Prazeres

Prazeres

Prazer. A simples palavra desperta em nós uma espécie de desejo oculto, aflora um estremecimento que nos contrai numa sensação que não conseguimos descrever.

É uma palavra que nos sodomiza. Sei que o termo é forte, mas é isso mesmo. Vivemos para os prazeres, para sentir a pele a arrepiar-se, a voz a contorcer-se em suspiros e o corpo a exalar energias animalescas. O prazer é isso: o descontrolo, mesmo quando controlado.

Um simples café, numa esplanada, com uma boa companhia, ou na solidão, é um prazer. Saibamos nós o que gostamos, o que nos faz felizes, e estaremos a encontrar prazeres em todos os recantos da vida. Um boa música a tocar, uma boa paisagem para contemplar, uma boa companhia para admirar, tudo é um prazer. Este texto, para mim, é um prazer. Pela vontade que tenho de escrevê-lo, pelas viagens que faço no momento alucinante de o imaginar e redigir, quase em simultâneo, e claro pelo desafio de tentar criá-lo à medida do que sinto.

Ser desafiado também é um prazer, mesmo que não seja tão imediato. É o contra-senso de nos colocarmos na ponta da ravina e caminharmos em passinhos de lã, na esperança de tombarmos para trás, para o lado da terra firme, depois de nos termos sentido a voar. O prazer também é isso: desafiar a morte, para encontrar a vida.

Mas o prazer, o que nos acciona o arrepio imediato, que nos desajeita na cadeira e nos faz sarpar a cabeça para concupiscência, é o carnal. O que une dois corpos, o que beija o pescoço num deslize subtil dos lábios, o que aperta a pele e liga os gemidos, o que desajeita os lençóis e arremessa a racionalidade, o que faz suar e gritar, exaltar todos os males do mundo, num momento de dormência que se deseja pela vida eterna. O prazer dos corpos. Esse é o prazer que nos faz suspirar, atirarmo-nos ao mundo sem fronteiras de preconceitos, entregues às necessidades físicas, mas também sentindo o desaparecimento de todas as maleitas do pensamento.

O prazer é a libertação, o amor e o desejo são os caminhos.

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Hoje é o dia do sexo!

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Este dia, como a maioria dos outros, nasce de uma acção de marketing, no caso de uma empresa de preservativos brasileira. Olharam o calendário e 6/9 fez sentido para o dia do sexo. Concordam com a data? A representação numérica, para eles fez. E para os brasileiros também, que criaram petições para que o dia passasse a constar do calendário civil.

Alegavam que o sexo é o princípio de tudo, que não podemos comemorar o dia da mãe, do pai, das crianças e dos namorados, sem existir o do sexo. Consigo perceber-lhes a lógica. Visualizá-la, quase.

Numa era de dificuldades extremas, de conjecturas avassaladoras, arrebatadoras, o quê melhor para festejar que o sexo? Não importa se o descomprometido, se o mágico que une corpos que se amam, importa é festejá-lo. Lembrar e celebrar o apogeu de dois corpos a unirem-se, a desmembrarem-se de preocupações e a gritarem a libertação dos desprazeres, para serem consumidos e calcorreados pela ardência. Mais sexo e muitas guerras se aboliriam. A carnalidade, o toque simbólico das dermes, funciona como um canhão repulsivo de nervosismos, de apoquentações. Fazer sexo é viajar para um mundo simples, feliz, resplandecente. Existe tabu em relação a ele, não se pode soletrar cada experiência, mas pode-se sonhar com ele a cada momento, seja homem ou mulher. Não me importo que seja tabu, a banalização tirar-lhe-ia encanto, a esfera enigmática que faz com que as cabeças explodam na mesma velocidade que os corpos. Não se faz sexo a pensar em outras coisas. Se estamos a pensar, ele morre antes de nascer, não há compromisso, não há entrega, não há excitação. O sexo vive da exaltação, da sensação maravilhosa que o nosso corpo está em fervura e não o podemos deter ou suster. Somente entregarmo-nos.

Sexo é uma das maravilhas do mundo, da natureza humana. E hoje é dia dele, celebrem.

Ral
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Amor de Exaltação

anos de casamento, hino ao amor, paisAmor escreve-se com poucas letras,
Sente-se quente na imensidão,
Não se põe em gavetas,
Leva-se sempre no coração.

