Não juntes dinheiro

não juntes dinheiro

Bayona, Espanha

Junta amigos, uma praia e uma cidade desconhecida. Traz à memória histórias de infância, adolescência e cria novas. Vive.

Faz felizes os de quem gostas e sê feliz. Muito feliz. A felicidade é paz. Saber que foste, saber que viveste. Acontecer. Não importa se é bom, se é mau ou desenxabido. Importa é que tenha acontecido. Que o mar tenha beijado a costa. Que a garrafa tenha sido esvaziada e que a vida tenha acontecido. A vida acontecer é ser feliz.

E o dinheiro não paga isso. Mesmo que faça falta para outras coisas.

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Ovar não tem medidas, tem pessoas…

Já há novo texto no OvarNews, fala de tamanhos e pessoas, também de beleza.
E, já sabem, a maravilha de ilustração é do Pinto Luis, as minhas letras são meros enfeites! 
http://www.ovarnews.pt/?opiniao=ovar-nao-tem-medidas-tem-pessoas

Corredores de hotel

Estive em poucos hotéis durante a minha, curta, vida, ainda assim os seus corredores são algo que me fascina. Longos passadiços cercados de portas, castanhas, brancas, pretas, de madeira, de metal. De todo o tipo.

Por detrás de cada porta contam-se histórias diferentes, alojam-se pessoas distintas, com motivos díspares. Namoros apaixonantes, casamentos felizes, traições sem escrúpulos, solidões atrozes, trabalho ou lazer.

De repente sai uma pessoa. Quem será? Qual será a sua história? Terá mulher e filhos? Estará ali em trabalho? Não, claro que não. Estamos numa zona balnear do sul de Espanha, ele usa calções floridos e leva um sorriso no rosto. Claro que não está em trabalho!

E eu? Quem sou eu aos olhos deles? O que pensam quando se intersectam comigo no corredor? O que lhes vai na cabeça quando me fazem um aceno delicado que a boa educação doutrina? O que lhes ocorre quando invado a sala de pequeno-almoço, com calções coloridos e t-shirts ao desenhos? O que pensam das minhas havaianas, brancas e gastas pelas longas caminhadas, entre a praia e o parque de estacionamento? O que sentirão em relação aos meus olhos ramelados? À minha cara que reflecte a falta de descanso? Que espelha os gins, na secura dos lábios. O que julgarão de mim?

Os corredores de hotel são reminiscências difíceis de apagar. Entranham-se na memória. São frios mas acolhem-nos na distância de casa, do lar. São todos semelhantes, mas todos distintos. Cada um tem uma pessoa diferente para nos mostrar, cada um encobre outra história atrás das suas portas. Em Espanha, junto à praia, eram loiros de calções floridos e pele vermelha, na 5th Avenue, eram espanhóis, americanos, brasileiros e britânicos, de fato e afoitos com um dia prometedor, um dia de oportunidades.

E eles? Será que eles hoje ainda se perguntam quem eu serei? Qual a minha história?

Não, certamente que não!