O Brasil

O Brasil

Que delícia a forma como espelha o mundo nas suas águas, como zumbe a alegria de viver nas suas gentes, como nos sustém a respiração na suas paisagens e como nos faz sonhar com as suas águas de coco.

Eu não sei o que é viver lá, tampouco sei o que é visitá-lo, mesmo querendo fazê-lo, mas sei uma coisa: a vergonha que todos vemos não é resultado da desfaçatez, é resultado da mesma alegria de viver que lhes elogiamos. O brasileiro é leve e isso reflecte-se na forma como se expressa. Não pensa nas consequências que dali advêm, pensa no que o momento lhe dá. E isso poderia ter muito de bom, se não houvesse a corrupção. Doutra forma, elogia-se o marido hoje e ele é preso amanhã; deita-se um governo abaixo hoje e responde-se em tribunal amanhã; acusa-se agora e rouba-se depois.

E tudo isto é pena, porque é um povo lindo pela sua pele morena, pela sua alegria de viver e pela sua leveza de ser. Têm todos os ingredientes para serem dos maiores. Mas o “talento” quase nunca vence, quando a preguiça e o atalho se intrometem. E o Brasil é isso. Um país atalhado, que é gerido por quem não gosta de caminhos longos. É pena.

Caso Sócrates

Caso Sócrates

Amigos, também fico satisfeito de ver a justiça a funcionar, mesmo ainda não sabendo o que será a justiça para o(s) caso(s). Aos poucos, vemos os ‘grandes’ serem atacados e isso faz-me crer em melhores ventos. Não pela condenação deles ou não, que isso não me compete a mim avaliar, mas pelo receio e cautela que poderá criar em todos os outros, que fazem destes padrões os seus.

O que é preciso combater não é o Sócrates ou o Palos, é a sensação de impunidade que há muito reside neste país. E, por isso, convém lembrar que quem está a ser julgado não é um mau-político, é, eventualmente, uma má-pessoa. E é isso que acho que as ‘redes-sociais’ não estão a perceber. Não importa que ele tenha praticado um mau socialismo, quando o país precisava de contenção; não importa que ele tenha mentido em relação à ajuda externa ou outras coisas; importa é que ele corrompeu o sistema, com fraude fiscal e branqueamento de capitais, agravados com corrupção. Não confundam as coisas, ou de nada vale este processo. A ideia não é prender maus-políticos, é prender pessoas corruptas. Repito: compreendam as diferenças.

Caso contrário, teríamos que prender todo o actual governo. Sabiam que o défice de 2010 era de 17 mil milhões e passou para 5 mil milhões, sem ter existido qualquer redução da despesa fixa do estado? Pois é, a diferença desses 12 mil milhões de euros está nos impostos que nos foram criados. Sim, atacaram a saúde e a educação, entre outras coisas, mas como pararam a economia e enviaram não sei quantos para o desemprego, aumentaram as despesas intermédias. O que, pasmem-se, faz com que sejamos exclusivamente nós a pagar a dívida e os erros de gestão. Isto não dá prisão, que é só incompetência. E a incompetência deve ser punida, mas de outra forma. Despedimento, por exemplo. Se um país é gerido por pessoas incompetentes têm que ser despedidas. O problema é que na oposição ninguém falou desta questão relacionada com a despesa do Estado. Será que eles fariam melhor? E aqui é que reside a minha dor. A incompetência é transversal a toda uma classe, que se pauta pela sua falta de classe.

Mas, repito, prisão não é para os incompetentes, é para os corruptos. Assim, se começarmos a limpar os corruptos, a colocar os outros (principiantes) a pensarem duas vezes antes de o fazerem, talvez nos liberte algum tempo para começarmos a prestar mais atenção, aí sim, aos incompetentes. Não é um ex-primeiro-ministro que está a ser julgado, nem um político, é um cidadão que, crê-se, é corrupto.
Não é a política que está em julgamento, é a corrupção. Distingam isso, vai ser bom para todos. E a seguir analisem porquê que isto está mal. Não é só por corrupção, por muito que nisso acreditem. Também há uma grande dose de incompetência!

O país do carnaval

miguel relvas, demissão, país, portugal, carnavalPouco ou nada se faz,

Para se sacudir de lá para fora

Os que fazem dos outros capataz.

 

São muitos, são demais

Vivem para sustentar erros,

Para embeber estupidez

Enquanto nós andamos derreados como freguês.

