Desabafos

Desabafos

Fico triste aqui com algumas coisas. Tudo é política. Ao começo, fiquei indignado com aquilo do José Rodrigues dos Santos, porque não se faz e porque, pela pouca estima que tenho ao profissional, acreditei que podia ser uma piada de mau gosto. Continuo sem saber se é ou não, percebo é que, cada vez mais, é uma questão política. O apoio aos animais é político. Os livros, a música e os autores são políticos. Tudo é político. Porque, dizem, é o fundamental da vida humana. Mas eu acho isso estranho: tenho um coração à esquerda, como todos, mas penso um bocadinho mais à direita. Mas pensar e sentir são coisas diferentes. E gosto de vivê-las de maneira diferente. Contudo, percebi que isso não é possível. No Facebook, ou somos adeptos de futebol ou somos políticos. Se não formos nada disso, sobram-nos as fotos à noite. 

Portanto, estou tramado, que tenho um bocadinho de tudo por lá. Talvez seja esquizofrénico, ou talvez goste de saber sobre o máximo de coisas que me seja possível sem, obrigatoriamente, misturá-las. Ou, mais ainda, talvez seja um louco de acreditar que as pessoas se definem por aquilo que são e fazem, não por aquilo que defendem. Ou compreendem.

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Desafios e desejos.

facebook marketing

Com tantas e tão boas coisas que me têm acontecido, nem sempre consigo falar sobre tudo. Vivo numa névoa que me rouba tempo, mas me atrai felicidade. Sem nunca ser plena, pois no dia que assim for, cheia como um balão sem espaço para mais ar, pouco cá andarei a fazer. Sou feliz com o que conquisto, revoltado com o que perco e assombrado com o que procuro. Sou assim. Simples, igual a tantos outros, mas depois tão complicado como qualquer pessoa que pensa pela sua cabeça e cria as suas próprias sentenças.

Penitencio-me dos erros que já cometi e não me digam para não fazê-lo. Só assim, assumindo o meu erro com a inabalável certeza de que perdi, posso achar apetrechos que me iludam – e movam, claro está – na procura dos seguintes. Tento que seja assim, mas nem sempre foi, conforme referia na entrevista que de manhã aqui deixei disponível, no mural. Quero evoluir, mas meditar no passado. Gosto de dar o passo para a frente, ciente que mereço o pouso que agora tenho e que antes fora mais diminuto. Não é complicado. Traduz-se assim: quero sempre mais, aprendendo com o que está para trás.

Nesse sentido, do querer mais e rodear-me de pessoas que se apaixonam pelo que fazem ou fazem o que as apaixona, envolvi-me em mais um projecto. Não sou copywriter nem consultor de marketing ou marketing digital, sou um amigo que, de repente e de quando em quando, lima arestas de uma empresa que começa a elevar-se com a destreza de quem quer dominar o seu mercado. Não quer dominá-lo pela força ou poderio, quer dominá-lo pela verdade e paixão e empenho.

É com orgulho que vos digo que vou colaborando, humilde e trabalhosamente, com uma empresa que se destaca na sua especialização de Facebook Marketing, mas também na sua vertente humana e dedicada aos negócios.
Após referir essa colaboração na entrevista, que está disponível para quem desejar escutar o meu desajeito em manter a calma, falando e falando, deixo aqui os links para a empresa que me encantou e encanta. Não sou funcionário, sou amigo. E isso é que faz diferença e me permite publicá-la aqui, desassombrado e seguro de que não é publicidade. É reconhecimento. Parabéns, Ricardo Branco!

MDigital, decorem o nome.

http://www.mdigital.pt/
https://www.facebook.com/mdigitalagency?fref=ts

Aproveitar o que me resta (12/12/12 e Facebook)

12-12-12, facebook, fim do mundo, superstição, 21-12-12, acabar, vidaEste post veste-se, essencialmente, de desabafo. Um corriqueiro e tenebroso desabafo.

Passei todas as horas da manhã, em que visitei o facebook, avassalado pelos comentários e publicações em que se referia a data de hoje, em que se apontava uma hora exacta. 12/12/12 às 12h12. Uau, que arrepio. E o 11/11/11 às 11h11, porque não foi devidamente falado? Se aí era uma capicua, porque diabo se lembraram de apontar este ano como o fim? Ok, admito a benevolência de não darem a certeza do dia de hoje, de dizerem que, quem sabe, poder acabar só lá para dia 21. Mais uns dias para umas maluqueiras, mas que não oferecem tempo para receber as meias e os pijamas, que o natal doutrina.

