Nas desavenças do balcão

Sentado na lama de uma valeta conspurca, segurando a cabeça como um manto sagrado, chorava. As lágrimas escorriam-lhe como uma fossa a céu aberto, livres.

 

A cabeça sussurrava, no silêncio das suas viagens negativas, que não, que não podia ser possível estar ali, olvidado do mundo, perdido das lembranças que o fizeram homem, sem chão onde pisar.

 

Não era a lama presa nas botas, como farinha na água, que o amaldiçoava, era o ruído de um bando de pássaros que lhe deixava a cabeça torpe, parada como uma língua adormecida. As recordações eram tão vivas como os bichos que lhe subiam pela ganga das calças, indiferentes ao seu sofrimento, atraídos pelo negrume que lhe invadia as roupas como um noivo traído invade os balcões de café. A desgraça era o destino, mas a viagem, o lamaçal que pisava como terreno divino, era o caminho mais pesaroso que já fizera. Estava oco e opaco, feito de barro estático, sem vida. Enquanto as lágrimas continuavam a pingar-lhe nas calças, como única lavagem possível daquele dia sem fim.

Entretanto, batia o punho nas poças, como se o sacudir de pingos pudesse ser a libertação do engaiolamento em que se enfiara com o sim, o sim que fora um não. Um não ao futuro, um não ao presente, um não ao passado. Um não, com a certeza da incerteza, como uma bíblia até ser conhecido o autor. A confusão das suas ideias era tão latejante quanto a dor na perna da queda, a mão pisada do corte na garrafa de absinto, a roda empenada da bicicleta que o levou ao abismo. Tudo tombado naquela valeta como um harém de múmias enrolados em gaza, sem resquícios de vida futura.

 

Estava com as calças rompidas, as mãos ensanguentadas, a camisa imunda, mas só pensava em voltar atrás, em repetir a queda, com mais força, acordando-o do pesadelo em que se metera antes do balcão do bar. Sozinho.

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Não há razão sem contradição…

O maravilhoso, depois de tudo isto, jornalistas britânicos a equiparam a cidade do Porto ao terceiro mundo, indignações com a Pepsi e defesas à falta de sentido do humor dos portugueses, Blatter e não Blatter, Ronaldo melhor do mundo e Ronaldo arrogante, o que prevalece é que ninguém nos percebe.

Há a manada e a há a contra-manada, como se nenhuma fosse manada, como se os outros é que gostassem de se guiar sempre pelos mesmos barroquismos e nós não. Há os que se expressam melhor e os que se expressam pior, os que ofendem e os que não ofendem, mas, no final, há sempre o sentimento de dever cumprido. E, sabem que mais, isso é que vale! Que se dane a razão, que se dane o apoio popular e erudito, vale a pena é viver. E viver é isto, não haver razão nenhuma que não tenha contradição!

Viajar

Oh New York, New York!!!

Quem não gosta de viajar? As únicas pessoas que podem ter a ousadia de dizer que não gostam são… as que nunca viajaram! Será que alguém nunca viajou? Eu digo: Não e não e não!

Estou demasiado seguro na resposta que dei acima porque, para mim, viajar não é apenas apanhar um avião e seguir para uma cidade que não conhecemos. As maiores e mais fascinantes viagens que tive foram nos meus pensamentos, já visitei os sítios mais recônditos do mundo… do meu mundo! Isso sim, são viagens loucas, a adrenalina é muito maior. É maior porque quando apanhamos um avião em direcção a uma cidade ou país desconhecido sabemos que vamos atrás do incógnito, quando viajamos no nosso mundo pensamos que o conhecemos como a palma da nossa mão. Até que: “Ups, eu não era assim!”. E não era mesmo, tenho tido viagens fantásticas pelos meus pensamentos, amo ver a minha evolução enquanto pessoa. Não posso garantir que seja para melhor ou para pior, mas como os anos andam para a frente, não para trás, gosto de chamar evolução.

Quanto a viagens no sentido que toda gente esperava ler, gosto da sensação de prestar atenção aos detalhes que no quotidiano nos passam ao lado, gosto da cumplicidade com os parceiros de viagem, gosto da sensação de respirar um ar diferente do comum, gosto de olhar com cara de parvo para monumentos, gosto de estar rodeado de pessoas que nunca vi na vida e dificilmente voltarei a ver. Gosto de viajar!

Como me gusta Aruba!!

Olhem que feliz que eu estava em NY e Aruba 😀