O que está para lá dos montes?

Montes e Montanhas

Felicidade.

Tenho quase a certeza que cada montanha esconde alegria.
Do outro lado está relva por onde nos atiramos, a molhar as calças e a deslizar. A pintá-las de verde! Tenho a certeza disto. Sempre que passeava com os meus pais – e passávamos por montanhas – era isto que sentia.

Lembro-me, por exemplo, de passearmos pelo Minho e eu ver montes e passar horas – todo o caminho – a pensar como seria do outro lado. Sorria. Com o pensamento, as piadas dos meus pais e a música que tocava. Tantas vezes Kelly Family! Talvez os meus pais tenham mais jeito para fazer filhos do que para escolher música, mas é inevitável ela ser uma boa lembrança. É a banda sonora das férias na infância. Ou de umas que me marcaram.

Os problemas surgem na nossa vida e podemos vê-los como vales para coisas melhores. Sobem muito, descem e depois sobem novamente! A pique! Tantas vezes para pontos mais altos que os anteriores. Por isso, pelas ondulações, o desconhecido fascina e faz medo. É sempre assim. O fascínio tem que vir do medo. Mas porquê que não guardamos esta lembrança boa das montanhas que mostram o desconhecido como a capa duma coisa boa?

Não sei a resposta. Mas sei que hoje pensei nisto e não tive vertigens com a altura das montanhas. Tive saudades das férias com os meus pais. Não fumava, não temia o medo e procurava o desconhecido. Hoje ainda procuro. Mas tenho medo. E fumo (foda-se)!

Somos todos assim, tirando a parte do fumar, não é? Acho que isso é bom. Faz-nos novas montanhas. As russas que são a nossa vida. Sobe e desce. Sobe e desce. Sobe e desce. Vivemos.

E, pronto, foi nisto que pensei hoje ao ver as montanhas quem pintam a vista do meu emprego.
É bom ser feliz e ter recordações da infância – mesmo que elas impliquem músicas dos Kelly Family. Lembramo-nos que para lá das montanhas está a felicidade.

Obrigado, Oliveira de Azeméis. Lembraste-me a infância e fizeste-me viajar pela minha segunda viagem sem viajar. Este blog começa a ser real.

PS – Esta era a música dos Kelly Family que tocava: https://www.youtube.com/watch?v=1viSfRzI8to
Os gostos podem ser discutíveis. As lembranças não! São como o que está para lá da montanha: uma projecção nossa!

Ano Novo

Ano NovoSol, mar e alegria. Peles morenas. Pensamentos vazios. Noites mal dormidas. Luares a nascerem entre festas de arromba e músicas do Henrique Iglesias e DJ Snake. Bailando.

Assim é o agosto. O agosto que hoje termina e põe à prova todos os que um dia leram o texto da Sumol e pensaram se estavam ou não na idade do chinelo, se desejavam ou não dizer-lhe “não te falo” quando ela chegasse. Se ficavam todos nervosinhos se não trocassem de carro de 4 em 4 anos. Este é o mês que afoga as preocupações em mares revoltos e deixa a alegria à tona como uma bóia de menino em uma tarde de piscina. É o mês em que se trocam as mesas de restaurantes com toalhetes brancos de papel pelas beiras de piscina e relvados ao lado da churrasqueira. É o mês onde se estoura mais dinheiro e se diz: Eu mereço!

Setembro é o mês onde se olha para a carteira e se diz: foda-se, não devia ter gasto tanto. Onde aparece o sol entre as nuvens e se pega nas toalhas e vamos à praia. Mas já não é igual. É mais morno, mesmo que o sol queime mais. É uma tarde de praia, não é um mês de praia. Custa. Faz sofrer. Leva a partilhar fotos nas redes sociais a dizer “volta, verão”. Mas também é o mês onde os meus pais fazem anos de casados, o meu pai celebra mais um aniversário, vários amigos meus fazem anos e um amigo e uma amiga até se vão casar. Setembro é o mês que desejamos que ele seja.

Não pomos o corpo ao sol tantas vezes, não gastamos tanto dinheiro em especiarias da vida que nos fazem sentir mais felizes, mas é um mês. E um mês que merece ser vivido. Um mês que nos diz que, depois dele, já só faltam 11 meses para o próximo agosto. E que pelo meio vai meter outono, inverno e primavera. É um mês onde começa o ano. E ai de quem diga que é em janeiro. Setembro é o começo do ano. Do novo ano.

Até com mortes consegue complicar!

cavaco silva, associativismo, política, recriar

Primeiramente, referir que excepcionalmente concordava com o senhor António Borges, mas não era por isso que não lhe reconhecia mérito no percurso ou que festejei a sua morte. Aliás, por muito desesperados que estejamos, não me parece de salutar a morte de quem quer que seja. Podia ser um idiota em muitas das suas intervenções, que era, mas isso não faz dele um assassino, ou genocida, que merecesse morrer. Tenham atenção, a crise não desculpa tudo.

Quanto ao restante, que é o mesmo que dizer este texto, as minhas palavras vão para o prezadíssimo Cavaco, que, como é seu apanágio, fez borrada. E da grossa.