Sendo sincero, ri-me das evidências – tão evidentes, como a inocência do prezado Vale e Azevedo.

No entanto, a fatia de tarde, vivida até agora, ofereceu-me um revés. Aglutinei-me a um vira-vento. O facebook, ou o Mark, sabem perfeitamente que poucas são as pessoas que passam um dia sem visitar o seu perfil, sem espreitar as suas notificações, correcto? Então, qual o motivo de já hoje oferecem um ano em revista? Estarão também eles com receio, quem sabe certeza, que hoje termine?

Creio que vou já fazer o meu ano em revista e sair a correr do trabalho, para aproveitar o que me resta de vida. Raio de sorte a minha, logo agora que as coisas me corriam bem.

Para encomenda de livros, sem portes: ricardoalopes.lopes@gmail.com

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Negócio da China português

Por esta altura, de sacrifícios, um negócio que granjeie rendimento é um apontamento de rumo. Qualquer trocadito é bem-vindo.

Cada vez mais, é difícil manter as empresas com solidez, assegurando o seu bom funcionamento e as garantias para os seus funcionários. São dores de cabeça a toda hora, não é possível remendar caminhos, ou criar distracções. A aspiração de ser patrão, de ter o negócio próprio, dilui-se na efervescência de uma conjuntura com parcas comparações, de tão má que está. Os que já o eram, não estão dispostos a recolher-se. É uma realidade dura e estafante, que, no entanto, não os faz desistir. Flamejam-se na procura de soluções, de créditos, que permitam injectar o capital que lhes conceba voltar a acreditar, que lhes permita procurar novos mercados. Porém, os mercados estão retraídos – não só pela imagem de Portugal, como nos querem fazer parecer, essencialmente por também eles estarem em crise.

Por outro lado, existem o Brasil e a China em clara ascensão. A China a plantar lojas pelo mundo, a fabricar ao preço da chuva; o Brasil a acolher os maiores eventos mundiais do desporto, a virar o fascínio das praias para os imponentes escritórios de São Paulo. É para lá que todos querem vender; é para lá que os menos afortunados querem ir.

No entanto, sem chineses ou brasileiros, brota em Portugal um negócio da China. A matança de duas agruras: o afastamento do sonho de ser patrão; o desemprego. Os portugueses padecem de inúmeros defeitos, como todos gostamos de reatear a miúde, no entanto jamais a passividade será um deles. Desenrasque é o nosso nome do meio. Assim, com essa intrepidez que nos caracteriza, desfloramos para a realidade dos serviços. Para as empresas ao estilo one man show. O facto de elas assim começarem – só com um -, não certifica que seja assim que elas acabam. Podem crescer, acredita-se que cresçam.

As aplicações móveis, a criação de bijuterias caseiras, de pastelaria artística, de cadernos personalizados, são apenas alguns exemplos. Os investimentos são diminutos e a entrega de valor ao cliente é aliciante.

Portugal descobriu o seu negócio da China: exclusividade! E está de parabéns, oh se está!

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O início do namoro…

O amor, usualmente, ergue-se assarapantado, de uns divertimentos que aos poucos se vão incendiando. Os encontros começam a acontecer mais a miúde, já que foi naquele bar que se viram a primeira vez, é aquele bar que os dois retornam. Expectantes de um reencontro, afoitos de um novo cruzar de olhar, de mais uma brincadeira apimentada.

A busca do outro nos chats e facebook começa a ser perseverante; as artimanhas para chegar ao número de telemóvel são a preocupação primordial; a procura da primeira indulgência, para expedir mensagem, é uma indecisão escarpada; a contenda por arquitectar mais uma questão, que estique a conversa, é o supremo desafio; a batalha por uma frase mais divertida, que desponte sorrisos e felicidade, é o centro da questão. E pum, fez-se a vizinhança. Entranhou-se o desejo.

Depois inicia-se o abrasamento, aquele calor bruto que bombeia sangue com chama, que arde a passar nas veias, que afogueia o corpo todo à espera do beijo. Aquele éden, em que as línguas se tocam, se embrulham em movimentos circulares e carnais. Aquele momento que as mãos se deslizam pelos contornos do corpo. A primeira vez que se sente um fio de pele, que se toca uma textura aveludada e se torna a frivolidade mais real, mais palpável, mais desejável. As mensagens começam a acalorar, já confinam o sexo, já expelem o desejo, já empolam a lascívia. A reticência feminina no início; o instinto matador masculino sempre. Tudo à procura do bom-porto que os leve à cama, ao amor estratificado em harmonias de sensualidade. Que distenda no tempo aquela paixão, que é a maior de todas.