Não basta amar uma vez,
É preciso amar cada dia,
Não deixar cair nada na escassez,
Para atingir a alegria.

Amar é respirar, sentir,
Fazer tudo por tudo,
Não mentir,
Ir a fundo.

Não se ama na metade,
Parte-se em muitos, em pedaços,
Mas sempre em verdade,
A aumentar laços.

Chamar amor
É dizer que se quer,
Seja no fervor,
Ou no pequeno prazer.

Amo o amor,
Mas não é somente o amor de definição,
É o amor que acolho no meu pavor
E acaricio na minha exaltação.

 

Para encomenda de livros, sem portes: ricardoalopes.lopes@gmail.com

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Feliz dia da mulher, senhoras e senhores!

mulher, dia da mulher, homens, especialBelas, torneadas, roliças, cheiinhas, loiras, morenas, de cabelo curto ou longo, de olhos azuis, ou verdes, ou castanhos, mais novas ou mais velhas, mais sorridentes ou mais taciturnas, brancas, negras ou amarelas, não interessa. Hoje é o vosso dia! O dia que o calendário das Nações Unidas aponta como de celebração.

Hoje, porém, é só mais um. Um de muitos, onde vocês colorem os nossos dias. Algum homem parou para pensar num mundo sem mulheres? Futebol, cervejas na mesa, tampa da sanita levantada, pouco cuidado com as roupas, saídas à noite, problemas resolvidos com palmadas nas costas, sem ponderação excessiva sobre as palavras a serem ditas, e agora devem estar à espera das coisas más, não é? Pois bem, as boas são as más. Dois dias, três talvez, quem sabe umas semanas, e já não suportaríamos essa vida. Seria desenxabida, quase como uma sapateira sem recheio, uma sopa sem sal, um leitão sem molho.

Não somos capazes de ver além do óbvio, preguiçamos na natureza que chamamos complexa. Não nos capacitamos que o talvez sorridente é um sim e o talvez fechado é um não, que o não normalmente é o sim e o sim o não, que o “tu é que decides” é um jamais enfeitado, que uma chapadinha seguida de parvo é um elogio, a afirmação de se ter derretido, que o “não precisas de te preocupar” é o por favor não te esqueças, que o “já passou” é o ainda não me esqueci, que o “não me fica muito bem” é o isqueiro para acendermos o és linda, que o “estás giro” é a placa de aviso para nunca mais usarmos aquela roupa, ou cortarmos o cabelo daquela forma, que o “mais logo” é o não me apetece. E por aí fora, the show must go on. Digam lá se não é mais giro assim, com lavor pela conquista, com atenção pela partilha. Fosse fácil e todos viravam ateus do sexo, do amor.

No entanto, não se coíbam de imaginar um mundo sem olhares ternos, sem vozes paulatinas, quase soprando as palavras, sem peles macias, torneadas, sem cabelos esvoaçantes, sem toques meigos, sem abraços fortes, sem elogios que nos tiram a força das pernas. Imaginem!

Este dia não é delas, é nosso também. As mulheres são parte da nossa vida, são talvez a parte maior da nossa vida. Assim, festejemos com elas, ofertando-lhes a atenção que merecem durante 365 dias do ano.

Feliz dia da mulher, senhoras e senhores!

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O aceno de Ferragudo

São caminhos percorridos por filhos da terra, sem segredos ou grandes histórias por contar, que não deixam de me intrigar. São viagens por uma calma sobranceira, que se entranha na respiração.

As pequeninas casas, vestidas de branco a ombrear as suas chaminés, com calçadas que as alinham ordeiramente, fazem-me respirar de forma pausada, colocam-me a embeber energias que até ali desconhecia – por muito que já as tivesse sentido em algum lugar, num outro momento, são sempre diferentes. Os arbustos trepadores, como serpentes pelas paredes acima, o estreito das passagens, tudo faz-me sentir num sítio bem mais longe do que o que o meu imaginário alcança, por muito que a imagem se repita em vários locais.

Os cafés ao centro da praça, o ligeiro corrupio das pessoas de passagem, a imagem de aldeia, as caminhadas pelo silêncio, pelas barreiras de uma agitação que nos usurpa a atenção pelos restantes 11 meses. Tudo tão risonho.

Findada a escadaria, chegados ao cume da igreja, lá está o Rio Arade a acenar-nos adeus, com a noite pousada em si e Portimão ao fundo. Que belo que é Ferragudo!

