Qual destino?

Destino Douro

Quando não controlamos o rumo dos acontecimentos, o vento bate nas nossas convicções – como uma rajada que abana as velas vindo de estibordo – e obriga-nos a seguir outros rumos. Como desculpa, dizemos:

É o destino.

Quando as coisas se compõem, o cosmos une-se para nos acender uma luz no caminho e dizer: é por ali. Não hesitamos:

É mérito.

Mas a vida não é uma linha recta. Tem curvas, oscilações e marés. Como o Douro. Faz encostas e vales. No entanto, o segredo é sabermos que se olharmos só para uma encosta é uma montanha para subirmos. Se olharmos só para uma oscilação do terreno é uma barreira para o destino. Se olharmos só para as marés são um perigo. Mas se olharmos para a paisagem é uma das zonas mais belas do mundo.

O destino é uma farsa para o que não conseguimos controlar. Mas a maior lição dele é: quem conduz, se souber que o leme é para andar solto, apreciará muito mais a viagem. As oscilações são a viagem. O conjunto das montanhas, vales e marés são o destino. O que não guiamos, mas fazemos.

Leme solto e curvas a serem aproveitadas. Este é o segredo da maior viagem sem viajar que podemos fazer. A da vida.

Porto, melhor destino europeu, outra vez!

Porto

Queres francesinha? Não, hoje vou nas tripas. Depois digiro-as a caminhar da Baixa à Ribeira, com um socalcozito pelos Aliados. Olha que também tens os mercados, estão renovados. Bem sei, mas não há pernas que aguentem, um passeiozinho de cada vez, que a cidade é para ser aproveitada aos pedaços, a saborear. E depois? Depois, é um café de digestão, sentado à beira rio, para regressar cá acima, que não estou para desperdiçar uma noite de Galerias. De uma ponta à outra, com desvio pelo túnel de Ceuta, festa é o que não vai faltar. E a Alfândega? Ai, que diabo, lá estás tu. Tudo de uma vez é perder pedaços. Aos poucos, confia. Eu confio, mas e os outros? Também confiam. Como sabes? Não se esqueceram da Foz. Como assim? Pensaram na Foz, nos Clérigos, na Sé, na Baixa, nos Aliados, em São Bento e na Batalha, na Ribeira e nos mercados, entre tantas outras ruelas e coisas mais, e fizeram do Porto, outra vez, o melhor destino europeu. Outra vez? Sim, ganhou hoje e tinha ganho em 2012. Carago, então é a valer. É mesmo. É como tem que ser, como o Porto merece.

Porto, o belo e fascinante Porto: a zona com mais falências

Seguindo uma lógica, uma triste lógica, o aumento das falências em Portugal este ano em comparação com o transacto, em igual período, é relevante. Juntando a esta, pesarosa, notícia acumula-se outra: Porto, a região do país com mais falências.

Fiquei contrafeito. Pela proximidade geográfica à minha residência, assim como ao meu emprego, e não deixando de lado o encanto que nutro por esta, bela, urbe. O meu clubismo em nada influencia esta paixão.

Assim, não consigo deixar de me perguntar: Mas é mesmo o Porto onde há mais falências? Aquele Porto onde num instante passamos da Trindade para os Aliados, descendo, enquanto absorvemos uma nostalgia, que só os que por lá passaram podem decifrar? Aquele Porto que na histórica estação São de Bento acolhe, diariamente, milhares de pessoas que se dirigem para as aulas, para os empregos, para as compras, para passear ou simplesmente para mais um dia? Aquele Porto de onde podemos observar o Douro da Sé? Aquele Porto que permite palmilhar uma Ribeira que nos deixa embeber as energias do rio ao mesmo tempo que prezamos as marcas do, consagrado, Vinho do Porto, que caprichosamente se colocam do lado de Gaia? Aquele Porto onde nos deixamos levar pela imponência da arquitectura do Gustavo Eiffel? Aquele Porto onde podemos passear, de mão dada ou num grupo de amigos, numa Foz, que não sendo uma praia formidável é atraente por tudo o que simboliza? Aquele Porto onde existe um “Queimódromo” para os jovens estudantes, e não estudantes, exaltarem a felicidade de viver os melhores anos da sua vida? Aquele Porto onde existe uma Boavista, com casas que pertencem ao imaginário de todos os que por lá passaram, onde se respira glamour e onde se vai poder encontrar uma, bela, Casa da Música? Aquele Porto em que podemos entrar no mundo de Serralves? Aquele Porto onde existe um mítico mercado do Bolhão? Aquele Porto do emblemático Piolho, que simboliza a irreverência da juventude e da cidade? Aquele Porto que numa praça tem os leões a defende-lo? Aquele Porto que tem uma das zonas industriais mais alegradas do país? Aquele Porto que na baixa, à noite, se dissolve num misto de estilos, que vai do metaleiro ao cliente do Twin’s? Aquele Porto onde se encontra um Coliseu com concertos memoráveis na sua biografia? Aquele Porto que possui um Campus Universitário, que dia após dia, fornece ferramentas a jovens que carregam em si o sonho de conquistar o mundo? Aquele Porto que tem uma parque da cidade, qual Central Park português? Aquele Porto que mistura as cores sombrias das casas com a alegria de um rio que o mergulha? Aquele Porto que me conquistou? Aquele Porto que tem tantas mais coisas que eu aqui podia narrar?

Não consigo deixar de me questionar sobre tudo isto! Oh, belo, Porto!

Finalizando, e sem ligação aparente, apresento-vos o meu inicio de dia:

Na busca de uma energia que nem sempre é fácil de descobrir, em dias como os que vivemos!