Perfeição, imperfeita!

Se a definição de perfeição não é perfeita e contundente, como podemos nós cogitar ser perfeitos?

Tenho em mim, desde tenra idade, o aviso que ninguém é perfeito. Porém, quando erramos, por mais insignificante que o erro seja, somos notificados por olhares dilacerantes, por palavras gélidas e gestos dantescos, que deveríamos ser perfeitos. Qual a lógica, então?

Não existe lógica nestas contradições, simplesmente uma prova da complexidade humana. Almeja-se o indecifrável, castiga-se o humano. Todavia, nós podemos errar, pois nós somos humanos e ninguém é perfeito. Os outros, esses, devem ser o exemplo para nós, devem servir exemplarmente os nossos interesses. Errar é algo que não deve pertencer-lhes ao dicionário, deve ser apenas o guião do que não têm direito a fazer. Se eu erro, que lhes sirva de exemplo.

Por natureza, concentramos em nós o direito a tudo. Somos um centro gravitacional de vida. Pensamos que temos uma importância maior do que a que realmente temos, na vida dos outros. Definimos os nossos erros como banais, normais, mas enchemo-nos de raiva com os de outros, que nos circundam. Pior, por diversas vezes concebemos juízos de valor em relação aos que nada nos dizem, com histórias distantes, que desconhecemos, mas criticamos.

Nestes momentos de pura reprovação, de asseveração da nossa perfeição, com base na pecha de outrem, não assumimos mais que a nossa imperfeição. Se fôssemos perfeitos não criticávamos, ajudávamos, claro!

Quanto mais perfeitos queremos parecer, mais imperfeitos demonstramos ser!

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