suficiente, o raio do fenómeno, queria mais. Ontem arrecada uma cotovelada, rasga a cara, sai do campo, despe a t-shirt, é cozido ali mesmo e regressa lá para dentro. E faz o quê? Marca golo, pois claro.

Os pequeninos, aqueles muito invejosos, vão dizer: Au, deslocou! Deu um mau jeito; Txii, rasgou a cara! Foi um cortezito! Contudo, é para esses mesmos que ele se faz melhor todos os dias. Eu sou fã, não tenho outra hipótese. Jogadores fenomenais, felizmente, já vi muitos. Já assisti aquela explosão do Ronaldo brasileiro, aquela classe de lã do Zidane, aquela inteligência do Figo, aquele deslumbre do Ronaldinho, aquele critério do Iniesta e Xavi, aquela magia do Messi, porém, estirpe como esta, entrega como esta, por norma, só se vê nos que dão fruta a meio-campo ou lenha na defesa. Raramente, ou nunca, se vê um jogador que alia um entrega de ferro a uma classe de melhor do mundo. Não me lembro de nenhum. Ele é uma maravilha, é um pedaço de história viva. E, ainda assim, a maioria, dos seus conterrâneos portugueses, em vez de beber este fausto a que temos direito, prefere criticá-lo e enaltecer o dom que nasceu com o Argentino.

O da américa do sul é bom, é fora de série, nunca questionarei isso e sempre apreciarei cada jogo seu, todavia ninguém me tira da cabeça que este Ronaldo, este nosso Ronaldo, é fruto de um filme de ficção científica. É o Robocop, com categoria, do futebol.

Apreciem, suspeito que como ele nunca mais haverá. E é português, porra, não invejem! Pasmem, prezem e gratifiquem, é dos nossos e não o encapota. Diz!

Tudo o que desejarem saber sobre o meu livro – ReALidades – é só clicarem aqui, neste destacado: Livro (ReALidades) – Ricardo Alves Lopes (Ral)

Cristiano Ronaldo aka Reinaldo

Ontem via um comentador desportivo da nossa praça, daqueles que pode ser político, músico, cozinheiro, ou o que for desde que tenha clube, chamar o “reinaldo” – como o próprio o intitula – de mimado. Concordo, ou não fosse eu mimado também.

Falo de Seara, que até é do meu clube e confessou-se mimado também. Tudo porque aos seus olhos o Ronaldo falhou aqueles dois golos por estar a fazer birra, como comprovou o facto de na altura do hino não ter cantado. Não sei se concordo ou não, sei que é a opinião dele. Daí, naturalmente, veio a discussão da sua diferença de prestações no Real Madrid e na Selecção. O costume, portanto.

Antes de continuar este texto deixem-me asseverar uma coisa: sou completamente fã do Ronaldo e do Mourinho! Agora com a minha, famigerada, “declaração de interesses” feita, sinto-me livre de imparcialidades para prosseguir. Posso concordar que ontem ele falhou dois golos que nenhum de nós queria ver falhados, contudo a discussão que isso despontou só comprova, na minha opinião, o quanto ele é bom. Fosse o Postiga ou o Hugo Almeida a falhar e diriam que é o costume; fosse o Nani ou o Moutinho e esqueceriam, logo que o Varela fez o terceiro. No entanto, até agora só disse o óbvio, penso eu.

Ele passeia-se nos melhores carros do mercado, veste as roupas mais caras, é conhecido em cada cantinho deste planeta, fala com um estilo muito característico e joga futebol como poucos na história, mas acima de tudo é humano. Será que por vezes esquecem-se disso? Aliás, creio que ele paga uma factura que é passada por ele. Ou seja, ele obriga-se a melhorar de dia para dia, com isso consegue que as pessoas o obriguem a melhorar de hora em hora.

– Viste aquele golo que o Ronaldo marcou de livre? Que golaço!

– Oh, já o vi marcar melhores.