A primária ida ao cinema, a escolha do filme demorado, que não ficará na história, que não se recorda o enredo, mas que jamais se esquece a mão dada; as pipocas atiradas para a boca; os beijos longos no escuro; as mãos de homem marotas a procurarem o fetiche do cinema; as mãos femininas a empurrarem e a sorrirem com marotice. “És tão atrevido!”.  A seguir vem a estreia no jantar, a escolha, pelo homem, de um prato que impressione – mas que raramente é acertada. A investigação de uma vista para o mar na vidraça, de uma decoração retro ou mesmo moderna, de uma ementa cuidada com design, e uma comida voluptuosa no prato. Está feito o clímax.

Chega o sexo, a união ancestral dos corpos. A extensão do homem para dentro da mulher, o toque da mulher no peito do homem, na feição das costas, o arranhar já descontrolado. Os movimentos contínuos e acelerados, completamente loucos pela estreita. Os gemidos fortes, daquela velocidade vertiginosa; daquela sensação de que se esperou toda a vida por aquele ápice. Apressa-se cada vez mais, o homem aperta-se na procura de prolongar, de retardar. Quer mais e mais daquele calor tão bom. A mulher repara nos detalhes apenas quanto baste, aquela quentura, que vem de dentro, superioriza tudo. Os vidros do carro todos embaciados, as respirações ofegantes, os corpos arquejados. A explosão de loucura, os gritos destemidos, as peles suadas. Os abraços nus, os toques pelas linhas do peito, pelo volume das coxas, pelo amanteigado da barriga, pelo doce do ventre. Os beijos vagarosos e sorridentes, cúmplices, carinhosos e, cada vez mais, apaixonados.

Daí avante, já se enceta o amor na cama – a toda hora. O idolatrar do melhor corpo já visto, o deleitamento fervido do melhor amor já feito. Aparece a perfeição. Os aconchegos nocturnos começam a prolongar-se. Primeiro, até às 5 ou 6 da manhã, depois até às 7 e, de repente, já se fica até ao meio-dia. Já se toma banho e já se almoça.

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Rosto da Verdade

Joguinhos de sedução, enredos de conquista, palavras de proveito, criam o emaranhado de folias da vida estouvada, da dita curtição.

A loucura do sistema bem bebido, a dislexia dos movimentos, a turve da visão, o esconderijo das luzes baixas, os movimentos libidinosos dos corpos, as músicas de batida assertiva, a multiplicação dos copos de whisky, a soma dos de gin, vão fazendo o furor dos egos. O elogio, a palavra aprazível, torna-se a nota dominante de cada abordagem, das fugacidades de uma noite que se prolonga até o sol raiar. Vivemos anestesiados pela doce sensação de conquista, pelo acréscimo de auto-estima que a dormência de uma noite agitada em nós provoca.

Os dias são divididos pelo pagamento das horas que o corpo fica a dever à cama, pelas mensagens, via sms e facebook, que vão dando um prolongamento à loucura noctívaga, as fotos mais tarde irão asseverar que não temos a lembrança minuciada de cada pormenor que fez o furor daqueles badalados ensejos, os comentários ofensivos serão as brincadeiras a que nos vemos obrigados a aceitar. São os nossos loucos anos.

Repentinamente, com o sol a iluminar o nosso dia, com a clareza dos pensamentos lavados: um rosto de traços delicados; um cabelo longo entrelaçado entre si; um sorriso com um brilho difícil de descrever; um olhar enternecedor, pacífico; umas palavras de timbre doce, deleitoso; uma mulher incrível.

O nosso mundo está abalado, o amor entranha-se em cada pensamento, em cada movimento ou gesto de uma banalidade até ali desconhecida, os anseios de imprudência ganham contornos de indiferença, a determinação de viver a loucura da vida metamorficamente vira-se para um único ser, para um único olhar, cabelo, sorriso e rosto… rosto da verdade! Não é um rosto que emana a sua beleza de um desejo de descompromisso, é um rosto que nos espelha, um rosto puro e de contornos reais, sem imaginação bêbeda.

