Fronteiras do gin

gin, bombai, beber, bebedeiraOntem, falavam-me das vezes que referi o gin no decorrer do livro, da forma como me deve agradar a bebida. É verdade, gosto da mistura fresca do gin com a água tónica, da mescla de sabor que cria. Dentro das alcoólicas, é a que elejo. A que defino como melhor.

No entanto, a dose deve ser arejada, não a ponto de secar os lábios; não a reboque de cervejas ou tintos. É uma bebida de eleição, para tão fraca utilização. E é forte, pode povoar-nos as conversas de palavras disléxicas, de anorexias de pensamentos, que em nada contribuem para o enriquecimento da tal prosa. Soltam-se coisas descabidas de sentido, desapropriadas ao momento ou ao sentido do nosso coração. Saem coisas que nos magoam, por magoarem quem amamos. É aí que se cria a fronteira do gin. A fronteira do bem bebido, para o mal bebido.

É uma fronteira de gin, viajante por todas as bebidas. O bem bebido e o mal bebido.

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Orgulho ao contrário

gin, bebedeira, orgulho contrário, erros, concepçõesPor vezes, embutidos nas agruras da vida, somos um espécime ínfimo do que idealizamos ser. Somos pouquinho para o que querem, e esperam, de nós. Para o que ambicionamos ser.

Isto não se fabrica de forma consciente, por muito que ela nos telinte ao ouvido que vamos no caminho pouco certo. No errado, se dito com a frieza que nos devemos ouvir. Faz-se porcaria, com uma consciência inconsciente. Com uma bebedeira de ideias erradas, que em momento algum chegam a fazer sentido concreto. Chegam a dar rumos apetecidos. São segundos que ferem minutos, dias, anos, ou até a vida. Toda a porra da existência.

São uma ressaca de escolhas que não foram escolhidas, de rasgos exasperantes de inebriação do certo. Somos o que não gostamos de ser; somos longe do destino que queremos colher.

Um gin será sempre um gin, uma música uma música, já um amor serão sempre palavras diferentes, romances vários, carinhos múltiplos. Serão sempre coisas diferentes, corações aquecidos. Um amor vale mais que um gin, um gin só pode ser bom para um amor, se for bebido no amor. Durante o amor, com o amor.

Um gin é um orgulho ao contrário. É uma bebedeira de concepções erradas.

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Rosto da Verdade

Joguinhos de sedução, enredos de conquista, palavras de proveito, criam o emaranhado de folias da vida estouvada, da dita curtição.

A loucura do sistema bem bebido, a dislexia dos movimentos, a turve da visão, o esconderijo das luzes baixas, os movimentos libidinosos dos corpos, as músicas de batida assertiva, a multiplicação dos copos de whisky, a soma dos de gin, vão fazendo o furor dos egos. O elogio, a palavra aprazível, torna-se a nota dominante de cada abordagem, das fugacidades de uma noite que se prolonga até o sol raiar. Vivemos anestesiados pela doce sensação de conquista, pelo acréscimo de auto-estima que a dormência de uma noite agitada em nós provoca.

Os dias são divididos pelo pagamento das horas que o corpo fica a dever à cama, pelas mensagens, via sms e facebook, que vão dando um prolongamento à loucura noctívaga, as fotos mais tarde irão asseverar que não temos a lembrança minuciada de cada pormenor que fez o furor daqueles badalados ensejos, os comentários ofensivos serão as brincadeiras a que nos vemos obrigados a aceitar. São os nossos loucos anos.

Repentinamente, com o sol a iluminar o nosso dia, com a clareza dos pensamentos lavados: um rosto de traços delicados; um cabelo longo entrelaçado entre si; um sorriso com um brilho difícil de descrever; um olhar enternecedor, pacífico; umas palavras de timbre doce, deleitoso; uma mulher incrível.

O nosso mundo está abalado, o amor entranha-se em cada pensamento, em cada movimento ou gesto de uma banalidade até ali desconhecida, os anseios de imprudência ganham contornos de indiferença, a determinação de viver a loucura da vida metamorficamente vira-se para um único ser, para um único olhar, cabelo, sorriso e rosto… rosto da verdade! Não é um rosto que emana a sua beleza de um desejo de descompromisso, é um rosto que nos espelha, um rosto puro e de contornos reais, sem imaginação bêbeda.

As cicatrizes de um coração trancado, de pessoas de índole mais dúbia, não nos deixam ver além de palavras, de desconfianças. O hábito dos elogios prazenteiros, não nos deixa perceber as falas de aviso, de demonstração de trilho de futuro. Existem mágoas de um dia termos magoado e termos sido magoados, existem receios de não ser o momento, existem resquícios de uma certeza forte: sozinhos é que é o nosso caminho.

Afinal onde estão os elogios?

Eles agora não surgem no momento exacto, não os podemos adivinhar. No momento que os ansiamos chegam as palavras mais duras, as advertências necessárias, no momento que não os aguardamos eles atacam-nos com a força que nos derruba as pernas, que nos faz o coração saltitar, que nos provoca um sufoco da respiração e um frio ameno que se propaga de extremidade a extremidade.

Este rosto, não é o que entra em joguinhos, o que se deixa entorpecer pelos desvairos de uma vida amontoada de diversão, é o rosto do amor, o rosto que não nos diz as coisas na hora que as esperamos ouvir, diz na hora que as merecemos ouvir… é o rosto da verdade!