Olhar o mar, apreciá-lo e… Fazer ou pensar?

Mar - pensar ou fazer

É uma pergunta que me assola muitas vezes. Nós somos o que fazemos, não o que pensamos. Mas se fazemos sem pensar, também não estaremos a ser demasiado vazios?

É complicado, isto de ser existencial. Viver para experimentar. Pensar para compreender. Tudo está agarrado a algo, como se vida fosse um ventríloquo. Os braços do pensamento dão voz à existência. E ela acontece fora do nosso alcance. Desprevenida, descontraída e impossível de prever. Como tem que ser.
Mas, depois, porra. Não basta ser. É preciso parecer. Fazer!

Mais do que ser, fazer. Porque o fazer é que nos faz ser. A prova disso? Pensei muito em mergulhar, mas só depois de mergulhar me senti livre. Molhado. Feliz. A viver.

O pensamento é um subterfúgio do não fazer. Pára. Estanca. Pensa. E, se pensas, não fazes. Portanto, fazer sem pensar não é o ideal. Mas é melhor que não fazer. Dá aprendizagem, crescimento. Faz pensar. E o bom do fazer é isso:

Permite pensar com conteúdo.

Portanto, mergulhei. E, depois, pensei: está fria. Se tivesse pensado antes, o frio já me estaria a alarmar antes de o sentir. E o que pensamos antes de sentir não é accionável. Não é controlável. É só dor.

E o frio depois do mergulho foi, afinal, o alívio do calor. Tão bom.

#MaisUmaViagemSemViajar

O futuro faz-se de agora

O futuro faz-se do agora

Não, não quero senti-lo. Quero parar. Estagnar a minha vida neste exacto ponto em que me encontro.

Sinto a areia movediça a arreganhar-me os pés, a rachar por entre os muros que criei com o passado. Quando cheguei a este ponto, quis olvidar o obsoleto, deixá-lo desmemoriado numa vala da minha vida. Quis largá-lo porque achei que futuro algum o aceitaria. Para olhar o futuro, necessitamos pousar o passado, largá-lo, se possível, acorrentá-lo a um poste de estrada ou abandoná-lo num ermo, para podermos prosseguir o caminho.

Eu amarrei o meu passado. Deixei-o preso nas lamúrias do que queria para o futuro e não via no presente. Segui, segui sempre, até chegar a esta praia. Agora, abracei-o, tenho aqui entre os meus braços, como um feto da pessoa que sou. Sinto a areia movediça, o ar incerto da escolha difícil. Mas o viajante, o que quanto mais viajava mais queria viajar, percebeu que só encontrou a felicidade quando a abraçou. E o abraço não se dá em viagem; dá-se parado. E eu estou a abraçar a pessoa que sou, a que fui, para encarar a que serei. A viagem é boa, mas a paragem também. Eu parei. Estou na praia e vou mergulhar no presente, atirar-me de cabeça nas algas do agora, para quando respirar, olhar à volta da tona onde cheguei, perceber que o futuro se fez de agora. Faz-se sempre de agora.

Coisas da vida

A vida tem com cada capricho. Por vezes, acreditamos que estamos no rumo certo, que somos felizes, que nos esforçamos, que as coisas vão acontecendo e isto e aquilo, mas, depois, num ápice tão veloz como uma rajada de vento no paredão da praia, percebemos que não. Que muitas coisas estavam a ser feitas de maneira leviana, outras mesmo mal e algumas só iam andando, percorrendo caminhos tranquilos, muito aquém de onde podemos ir.

Errar nunca é bom, não pode. Pode é servir de mote à vontade de trabalhar. E eu já percebi que só posso ser melhor, quando nada sei, quando me coloco em constante dúvida. E do que estava a falar? Já não sei. Que melhores dias ainda venham.

Vaidade

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Não é um pecado capital,
Mas não é por isso que deixa ser visto como algo de mal.
Pessoalmente, assim não vejo,
Creio que a nossa auto-estima usa esse apetrecho.

A necessidade de estar bem é saudável.
No entanto, também pode deixar permeável.
É necessário dosear,
Saber estimar sem exagerar.

O exagero, como palavra e significado,
Logo mostra que nos há-de deixar prejudicado.
É preciso vaidade, claro,
Mas não podemos temer cada reparo.

A dose certa é individual,
A um fica bem, a outro menos mal.
Cada qual é cada qual
E não vale a pena tentar fazer igual.

