Não descobri nada

Vivo um dia após o outro e não descubro nada. Aliás, volta e meia descubro novas dúvidas e é nesse momento que sinto que estou a fazer tudo certo.

Quando procuramos respostas, estamos só à procura de segurança. Quando procuramos duvidas, estamos à procura de aprender. À procura de vida. Esse acho que é o caminho. Questionar para nunca responder. Questionar para procurar e procurar. Viver.

Portanto, obrigado, Lisboa. No dia mundial dos oceanos, mostraste-me a Torre de Belém para me dizer que quem procura descobertas são os velhos do Restelo. Os descobridores são os que vão à procura de dúvidas!

Ou seja, é legítimo eu perguntar: esta será a minha terceira viagem sem viajar? Espero que sim. Mas quero continuar sem descobrir nada. Só questões

Lisboa

Lisboa

 

Demovo-me da vontade
que tenho de te puxar,
meu amor. Não o poderei
fazer, mesmo que só te queira para ficar.

És linda, bela como uma
flor pousada no regaço
de uma varanda, toda ela,
voltada para o esplendor.

O sol brilha, tão alto,
a maré passa pelo Tejo,
subo os Descobrimentos
e recordo-me de há quanto não te vejo.

São rios de flores,
marés de ilusões
e lá caminho eu,
sozinho, até ao Camões.

Restauradores, Chiado e Bairro,
tudo a compasso da minha
solidão, por entre vazios,
que um dia já foram a minha imensidão.

És bela, planas pelo Terreiro,
lado a lado com o Arco,
mas não te posso agarrar;
és livre e eu já sou forasteiro.

Nunca fui dono dessa magia,
mas nos momentos a sós,
sentia uma imensa alegria.

És livre, Lisboa,
e eu sou apenas
admirador, ou não
houvesse vivido em ti um grande amor.

Ela admirava-te,
queria passear-te
e nunca mais deixar-te.

Porém, hoje, meu amor,
sou e tu,
com este nosso ardor,
que já não disfarça a dor.

(beija-me)