Primavera

primavera, campos, flores, plantas, portugal, françaEla nasce a sorrir no céu e cintila nas flores e plantas, que se colhem do chão ou se apreciam na paisagem. A Primavera é uma fase de luz. No Verão o sol encandeia, é forte e queima, na Primavera ele somente alenta, dá cor.

Os campos verdes vestem rosas, azuis e amarelos, de flores que tanto nos dizem. Não sou entendido nos seus nomes ou características, mas possuo destreza no apreciar delas. Sorrio ao vê-las plantadas na imensidão que nos diminui ao sítio que devemos pertencer. Por estes dias, vi em França paisagens diferentes das de cá. Diferentes não na beleza, diferente nas formas como estão ornadas, nos tipos que por lá nascem. A mostarda, que tanto jeito nos dá nas sanduiches, por lá ajuda a colorir o verde. Contrasta. Por cá, com menos amarelo de um lado, colocamos mais verde de outro, mais azul ao centro, não importa. É bonito na mesma. E a beleza não se compara, distribui-se. Goza-se.

Vivemos na Primavera à espera do Verão e a esquecer o Inverno. O Outono não conta. Vivemos sorridentes com a luz das flores, com os espirros das alergias e com a certeza que o sol também vai queimando, fazendo graça na cor da pele. Convençam-se, a Primavera não é transição, é uma estação cheia de imensidão.

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Cair das folhas

A cidade fica imersa num escuro castanho, meio arreliado, meio pequenino. Os indivíduos multiplicam o agasalho e cobrem-se em caminhadas, mais abraçadas e afectuosas.

Sinto um sopro a furar-me as janelas e a assobiar-me, num bom dia meloso. Importa-me mais a erguer as forças, daqueles edredons que me arrecadam a quentura de um cosmos fresco. Sinto um deslize epopeico sobre as estradas que, dia após dia, palminho para um escritório que me ameiga o dia, que agora se veste de mais luz. O clicar do interruptor dá uma luminosidade maior, mesmo com a lâmpada de sempre, pois ele estava mais escuro, mais invernoso. Custa-me a levantar, mas sinto-me mais aconchegado a trabalhar. Não fico na euforia tola do verão, contudo sinto-me sempre mais paulatino e certinho a fazer as coisas. Desaparece aquela dormência de êxtase, torno-me mais cerebral e reflectido, mantendo alguma astúcia, de que me gabo.

Este mês que é recente, o Outubro, traz-me mais uma soma de aniversário, aquele burburinho de quem gosta de se sentir lembrado, com mensagens electrónicas e beijinhos e abraços tão reais. Para todos é mais um dia, para mim também, mas com qualquer coisa, com uma lembrança perpetuada de demonstrações de carinho. É um auge momentâneo, vestido de uma importância e carinho impar. Gosto de fazer anos, por muito que não ligue a ficar mais velho. Tenho sorte de ter nascido no Outono, as pessoas são mais agradáveis e sentimentais. Ficam mais carinhosas, ainda sem a tristeza do vagar zangado do Inverno.

Estou à espera daquele dia, que vem a correr desalmado, em que além dos parabéns, receberei o cair das folhas, do Outono da vida.

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Oh Primavera, Primavera…

Não te acredites neles, eles mentem-te, enganam-te. Fazem-te declarações de amor, mas só vêm em ti um pré-verão, um aquecimento para ele. Eles falam como se fosses perfeita, mas só têm, por ti, indiferença. No dia 21 de Junho à noite, no dia 22, já não se recordam que exististe. Eu não, eu sou diferente, gosto de ti de verdade.

Eu sei que ainda agora chegaste e contigo já trouxeste o pó amarelo, o rastilho da pólvora das alergias, mas eu gosto de ti.

Uns sorriem para as flores que desabrochas do chão, outros espirram para elas. Uns fazem-te lindos poemas, inspiram-se na tua cor para belas obras literárias, outros desesperam, sentem-se revoltados, com a comichão das alergias.

Fazes-nos espreitar o verão, mas teimas em trazer alguns dias dignos de inverno. Não nos permites dizer se és uma estação quente ou uma estação fria. Nem és carne, nem és peixe, és assim-assim! És uma estação assim-assim.

És tu que trazes os enxames, não és? Corrige-me se estiver errado, enganado. Não deixo de gostar de ti, não mesmo. Não me trazes o aconchego do inverno, nem a loucura do verão, mas também não és o descolorado do Outono, és quem és e eu gosto de ti por seres quem és… Primavera!