Amar o futuro é um erro

Amar o futuro é um erro

Amar o futuro é um erro. Acelera-nos o processo e deixa-nos infelizes. Inseguros.

Amar o futuro e planear o futuro são coisas diferentes. Sensações diferentes. É o medo que nos move, quando a nossa adoração, o nosso fruto de paixão, está no amanhã. Nunca nos retribui. Porque quando o abraçamos já é passado.

Traímos o presente.

O presente que, em pleno altar da maternidade, nos disse “acompanhar-te-ei até ao teu último segundo”, passa a ser segundo plano da nossa vida. Deixamos de o amar. Passamos a olhá-lo como um chato, como um incompleto, que só nos fala e aparece para aborrecer. Queremos é o futuro, aquelas curvas incertas do desconhecido, aquele gemido do oculto. E ficamos sozinhos. Porque o futuro nunca cá está.

Amar o presente é planear com ele o futuro. Dizer-lhe: eu quero lá estar. Mas contigo. Sempre contigo. Quero que sejas o meu dia, a minha noite e o meu tudo. O futuro é só o outro, mas que nunca será o principal.

Queres vir comigo ver os barcos, presente? É uma viagem sem viajar.

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Agora

AgoraDe repente, nunca sabemos quem somos. O mundo está a acontecer ao nosso redor, com mortes em Nice, Ancara, Munique e tantos outros sítios que não são notícia e nós temos que pensar sobre isso. Temos dificuldade, porque a vida acontece a pouco mais que dois palmos da nossa testa, mas há uma rede social para defender e onde nos devemos situar. Passou a era de não termos opinião.

Cansa-me que tenhamos que ter opinião sobre tudo, mas assusta-me que não saibamos um pouquinho de tudo. E, enquanto isso, a vida acontece. Sentamo-nos à mesa e falamos de coisas que aconteceram há 10 anos. Ainda ontem eu estava sem saber se ia para a universidade e agora conto histórias com 10 anos. É assustador. Contudo, é também tão bom. Reflectimos no que vivemos, sentimos o que lá se passou e transportamos para estes dias. A vida acontece. E nós também.

Não temos muito tempo para sentir a vida acontecer, porque se sentirmos que o ontem já vai longe, e o amanhã está a chegar, sobra pouco tempo para o agora. E o agora é o único sítio onde vivemos, onde construímos o passado e desenhamos o futuro. E o meu agora foi a escrever este texto. Só porque me apeteceu.

O presente

O presente

 

Jorge Luis Borges dizia que todas as criaturas são imortais, excepto os homens; os que na morte colocam fé, sem dela se abstraírem. Eu gosto de me abstrair das coisas. Gosto da lembrança subcutânea de momentos incríveis.

Quando exercito a mente, num périplo por viagens idas, por momentos que ficam, furam-me recordações de ápices desconexos. Lembro-me de estar em Paris e recordar mais um velho senhor, elegante, a tocar guitarra e a cantar blues, em Montmartre, do que a vista magnificente da torre. Lembro-me de em Barcelona espantar-me tanto com a vista matinal, enublada, a partir do Museu Nacional d’Art de Catalunya como com o passeio pela rambla principal. Lembro-me, também, de ir a vários concertos num só dia e de me encantar mais com a paragem numa esplanada, de rabo alapado na relva a beber uma cerveja, do que com os acordes fantásticos duma dais quaisquer bandas que vi.

Tudo isto acontece porque, mais uma vez, Jorge Luis Borges está certo: “O presente é tão incompreensível como o ponto, pois, se o imaginarmos em extensão, não existe”. E não existe mesmo, quando o queremos tactear. Raras são vezes em que a cabeça está desunida do passado e separada do futuro. O imediato quase sempre nos rouba a cabeça do agora. É a melhor hora para pensar no que vem a seguir, para memorar no que já foi feito e para apontar ao que se quer fazer. Como quando estamos de frente para a Torre Eiffel e queremos, obrigatoriamente, marcá-la em detalhe, qual raio-x, porque pertencia aos nossos sonhos do passado. Se pensamos que não queremos esquecer, esquecemos. É assim. Porém, se não queremos saber, se estamos só lá, sem estar a tentar medir os centímetros do presente, ele fica. É o presente que se torna passado, usando a pele dos irrepetíveis momentos. Como eu tive em Montmartre, no Museu Nacional d’Art de Catalunya, naquele jardim a beber uma cerveja ou nesta foto que tirei virado para o Tejo, também a beber uma cerveja. O presente é o exacto momento em que não existe passado nem futuro. E a linearidade disso é a complexidade de todos os que querem viver tudo, agora.