As cicatrizes de um coração trancado, de pessoas de índole mais dúbia, não nos deixam ver além de palavras, de desconfianças. O hábito dos elogios prazenteiros, não nos deixa perceber as falas de aviso, de demonstração de trilho de futuro. Existem mágoas de um dia termos magoado e termos sido magoados, existem receios de não ser o momento, existem resquícios de uma certeza forte: sozinhos é que é o nosso caminho.

Afinal onde estão os elogios?

Eles agora não surgem no momento exacto, não os podemos adivinhar. No momento que os ansiamos chegam as palavras mais duras, as advertências necessárias, no momento que não os aguardamos eles atacam-nos com a força que nos derruba as pernas, que nos faz o coração saltitar, que nos provoca um sufoco da respiração e um frio ameno que se propaga de extremidade a extremidade.

Este rosto, não é o que entra em joguinhos, o que se deixa entorpecer pelos desvairos de uma vida amontoada de diversão, é o rosto do amor, o rosto que não nos diz as coisas na hora que as esperamos ouvir, diz na hora que as merecemos ouvir… é o rosto da verdade!

Estados de espírito, ou do que quiserem chamar, nas redes sociais!

Ajuda-te!!!

Quem já não passou horas, quando digo horas, digo mesmo horas, a ver perfis sem critério, sem rumo, sem objectivo… apenas porque vê? A pensar: “Que inveja!”.

Esse pensamento irritante, porém inevitável e instintivo, vem de perfis com dez álbuns de diferentes cidades do mundo, vem de fotos trabalhadas no Photoshop e comentadas por montes, vales e montanhas de pessoas.

Sabem porque surgem esses pensamentos pecaminosos de inveja?

A resposta é fácil, se disponibilizamos/desperdiçamos horas a ver perfis, se o sol está raiado ou a noite a brilhar e estamos a ver uma foto daquela pessoa em Nova Iorque ou Londres é porque estamos a ter um dia – deixem-me encontrar uma forma meiga de dizer isto… já sei – HORRíVEL. Um domingo sem programa, um intervalo no estudo ou trabalho, uma noite em que todos nos falharam. É nesses momentos que vemos os “perfis de sonho”. Não ponho em causa a veracidade dessas fotos, ao contrário da minha de perfil, mas chamo a isso uma realidade irreal. Vemos a vida das pessoas, mas condicionados ao momento solitário que é viajar no facebook, twitter ou até num qualquer blog como este. “Cabrão, sempre a viajar!”, “O que será que ele faz? Parece que está sempre de férias!”, “Este é cheio dele, é só viajar e roupas de cenário!”

Por outro lado, existem sempre momentos que estamos a viajar pelos perfis de forma amena, mais á procura de entretenimento do que viagens mentais, os intervalos entre um café e outro, entre uma saída á tarde e uma saída á noite. Aqui apreciamos, ignoramos e elevamos o nosso ego. Sentimo-nos donos e senhores do estilo ou estilho, dependendo dos regionalismos. “ Olha que moderno que eu sou com uma foto de perfil em Nova Iorque!”, “Até se espumam com estas fotos na noite, em Espanha!”, “Uh, estou mesmo gato. Até vou por gosto na minha foto!”.

Existem também os momentos, que um dia foram de jogos da bola, que os amigos em volta de um computador, seja ele portátil, ou traduzido num Ipad, se unem para criticar. “Ajuuudddaaa-ttteee!!!”, “Rais venha que ta f(…) mais essas fotos! ”, “Olha este armado em modelo… Caaaa crooommoo!”. Nesses momentos, com as costas quentes, somos os maiores! Até que, ups um de nós postou uma foto como a que gozamos: “Oh, nem está assim tão mal. O outro é que era um cromo e ficou mal!”.

Depois existe também aquele Facebook que dá para ouvir boas músicas, descobrir bons vídeos, combinar jantares com os amigos e encontrar pessoas que não tínhamos notícias desde que a nossa memoria permite alcançar. Existe também um Twitter para seguir opinion makers e o WordPress ou Blogspot para se lerem bons textos ou apreciar-se enormes fotógrafos.

Já agora, sabem o que é o mais parvo de tudo isto que eu critiquei?

A minha foto de perfil é em Nova Iorque (que trabalho fraquinho, fraquinho, fraquinho!!), tenho dois álbuns com fotos na noite em Espanha, tenho muitos amigos e só não tenho gosto numa foto minha. Ups!