O excelentíssimo PR estava a gozar as suas férias enquanto o país ardia, mas quanto a isso nada, não seria mesmo ele que apagaria os fogos, agora não interromper as suas férias em cinco minutos, para no computador redigir umas condolências a bombeiros que, honrosamente, perderam a vida na luta por um país que ele, apesar de presidente, tantas vezes esquece, já se evidenciou mau. Pior do que isso, ele nem precisava de ir para o computador, com uma simples chamada um dos assessores o faria, pois, a bem da verdade, custa-me a crer que ele escreva o que quer que seja para o país, está demasiado ocupado a adormecer sobre ele para fazê-lo. No entanto, ele não é senhor de se ficar e, claro, tinha que complicar, e fragilizar, a sua posição. Fez essa tal pausa para dar as condolências ao senhor António Borges. Não estou contra a segunda posição, a das condolências, abomino é a primeira. Acrescendo que não percebo o dinheiro que se despende em assessoria, pois a dele há-de ser a pior de sempre. Ou ignora os que o apoiam e só faz borrada sozinho; ou os que o assessoram são do pior que já existiu.

Na hora da morte, não há políticos, formados, ou cidadãos de elite, há vidas humanas, há pessoas, há famílias. Esta disparidade de tratamentos demonstra bem o perfil de inaptidão do nosso presidente, que coloca as suas disposições pessoas acima das do país, conforme já tinha deixado claro na Colômbia, numa feira do livro dedicada a Portugal, quando ‘esqueceu’ o José Saramago no discurso. Enfim, um país não é um presidente e um presidente não é um país. Valha-nos isso!

Ral
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Algarve é Mundo!

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Este ano, não gozei mais do que uma semana de férias seguida. Foi às pinguinhas, como intervalos entre gotas de chuva, mas soube sempre bem. E é o que interessa e o que fica.

Ainda em Maio viajei por Paris, conheci a cidade do romance e humedeci o meu coração, indo, também, às zonas onde amigos labutam pelo futuro. Espreitei, além disso, a imensidão dos Alpes e de Genebra. No final de Julho desci ao Algarve, regressei, e na semana passada voltei a descer. O sol é bom, as pessoas maravilhosas pelo seu sorriso de Verão. As peles estão escaldadas e o país não parece tão mau assim, esquece-se, inclusive, em que país estamos. No Algarve, em Agosto, somos cidadãos do mundo e não só de Portugal. O espanhol mistura-se no português como se tivesse algo de mirandês nele, o francês ouve-se como se todos fossem emigrantes, o inglês surge nas ementas antes mesmo do português. O Algarve não é Portugal, é mundo.

A praia é dos maiores prazeres que tenho na vida. Aliás, ponderei escrever o maior, mas cometeria injustiça para tantos outros. Assim, é um dos grandes, pronto. Um daqueles que vivo nove meses a pensar no seu regresso. Mergulhar é como uma ressurreição, como se a cada vez que a minha cabeça emerge na água uma nova parte de mim nascesse. Uma parte melhor, diga-se; uma parte rejuvenescida, de ideias novas e melhoradas, de vontades acesas.

Agora é momento de regressar, de voltar a alinhar as vontades com as necessidades, e os quereres com as obrigações. Mas conhecendo mundo é mais rápido de acalmar. O nosso, curiosamente, deixa de parecer tão pequeno. Quanto mais mundo conhecemos, mais percebemos que o nosso é grande. Os que disserem o contrário são tontos e viverão sempre pequenos. Eu não. Serei sempre miúdo, mas a cada novo pedaço de mundo que conheça encontrarei mais mundo no meu mundo. E se Paris, Genebra, Alpes e centro de França são mundo, garanto-vos que o Algarve também é mundo. É um mundo dentro do nosso mundo.

Ral
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O Verão que há

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Depois de um Abril, um Maio e um Junho de chuvas,
Chega um Verão a ferver,
Para conversas múltiplas ou unas,
Em esplanadas que nos enchem de prazer.

Amigos são como um sinónimo,
São como uma casta,
Fazem com que na vida não sejamos um anónimo;
Fazem com que irradiemos felicidade, mesmo sem pasta.

O país está mal,
As oportunidades escasseiam,
Mas eu lá me mantenho pelo Sobral,
Agarrado aos amigos que por cá jornadeiam.

Uns deixam saudades, os que estão longe,
Contudo, eu sei que não esquecidos.
Estejam em Luanda, em Le Blanc, em Argenton, em Londres ou em Limoges,
Por cá são sempre lembrados.

Agora, com o sol no céu posto,
Já me encho de vontade de mergulhar,
Pois o tempo já lembra Agosto
E esta é a estação de aproveitar.

As férias hão-de chegar, suadas e merecidas,
Como uma recompensa do dinheiro que não vem,
Que não aparece,
Mas que a gente não esquece.

Ral

Paris, je t’aime!

