Não há nada mais feio que estar em guerra com quem se amou por muito tempo

Não estou a falar de mulheres. Estou a referir-me a momentos passados. Quando gostamos muito de um sítio, sabendo e sentindo que lá passámos grandes momentos, tendemos a procurá-lo em todo o lado. Em todos os momentos.
Gostamos das sensações e vivemos presos a elas, a criar essa expectativa em cima de outros sítios e momentos – e mesmo pessoas. Isso é estar em guerra com quem amámos.

A paixão chama-se paixão por ser efémera. Se lhe tirarmos a vertente passageira roubamos-lhe a existência. O comediante tem na piada a sua maior virtude e defeito. O vilão tem na maldade o seu maior defeito e o seu maior fascínio. A vida é assim, feita de contradições. O bom e o mau estão sempre muito próximos e cheios de razões lógicas para se afastarem. Mas não se afastam.

A vida tem que ser vivida no limbo do bom e mau, porque é aí que ela acontece. No resto, só passa.

Por isso é que, em mais esta viagem sem viajar, acabei com a maldade do convívio dos Vampiros Grupo de Carnaval. Troquei o local e fui refazer as lembranças. Não era o sítio que fazia o momento. Eram as pessoas. E isso já era sabido. Mas estava em guerra com quem amava: com as lembranças dos bons momentos.

Agora, refi-los. E de um amor passei a dois. Três. Quatro. Tantos quantos viver sem a expectativa do que foi o passado. São as pessoas que fazem os locais, mesmo quando eles estão despidos delas. A ausência de pessoas também é uma forma de amar as pessoas.

Mas este fim-de-semana não foi o caso. Estive repleto de pessoas em redor e num sítio que não conhecia. Gostei.

O presente

O presente

 

Jorge Luis Borges dizia que todas as criaturas são imortais, excepto os homens; os que na morte colocam fé, sem dela se abstraírem. Eu gosto de me abstrair das coisas. Gosto da lembrança subcutânea de momentos incríveis.

Quando exercito a mente, num périplo por viagens idas, por momentos que ficam, furam-me recordações de ápices desconexos. Lembro-me de estar em Paris e recordar mais um velho senhor, elegante, a tocar guitarra e a cantar blues, em Montmartre, do que a vista magnificente da torre. Lembro-me de em Barcelona espantar-me tanto com a vista matinal, enublada, a partir do Museu Nacional d’Art de Catalunya como com o passeio pela rambla principal. Lembro-me, também, de ir a vários concertos num só dia e de me encantar mais com a paragem numa esplanada, de rabo alapado na relva a beber uma cerveja, do que com os acordes fantásticos duma dais quaisquer bandas que vi.

Tudo isto acontece porque, mais uma vez, Jorge Luis Borges está certo: “O presente é tão incompreensível como o ponto, pois, se o imaginarmos em extensão, não existe”. E não existe mesmo, quando o queremos tactear. Raras são vezes em que a cabeça está desunida do passado e separada do futuro. O imediato quase sempre nos rouba a cabeça do agora. É a melhor hora para pensar no que vem a seguir, para memorar no que já foi feito e para apontar ao que se quer fazer. Como quando estamos de frente para a Torre Eiffel e queremos, obrigatoriamente, marcá-la em detalhe, qual raio-x, porque pertencia aos nossos sonhos do passado. Se pensamos que não queremos esquecer, esquecemos. É assim. Porém, se não queremos saber, se estamos só lá, sem estar a tentar medir os centímetros do presente, ele fica. É o presente que se torna passado, usando a pele dos irrepetíveis momentos. Como eu tive em Montmartre, no Museu Nacional d’Art de Catalunya, naquele jardim a beber uma cerveja ou nesta foto que tirei virado para o Tejo, também a beber uma cerveja. O presente é o exacto momento em que não existe passado nem futuro. E a linearidade disso é a complexidade de todos os que querem viver tudo, agora.

As saudades que te guardo

Vivemos histórias loucas, aventuras desmedidas, momentos prazerosos, encontros arrebatadores, caricias susceptíveis…

Em cada segundo de ausência tua, procuro formas de criar-te tão presente, quanto num ensejo nosso: a força do teu abraço torna-se o império do meu pensamento; o calor do teu corpo, o calorífero do meu sopro, do meu suspiro; o doce do teu olhar, o vigor do meu sorriso; a ardência do teu beijo, o aconchego do meu peito; a melodia das tuas palavras, a pauta dos meus sonhos.