É a nossa natureza, pouco há a fazer. Os maus fazendo algo de bom são os maiores por um dia, os bons concebendo algo de incrível deveria, evidentemente, ser melhor. Eu acredito que o Ronaldo aprecie que assim seja. Quem diz o Ronaldo, diz o Mourinho.

Logo de seguida vem a mais dilacerada discussão: Ronaldo no Real, Ronaldo na selecção. Já pensaram que nós próprios temos influência nisso? No Real ele é idolatrado pelos espanhóis, pelos americanos, chineses, mais meio mundo, e faz golos que se farta. Quando chega à selecção do seu país, que ele nunca renegou, pelo contrário, tem os seus “irmãos”, de nacionalidade, a preencher jornais, revistas e conversas de café com críticas. Vemos um ministro fazer o que quer e a discussão dura uma semana; vemos Ronaldo fazer um jogo menos conseguido e a discussão dura um mês. Percebem o que pretendo dizer? Não estou a falar de pressão, que essa tem em todo lado, falo de tirar-lhe o prazer de jogar. Ele no Real é um jogador feliz em campo, na selecção parece-me que em diversas vezes perde isso. Aliás, acho que qualquer um perderia se soubesse que ganhando ele não foi o responsável – aí foi a selecção – mas perdendo é porque ele não fez o que faz no Real.

Aposto que alguns dirão: ao que ele ganha tem que estar sempre feliz. Amigos, se assim fosse não existiam livros de psicologia, só de cheques.

Arrogante? Se já tivesse ganho o que ele ganhou, se fosse admirado com ele é, garanto-vos que seria muito mais. Mas isto sou eu… mais um daqueles portugueses que não presta!

Sr Mourinho

Segunda-feira conversava com um amigo que me demonstrava o desagrado por eu aqui não ter posto ainda uma referência a esse grande senhor que é o Mourinho. Apontamos quinta-feira como o dia ideal para eu levar a cabo esse desafio. Teria o acréscimo de lhe poder dar também os parabéns pela passagem do seu Real à final, não há final, mas os parabéns mantêm-se.

Ao segundo penalty falhado pensei para mim: não aguento esperar por amanhã para escrever este texto.

Sei tão bem quanto vocês -os que o aplaudem e os que o assobiam – que ele não é consensual. Avançando por um campo lírico, poderia dizer que é por esse motivo que o admiro tanto, mas não é.  Eu admiro-o pelo mesmo motivo que todos os outros o admiram, que é exactamente o mesmo motivo porque outros o detestam: Ganha muito! Ganha muito dinheiro; ganha muitos trofeus; ganha muitos combates públicos; ganha muitos fãs; ganha muitos amigos; ganha muitos ódios; ganha muitos inimigos; tudo em Mourinho é ganhar, como poderia eu não o admirar?

Poderia reservar aqui algumas linhas para outro português, que hoje verá os dois golos que marcou no tempo regulamentar esquecidos por um penalty falhado, mas não é sobre ele que hoje escrevo. Não é, mas também merecia.

Já amei o Mourinho, ele já me foi indiferente, já o detestei e agora admiro-o e respeito-o muito. A cronologia desta afirmação é a seguinte:

Benfica -> Leiria -> Porto -> Chelsea, Inter e Real

Mas o certo é que em todos estes meus estados de espirito em relação a ele, ele manteve-se brilhante.

Quando o acusam de ser arrogante, eu pergunto-me como é possível sê-lo se continua a vencer, a trabalhar diariamente em novas metodologias, em novas formas de conquistar o melhor dos jogadores, da sua estrutura e dele mesmo. Por vezes pergunto-me também se eu é que não seria arrogante se estivesse no lugar dele.

Não é novidade que sou um grande entusiasta dele, mas tornando-o tao palpável, como este texto proporciona, sei que abrirei o meu peito a balas. Criticas que serão feitas à minha admiração, com o objectivo longínquo de o atingir a ele. Mas certeza existe apenas uma:

Mesmo com o dia de hoje, ele ganha como o caraças!!