Cabeça no presente, olhos no futuro

Cabeça no presente, olhos no futuro

Usando uma analogia futebolística: a passagem dos escalões de formação para a equipa principal acarreta uma série de dificuldades, que se resolvem com um período de adaptação ou com uma maturidade e talento inatos. No Marketing, ou em qualquer outra profissão, acontece o mesmo.

A minha passagem do contexto académico para uma realidade de mercado, inserido numa PME, foi, primeiro que tudo, entusiasmante, mas também decepcionante. O IPAM dá-nos o que mais nenhuma universidade nos dá: uma enorme aproximação à realidade dos mercados e às vivências quotidianas de uma empresa. Mas, ainda assim, não nos pode dar o que só o tempo dará: experiência.

Desse modo, os meus primeiros meses foram desafiantes. Cheguei a uma empresa sem qualquer tipo de base de gestão de marketing, em que necessitei de criar uma identidade, primeiro visual, para a marca. Os lugares onde era necessário distribuir o produto e a informação, a coerência de comunicação necessária em todos eles, o deixar claro a toda equipa de trabalho o que nos diferenciava, para nos posicionarmos com uma missão e visão claramente definidas.

Tudo isto parece a base de um qualquer relatório que produzimos para uma cadeira, mas a verdade é que engloba outros factores que, até chegarmos ao trabalho, não ideamos. Por exemplo, a base de tudo, para um conhecimento real dos resultados das nossas acções, é algo tão básico como métricas. E por métricas estou a referir-me aos princípios mais básicos de controlo, como são o número de contactos recebidos, ou o número de orçamentos enviados, mas a verdade é que nem sempre existe predisposição imediata para isso. Compreendamos que essas barreiras não surgem por má vontade ou desleixo das pessoas, surgem por uma falta de hábito, que implica uma mudança de rotinas. Essa mudança leva tempo, mas não foi para mim uma derrota trabalhar meses a fio numa tarefa, aparentemente, insignificante. Foi o contrário.

É importante estarmos disponíveis para laborarmos todos os detalhes e os compreendermos de uma forma mais ampla do que eles parecem no momento. Eu não lutei para que fizessem tracinhos numa folha quando o telefone tocava, lutei para que compreendessem que cada tracinho nos diria onde estávamos a falhar e a acertar e que poderiam ter peso na estabilidade do futuro profissional deles. E isto, estou em crer, é o fundamental para conseguirmos manter a motivação no nosso trabalho.

Obviamente, toda esta minha experiência poderá estar extremada pela realidade que encontrei (uma empresa sem quadros superiores), mas são coisas que acontecem, acreditem. Já tive a possibilidade de prestar serviços, ao nível da criação de conteúdos, em empresas do sector turístico ou de Facebook Marketing, já tive a oportunidade de me expressar em público em alguns colóquios e em todas essas ocasiões cheguei a uma conclusão: os entraves ao nosso trabalho estarão sempre nos hábitos e receios. Claro que os budgets nos ajudam e me têm permitido participações feiras de negócio ou publicidades massificadas importantes para a empresa, mas, actualmente, temos ao dispor um infindável número de opções de baixo custo que permitem promover a notoriedade da marca ou alicerçá-la ao nível comercial, o que não temos é um chip que permita que, no imediato, as pessoas vejam algo arrojado como uma saída de futuro.

Existe no nosso país uma vontade muito enraizada, quando toca a negócios de pequena dimensão, mas também em casos de negócios maiores, de procurar seguir por caminhos já antes trilhados que, à partida, são sinónimo de sucesso. Quando cheguei à empresa, uma empresa de peças de automóvel usadas, pedi ao designer subcontratado que realizasse, em conjunto comigo, um branding em que fosse possível a descolagem dos carros e, ao mesmo tempo, fosse colorido. O resultado chegou e todos duvidaram, ninguém queria crer que aquilo, cheio de verdes e cores diversas, poderia ser a imagem de uma empresa que vende peças automóvel usadas e é associada ao termo ‘sucata’ (tão depreciativo e bruto). Mas a verdade é que, quatro anos volvidos, foi exactamente esse arrojo, em junção com o nosso posicionamento e produto, que nos colocou no sector como uma referência. O verde só queria demonstrar que, reutilizando, somos amigos do ambiente. Como vêem, o princípio era básico.

Por isso, para concluir, digo-vos: não deixem que as hesitações alheias inibam as vossas crenças. Cada não que vos é dito é uma nova possibilidade de procurarem (e estudarem) mais fundamentos para as vossas ideias. Se eu tivesse desistido, quando não me punham risquinhos numa folha de papel, se calhar não continuava na empresa, não teria tido possibilidade de colaborar pontualmente com outras empresas, não teria tido a coragem de me tornar cronista em alguns jornais, muito menos de ter editado um livro com o IPAM.

