Olhar o mar, apreciá-lo e… Fazer ou pensar?

Mar - pensar ou fazer

É uma pergunta que me assola muitas vezes. Nós somos o que fazemos, não o que pensamos. Mas se fazemos sem pensar, também não estaremos a ser demasiado vazios?

É complicado, isto de ser existencial. Viver para experimentar. Pensar para compreender. Tudo está agarrado a algo, como se vida fosse um ventríloquo. Os braços do pensamento dão voz à existência. E ela acontece fora do nosso alcance. Desprevenida, descontraída e impossível de prever. Como tem que ser.
Mas, depois, porra. Não basta ser. É preciso parecer. Fazer!

Mais do que ser, fazer. Porque o fazer é que nos faz ser. A prova disso? Pensei muito em mergulhar, mas só depois de mergulhar me senti livre. Molhado. Feliz. A viver.

O pensamento é um subterfúgio do não fazer. Pára. Estanca. Pensa. E, se pensas, não fazes. Portanto, fazer sem pensar não é o ideal. Mas é melhor que não fazer. Dá aprendizagem, crescimento. Faz pensar. E o bom do fazer é isso:

Permite pensar com conteúdo.

Portanto, mergulhei. E, depois, pensei: está fria. Se tivesse pensado antes, o frio já me estaria a alarmar antes de o sentir. E o que pensamos antes de sentir não é accionável. Não é controlável. É só dor.

E o frio depois do mergulho foi, afinal, o alívio do calor. Tão bom.

#MaisUmaViagemSemViajar

O Verão que há

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Depois de um Abril, um Maio e um Junho de chuvas,
Chega um Verão a ferver,
Para conversas múltiplas ou unas,
Em esplanadas que nos enchem de prazer.

Amigos são como um sinónimo,
São como uma casta,
Fazem com que na vida não sejamos um anónimo;
Fazem com que irradiemos felicidade, mesmo sem pasta.

O país está mal,
As oportunidades escasseiam,
Mas eu lá me mantenho pelo Sobral,
Agarrado aos amigos que por cá jornadeiam.

Uns deixam saudades, os que estão longe,
Contudo, eu sei que não esquecidos.
Estejam em Luanda, em Le Blanc, em Argenton, em Londres ou em Limoges,
Por cá são sempre lembrados.

Agora, com o sol no céu posto,
Já me encho de vontade de mergulhar,
Pois o tempo já lembra Agosto
E esta é a estação de aproveitar.

As férias hão-de chegar, suadas e merecidas,
Como uma recompensa do dinheiro que não vem,
Que não aparece,
Mas que a gente não esquece.

Ral