PS – Já sabem que para saber mais sobre o livro que, em princípio, irei lançar, é só passarem aqui: https://www.facebook.com/groups/118634761614210/

As saudades que te guardo

Vivemos histórias loucas, aventuras desmedidas, momentos prazerosos, encontros arrebatadores, caricias susceptíveis…

Em cada segundo de ausência tua, procuro formas de criar-te tão presente, quanto num ensejo nosso: a força do teu abraço torna-se o império do meu pensamento; o calor do teu corpo, o calorífero do meu sopro, do meu suspiro; o doce do teu olhar, o vigor do meu sorriso; a ardência do teu beijo, o aconchego do meu peito; a melodia das tuas palavras, a pauta dos meus sonhos.

A cada porção, de tempo, distantes, mais unidos nos retornamos. A disparidade da lógica é a maior força do amor, do nosso amor. Não chega ver-te, olhar-te, saber que estás lá, apenas legares-me a tua vida e eu oferecer-te a minha me satisfaz. Não esgoto a sede de viver, de amar. Só eu sei o quanto te quero.

Aprendi a sentir, de uma forma que nunca havia sentido. Deixei de ter vitórias minhas, passei a ter conquistas nossas. Deixei de ver tristezas tuas e passei a sentir sofrimentos nossos. Deixei de sorrir por mim, passei a rir por nós. Deixei de ver o sentido na dormência, no sôfrego, passei a vê-lo na partilha.

Não escrevo por ti, escrevo para ti.

Tento compor a saudade em palavras. Confusas? Mal interligadas? Pouco contundentes? É possível, é bem possível, mas se descrever sentimentos fosse fácil, certamente não seria tão bom senti-los.

Loucuras por amor

Atravessei o Atlântico por um beijo dela; parei o avião para dizer: amo-te, não vás sem mim; corri quilómetros à chuva atrás do carro só para alcança-la, dar-lhe a mão e dizer: estou aqui; despedi-me do emprego, mudei de cidade, comecei uma vida nova, tudo para estar junto dela;

Os vários programas de televisão, as diversas entrevistas, quando fazem uso, do chavão, da pergunta pelas maiores loucuras por amor procuram respostas dessas, histórias dignas de uma comédia-romântica que faz derramar uma lágrima, sorridente. A antagónica gota que escorre, deslizante, pelo rosto embelezado por um sorriso comovido. Os finais perfeitos. São estas belas histórias que nos comovem, que nos fazem acreditar nas princesas e príncipes que arrebatam o nosso coração e fazem toda a nossa história de vida ser colorida por um amor capaz de esbater todos os percalços, deste tumultuoso caminho que fazemos, nesta curta existência a que temos direito.

Eu sou louco de amor e por amor. Vivo a intensidade de o meu sangue ser bombeado a uma velocidade capaz de me fazer sentir as veias a explodir, o meu coração a bater com a aceleração de um motor de alta voltagem, o meu sorriso a rasgar-se de uma forma que pode tocar em cada orelha, os meus olhos a brilharem com a capacidade de ofuscar a árvore de natal de Manhattan, tudo isto por amor. Por amor a quem amo, por amor à vida.

Nunca atravessei o Atlântico, nunca corri à chuva, nunca alcancei um carro, mas amo, amo de verdade. Não tenho loucas histórias de amor para contar, tenho apenas os pequenos segredos, as prazenteiras conquistas, os simples gestos. Que maiores insensatezes podemos conceber? Eu não banalizo o meu amor, a minha existência, por deles não conseguir tirar um guião para ser interpretado pelo Ashton Kutcher ou pela Cameron Diaz.

Que maior loucura existe que o nosso dia-a-dia? São oscilações de humor, são pequenas desilusões que numa escala da vida são insignificantes, mas num período de 24h têm uma importância difícil de contornar, são problemas financeiros ou de horários, são tentações vindas de sítios por vezes ocultos, são vitórias irrisórias, de acumulação perfeita. São a loucura da vida.

Seria um triste convidado de um talk show com a temática do amor, mas sou um feliz humano que vive o amor. A loucura de enfrentar o dia após dia sempre junto do amor, da certeza que o belo se escreve nas linhas do tempo, não na instância de um rasgo hollywoodesco.

Vive para amar, não vivas para poder contar!

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