Não juntes dinheiro

não juntes dinheiro

Bayona, Espanha

Junta amigos, uma praia e uma cidade desconhecida. Traz à memória histórias de infância, adolescência e cria novas. Vive.

Faz felizes os de quem gostas e sê feliz. Muito feliz. A felicidade é paz. Saber que foste, saber que viveste. Acontecer. Não importa se é bom, se é mau ou desenxabido. Importa é que tenha acontecido. Que o mar tenha beijado a costa. Que a garrafa tenha sido esvaziada e que a vida tenha acontecido. A vida acontecer é ser feliz.

E o dinheiro não paga isso. Mesmo que faça falta para outras coisas.

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Portugal a arder

mourinho, ronaldo, pepe, portugueses, confusãoHoje de manhã, no JN, vi uma notícia que anunciava que Mourinho acusava Ronaldo de pensar que sabia tudo e Pepe de ter estado praticamente fora do Real.

No interior, Mourinho referia que Ronaldo achava que sabia tudo, mas que fez três épocas fabulosas no tempo que ele estava lá. Enquanto Pepe, no entender dele, não era apreciado como o jogador fantástico que era, por isso lutou para que ele fosse mais respeitado, no entanto teve uma lesão prolongada e apareceu o Varane, doze anos mais jovem, e ele sentiu que era momento de fazer a transição. O Pepe não foi capaz de compreendê-lo e, logo, os que acusavam Pepe de ser um assassino, que eram os mesmos que o queriam de lá para fora, saíram em defesa dele, criticando o Mourinho. O que no entender do treinador é um reconhecimento do seu trabalho, pois os ódios devem ser puxados para o treinador, de maneira aos jogadores terem liberdade para fazerem o que sabem. E que, assim, o Pepe ficou numa posição confortável, novamente.

A notícia, por si, era interessante, não tinha como lhe resistir, mas o que me fez palpitar de imediato foi a sensação de que vinham por aí pérolas. Pérolas que entenda-se por comentários. Assim foi.

O Ronaldo, que aparece noticiado sempre em associação ao Messi, é julgado pela mesquinhice portuguesa, acusando-o de ser inferior ao Messi, de ser um convencido, que se devia preocupar era em jogar e não em falar, aparece agora a ser defendido pelos nomes que eu suponho sejam os mesmos. O Mourinho é um convencido que acha que só ele é que tem razão, o Mourinho é fraco porque com uma equipa daquelas devia ter ganho tudo, o Mourinho é isto e aquilo. Não vale nada. Porém, e não obstante, se for um dirigente espanhol, ou nomeadamente do Barça, a acusá-lo do que quer que seja, o Mourinho só foi vítima de um clube sem estrutura, de um grupo de espanhóis que se uniu no balneário e lhe fez a folha.

No final de tudo isto, tenho a dizer que Portugal é um país a arder. Podemos viver em crise, termos subsídios e direitos cortados, mas quando toca a avaliações de pessoas, Portugal será sempre um expositor de divertimento. Coerência é palavra que não nos aprouve. E eu gosto disso. É mais divertido!

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Portugal renasce da Polónia/Ucrânia

Agora que se aproxima a azáfama europeia, a alegria do futebol, chegam os verdes campos para a política nacional e internacional. Mesmo com os vários incidentes, das festas ou carros da selecção.

O futebol, com principal incidência nas grandes competições, tem a capacidade de despontar a adrenalina, muitas vezes morta, na vida das pessoas. Durante 90 minutos, talvez um dia ou dois em caso de vitória, não há desemprego, austeridade ou dificuldades que se cravem. A alegria de uma vitória, de uma conquista briosa para um pequenino país, faz esquecer tudo o que de pérfido se passe nele. Cachecóis bem altos, vozes bem afinadas, moedas bem alinhadas, cervejas bem servidas… venha de lá esse pontapé de saída!