Devemos olhar-nos no espelho e gostar
Mas sem o exagero de só lá estar.
Sermos quem gostamos é felicidade,
Mas sermos o que as regras mandam é precariedade.

A senilidade das modas tísicas, delgadas,
Deixa algumas mulheres enganadas.
A beleza não é de cifrão ou televisão,
É muito mais de inteligência e paixão.

É preciso ser vaidoso, mas não somente na roupa,
Ou será sempre coisa pouca.
Vaidade, naturalmente,
Logo que seja energicamente.

Vaidade no saber, no conhecer,
No aprender e no fazer,
É o que deve acontecer!

Ral
http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

Existe a fórmula da felicidade?

felicidade, sorriso, vida, arriscar, sonharFaz-me confusão a aglutinação de rácios com denominadores e divisores e etc. A felicidade não se calcula, não se formula em caminhos predestinados. Acontece, não por sabermos que ali ela existirá, somente porque fomos. E quando vamos, o risco da felicidade aumenta.

A felicidade não vem das decisões calculadas e ponderadas, vem simplesmente das decisões. Quando decidimos ir, estamos próximos de ser felizes. Não interessa se à partida era a melhor escolha ou não, interessa que fomos; que vivemos. E isso é a felicidade: a certeza que vivemos, que fomos. Que repetimos o viver e o ir, vezes sem fim, sempre e sempre. Essas são as palavras-chave, as que aveludam a existência, as que fornecem tecido ao traje dos anos a passarem. As que nos dão a certeza que a felicidade não é somente o contrário da infelicidade, que é também o périplo dos anos que nos movem a biografia.

Começo a cansar-me de ponderar os caminhos mais certos, as atitudes menos arrojadas, por muito que não seja muito apático. Já arrisco, já me exponho à sensação viciante de roçar o ridículo e acabar abraçado ao prazer de ter feito. Porém, cada vez quero mais. Diz-se, por aqui e ali, que o passar dos anos traz o abrandar dos sonhos. Eu, não sei se estupidamente ou não, não concordo. Continuo a ser um menino, um menino de vinte e cinco anos, mas que também já teve dezasseis, e que por essa altura era bem diferente. Hoje, com os tais vinte e cinco, sonho muito mais que com os dezasseis. Aprendi que para sonhar é preciso conhecer e saber. Por essa altura estudava, hoje não o faço nos moldes do ensino curricular, mas sou muito mais estudioso do que o que alguma vez fui. A característica que mais despertei, com o passar dos anos, foi a curiosidade, a sagacidade de ir atrás do que está no virar da esquina. E percebi, para minha felicidade, que a curiosidade é prima do sonho.

Eu sonho, penso que posso ir além dos que passos que até agora dei. Mas sonho de maneira curiosa, sem abstractos. Sonho e procuro saber mais. Sonhos e ambições não são o mesmo; prova disso é que eu sonho para ter ambições. Sem grandes cálculos, arrisco ir atrás delas. E no fim sou feliz. Interessa calcular alguma coisa? Sempre tive negativa na matemática, mas excelentes notas na escola da vida.

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Somos melhores

melhores, bons, portugueses, povo, paísÉ benigno saber amar. Saber amar as substâncias, saber amar as pessoas, saber amar a vida. Afinal, amar é tudo o que de mais nos vale. É tudo o que nos move arriba da alma acima.

Temos um descontrolo, natural, sobre as expectativas, sobre a própria existência. Iludimos mundos em pequenos riachos, ou, em outros casos, desprezamos Niágaras pela precipitação forte das águas. Possuímos um pavor descomedido, pelas coisas que desconhecemos, pelos terrenos que não pisámos. Que não foram pisados por ninguém. Não é um absolutismo, contudo é uma parte grande, usual.

Por outro lado, somos um país, um povo, que sabe amar. Tem jeito para amover a cabeça, deixando o coração conduzir, seguindo os pulses de palpitações. Somos um desmesurado de optimismo, por muito que nos façam desenhados de escuro. Acreditamos mais que o que podemos imaginar, quem sabe acreditar. Percebem? Acreditamos mais que o que acreditamos. No fundo, é isso, vamos além do que esperamos. Desafiamos o que achávamos possível. Vemos luz na fundura da escuridão, percebemos o crepito do bom, quando a maioria só ouve o rugido do mau.

Somos melhores, muito melhores, do que imaginamos ser. Do que nos deixam crer.