Não são áreas que se toquem, a escrita é apenas a minha paixão, mas só quando conseguimos acreditar em nós, no trabalho ou na vida, temos a capacidade de lutar pelos nossos sonhos. Eu lutei. Ainda não realizei nem um terço deles, mas tenho uma vida pela frente e a certeza que já realizei alguns a dar-me força.

Não desistam! As dificuldades, quando acreditam no vosso trabalho, são apenas os degraus para chegar ao cimo. Cansam, mas enrijecem.

 

Artigo redigido para a revista digital IPAM INTERACTION, em Outubro de 2014 (páginas 17, 18 e 19) 

Link revista:        http://issuu.com/ipamaveiro/docs/ipamnews_6

Link de vídeo em contexto trabalho: http://vimeo.com/110870233

Site da empresa: http://www.jesusbaptista.com/pecas-auto-usadas/

O futuro agora

Não sei muito bem o significado das palavras, muito menos das expectativas. De comum têm a forma como nos elevam para pensamentos e cogitações. Uma palavra acertada, ou uma expectativa oportuna, faz-nos viajar para um sonho, um idear de um futuro que rogamos seja presente.

Não sei o meu futuro, contudo penso muito nele. Em momentos, vejo-o como se fosse hoje. Isso baralha e desconstrói o agora. Ainda assim, é bom. Não devo, nem devemos, ser estáticos no tempo. Ele é curto. E eu quero ser mais do que ele. Sonho ser maior do que o tempo, excedente à vida.

Não sei quando vou morrer, mas sei quando quero viver. E é agora. Já.

Ral

Uma aventura (Presente Carnavalesco)

Amanhã começo essa aventura, meia tola, meia feliz. Tenho escrito sempre num expediente entre crónica e pequeno conto, desta feita avanço para algo um pouquinho maior. Ou diferente, pelo menos.

Durante cinco dias, de segunda-feira a sexta-feira, vou tentar prolongar um conto. Dividi-lo por episódios, no fundo. O grande desafio, que aqui me coloco, para além do óbvio de avançar para uma escrita que não é habitualmente a minha, é a definição prévia de um título, com base na escolha de temática de um amigo, que me levou também a definir o personagem principal.

Assim, neste momento tenho a temática: um romance, de quinta a terça-feira de carnaval, em Ovar. Tenho o título: Presente carnavalesco. Tenho o personagem principal: Nuno Martins, 28 anos, contabilista e natural de Ovar. Tenho data: 28 de Outubro a 2 de Novembro.

E não tenho mais nada, não tenho personagens secundárias, não tenho guião nem linhas mestras. Tenho só uma aventura que, assumindo o risco de falhar, abraçarei. É sempre melhor sofrermos a desilusão de falharmos, do que a abstinência de não vivermos. Mas medo tenho, oh se tenho.

Até amanhã, espero que queiram e possam acompanhar.

 PS – Não se esqueçam, caso tenham curiosidade de saber mais detalhes sobre o livro que lançarei, lá para meados de Novembro, basta clicarem neste destacado: Livro – Ricardo Alves Lopes (Ral)

Hoje

Ontem já foi, para o amanhã ainda falta. Hoje é o dia. O dia de dar tudo de mim, o dia de acreditar que a minha vida será a melhor de todas.

Estava aqui a pensar que o presente é a melhor graça que temos. Alias, quando nos oferecem uma prenda, dá-se o nome de presente, será por acaso? Possivelmente, não é. O presente, o hoje, é mesmo uma prenda da vida. É a certeza que estamos vivos, que podemos ambicionar o amanhã. Acontece muito focarmos toda a nossa atenção nas perspectivas de futuro, com isso perdemos é a capacidade de compreender que só podemos ter esse capricho, de cogitar no amanhã, porque o hoje existe. Hoje é o dia mais importante, é sempre. É o que sabemos que temos.

Vou ter um dia, talvez, agitado e importante, por isso é para mim mais fácil pensar no que vos estou a escrever. Todavia, nos dias mais fastidiosos é quando mais devemos lembrar-nos destes pensamentos. São chavões, eu sei, mas são verdades. Os chavões têm sempre verdade em si, por isso é feito um uso, quase, abusivo deles. Quando nos faltam as palavras próprias para descrever uma exactidão, lá vamos buscar os chavões, as frases feitas. Esse é o objectivo deles e delas, creio.

Já viram o tempo que está? Dá uma vontade enorme de aproveitar este dia, eu dei o primeiro passo para isso já faz algum tempo. Acordei, claro. Parece insignificante, até arreliador, no entanto é mesmo o maior passo que damos para aproveitar o presente. A seguir, beijei quem amo, fiz-me à estrada e comecei a trabalhar. Oh, bênção esta.