Tenho necessidade de estar vivo, mas também desejo viver.

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Eu agora desejava férias, ó se desejava, mas necessito mesmo de trabalhar. Labutar com afinco, para quando me chegar essa época de inércia a aproveitar a galope.

Vivemos uma supremacia de sacrifícios, de abnegações forçosas do consumo para gestão dos parcos fundos ao nosso dispor. Vendem-nos a ideia de uma culpa nossa, alicerçada em créditos e chiquezas desnecessárias, em outros tempos. Da mesma forma que não dispo o fardo de alguma culpa – inserido no aglomerado populacional -, não me convenço que as exorbitâncias prejudiciais não foram da governação. Dos fundos luxuriosos que se perderam em negócios dúbios, em acordos trapaceiros.

Esta barafunda, esta crise, agora deixa-nos numa batalha dolorosa. Distinguir bens essenciais de tudo o resto, a contagem ao milímetro dos cêntimos. E não me venham com números, de viagens mais caras vendidas, de carros de luxo a crescerem, pois os números enganam. Toda gente o sabe. São mentirosos. Posso deixar os meus pais a passar fome e comprar 4 viagens ao Brasil para mim, que na vista do Gaspar será um agregado farto de riqueza. Mesmo dois estando a passar fome, ele não verá além do número de Excel. Extrapolando o meu agregado para o país, a diferença não será muita.

Contudo, por muito que tentemos poupar, tudo o que nos parece possível cortar é sempre insuficientemente para esticar o dinheiro, para aligeirar o aperto do cinto. Há que cortar os desejos, centrar nas necessidades. Todavia, e não obstante disso, digam-me se os desejos depois de saciados uma vez, não se tornaram necessidades? Eu acho que sim, e isso é um problema. Criamos dependência de tudo o que nos dá prazer, de tudo que em algum ponto nos liberta deste temporal, que nos colocaram no pináculo da nuca. É verdade que não necessitamos de andar de Mercedes, se podemos guiar um Clio; é verdade que não carecemos de jantar fora, se temos supermercados para abastecer as dispensas. No entanto, também pergunto: o caminho será eliminar a “indústria” dos luxos? Eu não sei, estou só a inquirir. E estou porque a ideia que defendem é que devemos viver com o mínimo indispensável, que só temos direito a isso. Não será isso, no fundo, desbaratar o país?

As necessidades desde há muito são definidas, pelo Maslow. Necessidades fisiológicas básicas; necessidades de segurança; necessidades sociais; auto-estima; auto-realização. Então, com base nesta pirâmide, supondo que tudo são necessidades, eu pergunto se os desejos também não se encaixam nelas? É verdade que eu para mandar uma mijinha não preciso de muito do estado, no entanto para comer, que está nesse mesmo patamar básico, já estou um bocado dependente. Até pela quantidade de empresas, pagadoras de ordenados, que eles aniquilam. E, subindo um degrau, já vem outra necessidade que ele muito nos devia entregar. Que segurança é que temos neste país? Continuando a subir, lamentamos mais ainda o descalabro.

Em suma, tudo o que um dia foi rotina tornou-se necessidade. Se nos devemos adaptar á realidade? Sem dúvida, absolutamente. Porém, lembrem-se que a pirâmide de necessidades tem um caminho até ao topo, e o que nos pedem é que sejamos a tábua rasa da base.

A isso eu digo:

Tenho necessidade de estar vivo, mas também desejo viver.

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Consumismo à mesa

Não sou, de todo, a melhor pessoa para explanar este assunto. Sou consumista, confesso. Não o deveria ser, até pela quantidade de vezes que reclamo da escassez do dinheiro, todavia, em pequenas coisas vou gastando fortunas. Não me arrependo, fico é pesaroso.

Este fim-de-semana, um tanto ou quanto, prolongado não me faltaram coisas a festejar, amizades a rever, jogos à hora de jantar, etc. Não conseguindo dizer que não a nada, fico feliz e mais leve. A leveza aqui é indissociável do peso da carteira. Raios para o dinheiro.

Não resisti a este pequeno desabafo, só me contrafaz que cada vez mais os programas de amigos sejam impossíveis de separar de gastos. Desde logo, pela fortuna de ter amigos em diversos sítios. Um prazer caro, mas impossível de me privar. Felizmente, tenho alguém que amo e consegue gerir-me. Gerir não por imposição, por um amor e carinho que tanto me orgulha, que tanto me derrete e me apaixona mais. Alguém que admiro pela capacidade de fazer uma medição, meritória, de que eu sou totalmente incapaz. A força da pessoa que somos não se deve somente a que quem somos, deve-se muito a quem nos circunda, a quem nos influencia. Nesse sentido sou mais que feliz, sou felizardo. Tenho amigos incríveis, uma namorada que não consigo sequer descrever de tão magnífica que é, uma mãe e pai galinhas, tenho tudo o que posso ambicionar ter. Claro que faltava mais dinheiro, mas neste momento fica difícil senti-lo como o mais importante.

Não escrevi este texto a vitimar-me, até porque sei bem que vocês não poderão fazer mais do que encolher os ombros, como quem diz: como eu te percebo. Isto não é um mal meu, é uma evolução da sociedade. Quer ao nível dos preços, quer ao nível das nossas próprias ânsias. Desenvolvemos sôfregas necessidades de divertimento social, tornam-se escassos os serões à mesa e na conversa. Somos peões num xadrez de consumismo, não raras vezes, sendo comidos pelos grandes reis do tabuleiro. Eles inventam necessidades, nós deixamo-nos possuir, nas entranhas, por elas.

No fundo, no fundo, não foi muito que gastei, fez-me foi pensar no muito que tenho por ganhar!