 

É esta a nossa nação,

Esta pouca vergonha, que nos aperta o coração

Que nos faz odiar

Os que lá estão no cadeirão.

 

Coelho, Relvas e Gaspar

São os nomes sonantes de uma podridão,

De um desajeito que nada nos deixa compreender,

Enquanto vamos indo para o fundo do alçapão.

 

Dizem que a culpa é da União,

Da Europeia,

Mas quem se fode é sempre o povinho,

Que nas eleições vai-se na teia.

 

Falta a escolha,

A alternativa,

A saída para longe,

O projecto que não seja narrativa.

 

Custa, dói

E corrói

Aperta o peito, esvazia o bolso,

E ainda nos torce o torço.

 

É um país sem legislação,

Para os que, no fundo,

Nos fodem a nação.

 

Chega Portugal,

Vamos exigir justiça para o mal,

Que não podemos viver sempre

Neste carnaval.

 

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Tenho necessidade de estar vivo, mas também desejo viver.

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Eu agora desejava férias, ó se desejava, mas necessito mesmo de trabalhar. Labutar com afinco, para quando me chegar essa época de inércia a aproveitar a galope.

Vivemos uma supremacia de sacrifícios, de abnegações forçosas do consumo para gestão dos parcos fundos ao nosso dispor. Vendem-nos a ideia de uma culpa nossa, alicerçada em créditos e chiquezas desnecessárias, em outros tempos. Da mesma forma que não dispo o fardo de alguma culpa – inserido no aglomerado populacional -, não me convenço que as exorbitâncias prejudiciais não foram da governação. Dos fundos luxuriosos que se perderam em negócios dúbios, em acordos trapaceiros.

Esta barafunda, esta crise, agora deixa-nos numa batalha dolorosa. Distinguir bens essenciais de tudo o resto, a contagem ao milímetro dos cêntimos. E não me venham com números, de viagens mais caras vendidas, de carros de luxo a crescerem, pois os números enganam. Toda gente o sabe. São mentirosos. Posso deixar os meus pais a passar fome e comprar 4 viagens ao Brasil para mim, que na vista do Gaspar será um agregado farto de riqueza. Mesmo dois estando a passar fome, ele não verá além do número de Excel. Extrapolando o meu agregado para o país, a diferença não será muita.

Contudo, por muito que tentemos poupar, tudo o que nos parece possível cortar é sempre insuficientemente para esticar o dinheiro, para aligeirar o aperto do cinto. Há que cortar os desejos, centrar nas necessidades. Todavia, e não obstante disso, digam-me se os desejos depois de saciados uma vez, não se tornaram necessidades? Eu acho que sim, e isso é um problema. Criamos dependência de tudo o que nos dá prazer, de tudo que em algum ponto nos liberta deste temporal, que nos colocaram no pináculo da nuca. É verdade que não necessitamos de andar de Mercedes, se podemos guiar um Clio; é verdade que não carecemos de jantar fora, se temos supermercados para abastecer as dispensas. No entanto, também pergunto: o caminho será eliminar a “indústria” dos luxos? Eu não sei, estou só a inquirir. E estou porque a ideia que defendem é que devemos viver com o mínimo indispensável, que só temos direito a isso. Não será isso, no fundo, desbaratar o país?

As necessidades desde há muito são definidas, pelo Maslow. Necessidades fisiológicas básicas; necessidades de segurança; necessidades sociais; auto-estima; auto-realização. Então, com base nesta pirâmide, supondo que tudo são necessidades, eu pergunto se os desejos também não se encaixam nelas? É verdade que eu para mandar uma mijinha não preciso de muito do estado, no entanto para comer, que está nesse mesmo patamar básico, já estou um bocado dependente. Até pela quantidade de empresas, pagadoras de ordenados, que eles aniquilam. E, subindo um degrau, já vem outra necessidade que ele muito nos devia entregar. Que segurança é que temos neste país? Continuando a subir, lamentamos mais ainda o descalabro.

Em suma, tudo o que um dia foi rotina tornou-se necessidade. Se nos devemos adaptar á realidade? Sem dúvida, absolutamente. Porém, lembrem-se que a pirâmide de necessidades tem um caminho até ao topo, e o que nos pedem é que sejamos a tábua rasa da base.

A isso eu digo:

Tenho necessidade de estar vivo, mas também desejo viver.

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