Merkl é um nome que impõe respeito, mas o que são o Ozil e o Joachim Low, junto ao Cristiano Ronaldo e ao Paulo Bento? Puros saloios de um futebol frio, distante do mágico português. São uma das melhores selecções do mundo, contudo não assustam da mesma forma com que a sobranceria económica assusta. Valem pela sua solidez, pela sua organização, mas no futebol dispomos de um jogo de cintura que nos permite fintar a organização, com classe. Na economia? Agora é altura de Euro, nisso pensamos depois. Venha de lá mais uma rodada, que estamos empatados ao intervalo e ainda vamos ganhar isto.

Esta veemente esperança depositada numa bola, em 23 homens, nem todos nascidos no nosso país, não é exclusividade nossa. Duvidam da fiesta que será em Espanha? Dos sorrisos que lembrarão o Euro 2004 na Grécia? Em Espanha, por exemplo, na final do Mundial de 2010, o jogo teve um share de 85,9%, o que equivale a quase 15 milhões de pessoas no território, a assistir ao jogo. É certo que é um Mundial, que é uma final, mas o que define a audiência é a paixão, a procura incessante de uma vitória.

Enquanto todos vivemos essa intrepidez que o futebol desperta, outros engravatados, com finos tecidos de alta-costura, aproveitam as deixas da televisão, jornais e rádios para, docemente e de sorriso aprazível, desejarem a melhor sorte aos portugueses, que tanto nos orgulham e agora estão em terras de leste. Política? Por favor respeitem estes homens que levam as quinas ao peito, agora não é o momento.

Findado o euro e a participação portuguesa, terá aumentado o desemprego? Estarão os mercados mais abertos a nós? Terá a economia dado indicadores de crescimento? Calma, tenho até meio de Agosto para analisar isso, que estes jogos de pré-época na Suíça e Holanda não interessam.

Escárnios à parte, vamos todos apoiar a nossa selecção!

Corredores de hotel

Estive em poucos hotéis durante a minha, curta, vida, ainda assim os seus corredores são algo que me fascina. Longos passadiços cercados de portas, castanhas, brancas, pretas, de madeira, de metal. De todo o tipo.

Por detrás de cada porta contam-se histórias diferentes, alojam-se pessoas distintas, com motivos díspares. Namoros apaixonantes, casamentos felizes, traições sem escrúpulos, solidões atrozes, trabalho ou lazer.

De repente sai uma pessoa. Quem será? Qual será a sua história? Terá mulher e filhos? Estará ali em trabalho? Não, claro que não. Estamos numa zona balnear do sul de Espanha, ele usa calções floridos e leva um sorriso no rosto. Claro que não está em trabalho!

E eu? Quem sou eu aos olhos deles? O que pensam quando se intersectam comigo no corredor? O que lhes vai na cabeça quando me fazem um aceno delicado que a boa educação doutrina? O que lhes ocorre quando invado a sala de pequeno-almoço, com calções coloridos e t-shirts ao desenhos? O que pensam das minhas havaianas, brancas e gastas pelas longas caminhadas, entre a praia e o parque de estacionamento? O que sentirão em relação aos meus olhos ramelados? À minha cara que reflecte a falta de descanso? Que espelha os gins, na secura dos lábios. O que julgarão de mim?

Os corredores de hotel são reminiscências difíceis de apagar. Entranham-se na memória. São frios mas acolhem-nos na distância de casa, do lar. São todos semelhantes, mas todos distintos. Cada um tem uma pessoa diferente para nos mostrar, cada um encobre outra história atrás das suas portas. Em Espanha, junto à praia, eram loiros de calções floridos e pele vermelha, na 5th Avenue, eram espanhóis, americanos, brasileiros e britânicos, de fato e afoitos com um dia prometedor, um dia de oportunidades.

E eles? Será que eles hoje ainda se perguntam quem eu serei? Qual a minha história?

Não, certamente que não!