DSC00605Como alguns sabem, outros nem por isso, na semana passada estive de férias por França. Pela cumplicidade que possuo com alguns amigos, que fazem vida em França, foi o destino que escolhi. Comecei em Paris.

Paris é a cidade luz, um marco no romantismo. Assim, não resisti a escrever um pequenino texto sobre uma cidade que só agora conheci. Já havia visitado França, na plenitude dos seus imensos verdes e amarelos, no peso da sua história alemã maldita, mas só desta vez visitei a capital, o capitólio do imaginário.

Paris é inconfundível, é homogénea. Parece-me, sempre, uma cidade pensada em cada detalhe. Aliás, é uma cidade pensada em cada detalhe. Não existe uma incongruência arquitectónica. Subam pelos jardins do Louvre até à Concórdia, a avistar os Champs Élysées, ou profundem-se por uma qualquer rua perdida na imensidão de multiculturalidade e encontrarão sempre rendilhados nos edifícios, semelhanças entre todos. A torre ergue-se como o seu marco, mas está longe de ser. A cidade vale por cada passeio que se dá na margem do Sena, por cada ponte atravessada, com ou sem cadeados de amor, não obstante do farol que o Eiffel lá criou. A torre é bonita e mítica, principalmente a iluminar-se, contudo o que a diferencia é a luz que emana para toda a cidade. Seja noite ou dia. É o nosso poder de nos situarmos, de qualquer canto, no avião ou em Notre Dame, ela vê-se sempre. Cá estamos a norte ou a sul do centro, lá estamos a norte ou a sul da torre. O Louvre é o exponente, é o mergulho na cultura. Da cultura árabe à romana, está tudo quanto foi pilhado. Subir à Basílica de Sacré Coeur, é atravessar a lascívia do Moulin Rouge e, depois, a cumplicidade romântica de Montmartre. Nesse bairro, ladeado de pequenos barzinhos, replicados da nossa imaginação romântica da cidade, vêem-se cantores de rua, que sentados em esplanadas, bem ao nosso lado, nos brindam com vozes que incrivelmente o mundo ainda não descobriu. Lá em cima, somos pequenos. Paris desenha-se, entre pilhas de casas vestidas de gala, a remeter-nos para uma pequenez que é tão apaixonante, tão viciante. Paris, ali, naquele cume, é a prova que o romantismo, o prazer imenso da cidade, não é mentiroso. São senhoras dos sessenta a divertirem-se com ritmos africanos, são guineenses a dar toques com uma bola, ao cimo de um poste, que nos fazem sentir ridículos de tão admirados que estamos, são grupos de jovens a enfrascar água, sumo ou vinho, numa convivência que nos enriquece e são todos chineses. Os portugueses, os brasileiros, os americanos, os coreanos, os espanhóis, mesmo os franceses, são todos chineses. Ninguém resiste a disparar, sem fim, a máquina fotográfica. O local, o momento, é belo de mais para não ser registado para a posteridade. A beleza, a imagem quase platónica, jamais a esqueceremos, mas a necessidade de a partilharmos, de a tornarmos mais tangível, não nos permite guardar a máquina. Disparar e disparar, sempre sem parar.

Por fim, confesso, não sei se lá viveria. Desde logo, os tostões que conto no bolso não me permitem alargar-me na imaginação de uma pequena casa claustra, no centro do mundo imaginário, com cafés de novela no rés-do-chão, o movimento de pessoas do mundo na rua. Além do mais, o trânsito não é somente congestionado, é bruto. Não interessa quem tem a prioridade, o código faz-se pela urgência e ânsia de cada um. Os taxistas são, no fundo, pilotos prontos a competir em qualquer rally. É assustador. Ainda assim, e ponderando melhor, com uma casa no fulcro do batimento poético da europa, conseguiria resistir?

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Semanas cortadas

feriado, sol a entrar, cama, deitadoQuem não gosta? É um feriado, assim, a irromper pelo meio de uma semana que iria ser de trabalho. Eu gosto, claro. Sinto-me esfusiante a pensar em coisas para fazer, em horas para dormir.

Ando mesmo a precisar de me deixar ficar pela cama, a ser abafado pelos lençóis, a largar o sol escondido atrás do estore. Idealizo uma carrada de coisas e, depois, quem sofre são as horas de sono, o tempo na cama. No entanto, que se lixe. Como diz o outro, quando formos, vamos deitados. Deitados, o que não faltará é tempo para descansar!

Por tudo isto, sabe mesmo bem um feriado. Um feriado que é o segundo em quinze dias e que antecipa as minhas férias, que começam no fim-de-semana. Estou, em suma, meio apaixonado pela vida, com estas benesses que ela me está a conceder. Finalmente, conhecerei a cidade luz e, talvez, passeie pelo imaginário das montanhas altas que preservam a neve o ano todo. Não sei, isso serão os dias das férias a sussurrar-me. Até lá, espero e imagino.

Por ora, já estou a viajar no dia de amanhã a demorar-se na cama. A seguir para um cafezinho deleitoso, a ver um jogo de basquete, a jogar uma partida de futebol e a puxar o ar para os dias que faltam para as férias. Maravilha!

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