A cada porção, de tempo, distantes, mais unidos nos retornamos. A disparidade da lógica é a maior força do amor, do nosso amor. Não chega ver-te, olhar-te, saber que estás lá, apenas legares-me a tua vida e eu oferecer-te a minha me satisfaz. Não esgoto a sede de viver, de amar. Só eu sei o quanto te quero.

Aprendi a sentir, de uma forma que nunca havia sentido. Deixei de ter vitórias minhas, passei a ter conquistas nossas. Deixei de ver tristezas tuas e passei a sentir sofrimentos nossos. Deixei de sorrir por mim, passei a rir por nós. Deixei de ver o sentido na dormência, no sôfrego, passei a vê-lo na partilha.

Não escrevo por ti, escrevo para ti.

Tento compor a saudade em palavras. Confusas? Mal interligadas? Pouco contundentes? É possível, é bem possível, mas se descrever sentimentos fosse fácil, certamente não seria tão bom senti-los.

2011 em palavras, 2012 entrelinhas

PUM,PUM,PUUUUUMMMM… euforia ao rubro, champanhe a disparar, abraços calorosos, beijos apaixonados, lembranças melancólicas, desejos ardentes, felicidade momentânea e passas á mistura. São isto os segundos que fazem a transição de um ano para o outro!

Eu iniciei este ano de 2011 duas vezes, levado pela euforia que acima descrevi, em plena Plaza Mayor de Salamanca, comemorei o novo ano Espanhol, bem como o ano novo Português. Agora chega o momento que por imposição temporal fazemos um rescaldo. O que eu conquistei em 2011? Desde logo bons momentos nos primeiros instantes do ano que agora termina, mas daí em diante é que veio o que considerei o melhor ano da minha vida.

Uma licenciatura terminada, uma afirmação no meu trabalho traduzida em resultados, um contrato assinado como licenciado, mantive os amigos, fiz outros, venci o mítico carnaval de Ovar, não só pelo primeiro lugar mas porque tive o melhor carnaval da minha vida, conheci uma pessoa que poderia ser mais uma mas que se mostrou muito mais que isso, independentemente do que este ano traga já se tornou intemporal no que de mais nobre tenho, o meu coração. Tive férias duas vezes com contextos diferentes, vi amigos partirem á procura de uma vida melhor, pude visitá-los, terminei o ano a lançar-me nesta aventura do blog… isto é o meu ano traduzido em meia dúzia de linhas. Foi muito mais que isto, eu valorizo circunstâncias de tal maneira pequeninas que soariam a ridículo para vocês que lêem, por isso não as partilho. Deixo-vos só a “dica” que posso ser tão feliz numa conversa de café com amigos, namorada, ou pessoas acabadas de conhecer como ao terminar uma licenciatura. Digo isto porque valorizo muito mais os inícios de ciclo que os finais deles. Sou demasiado dominado pela sede de viver, procuro prazer e lembranças em tudo o que faço. Em forma de confidência posso dizer-vos que isso me traz muitos momentos angustiantes ao longo dos 365 dias que formam um ano, mas por outro lado permite-me no dia de hoje olhar para o ano que se aproxima do fim com orgulho, nostalgia e ambição de vir o próximo.

“E as coisas más?” Estão incluídas nas boas, foram esses momentos maus que me fizeram conseguir destacar estes incríveis que agora aqui partilho. Para terminar a licenciatura foi preciso sofrer a ânsia e estudar, para vencer o carnaval e ter instantes únicos foi preciso haver momentos difíceis que criaram a união, para manter e criar relações de amizades foi preciso atravessar momentos constrangedores, para uma pessoa se tornar intemporal foi preciso ultrapassar barreiras. Mas porquê realçar o mau? Se pude, de forma redutora, criar um parágrafo com um ano tão bom, porquê estraga-lo? Os momentos maus ou menos bons (para os mais simpáticos com as palavras) são apenas o sal e a pimenta do que a vida tem de melhor. FELICIDADE! Ninguém teria a capacidade de valorizar o que de melhor tem e conquista se não experienciasse o mais difícil.

Não existe a felicidade constante, existe a capacidade de amealhar momentos aparentemente insignificantes que fazem a nossa passagem ser notada. Nunca conquistei o Mundo, mas isso não me impede de ter uma família incrível, de ter amigos presentes, uma namorada especial e colegas que diariamente me ajudam a ter orgulho em quem sou.

Ambicionem o impossível, conquistem o alcançável e desfrutem o dia!