Rosto da Verdade

Joguinhos de sedução, enredos de conquista, palavras de proveito, criam o emaranhado de folias da vida estouvada, da dita curtição.

A loucura do sistema bem bebido, a dislexia dos movimentos, a turve da visão, o esconderijo das luzes baixas, os movimentos libidinosos dos corpos, as músicas de batida assertiva, a multiplicação dos copos de whisky, a soma dos de gin, vão fazendo o furor dos egos. O elogio, a palavra aprazível, torna-se a nota dominante de cada abordagem, das fugacidades de uma noite que se prolonga até o sol raiar. Vivemos anestesiados pela doce sensação de conquista, pelo acréscimo de auto-estima que a dormência de uma noite agitada em nós provoca.

Os dias são divididos pelo pagamento das horas que o corpo fica a dever à cama, pelas mensagens, via sms e facebook, que vão dando um prolongamento à loucura noctívaga, as fotos mais tarde irão asseverar que não temos a lembrança minuciada de cada pormenor que fez o furor daqueles badalados ensejos, os comentários ofensivos serão as brincadeiras a que nos vemos obrigados a aceitar. São os nossos loucos anos.

Repentinamente, com o sol a iluminar o nosso dia, com a clareza dos pensamentos lavados: um rosto de traços delicados; um cabelo longo entrelaçado entre si; um sorriso com um brilho difícil de descrever; um olhar enternecedor, pacífico; umas palavras de timbre doce, deleitoso; uma mulher incrível.

O nosso mundo está abalado, o amor entranha-se em cada pensamento, em cada movimento ou gesto de uma banalidade até ali desconhecida, os anseios de imprudência ganham contornos de indiferença, a determinação de viver a loucura da vida metamorficamente vira-se para um único ser, para um único olhar, cabelo, sorriso e rosto… rosto da verdade! Não é um rosto que emana a sua beleza de um desejo de descompromisso, é um rosto que nos espelha, um rosto puro e de contornos reais, sem imaginação bêbeda.

As cicatrizes de um coração trancado, de pessoas de índole mais dúbia, não nos deixam ver além de palavras, de desconfianças. O hábito dos elogios prazenteiros, não nos deixa perceber as falas de aviso, de demonstração de trilho de futuro. Existem mágoas de um dia termos magoado e termos sido magoados, existem receios de não ser o momento, existem resquícios de uma certeza forte: sozinhos é que é o nosso caminho.

Afinal onde estão os elogios?

Eles agora não surgem no momento exacto, não os podemos adivinhar. No momento que os ansiamos chegam as palavras mais duras, as advertências necessárias, no momento que não os aguardamos eles atacam-nos com a força que nos derruba as pernas, que nos faz o coração saltitar, que nos provoca um sufoco da respiração e um frio ameno que se propaga de extremidade a extremidade.

Este rosto, não é o que entra em joguinhos, o que se deixa entorpecer pelos desvairos de uma vida amontoada de diversão, é o rosto do amor, o rosto que não nos diz as coisas na hora que as esperamos ouvir, diz na hora que as merecemos ouvir… é o rosto da verdade!

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New York Times rendido ao nosso Portugal… e tu?

Um dos mais prestigiados jornais mundiais, ano após ano, vai-se rendendo aos encantos de Portugal e da cultura portuguesa. Serão eles muito tolos ou seremos nós?

Antes de avançar para o que quer que seja, relacionado com este texto informativo, deixem-me opinar, dar o meu cunho pessoal. Na minha humilde, talvez insensata, opinião o povo português é dos mais fáceis de governar no mundo. Quando me refiro a fácil, refiro-me a capacidade de adaptação, a criatividade, a alegria, a sensibilidade e respeito social. Nós somos um povo nobre, já não conquistamos territórios, mas não perdemos a nossa nobreza, a nossa capacidade de mudar o mundo ou vê-lo com os olhos que mais ninguém tem o dom de ver. Retiram-nos férias, feriados, dinheiro, direito à saúde e nós fazemos poucas manifestações, silenciosas e sem confrontos. Vencemos prémios de melhor casa, de melhor fotógrafo de guerra, conquistamos um óscar da magia, temos um treinador e jogador de futebol no topo do mundo, entre outros, muitos outros portugueses a conquistar o mundo. Não viajam em naus, seguem nos voos low cost, mas conquistam o mundo. Deixam a nossa marca. A diferença, a grande diferença, é que de um ‘Velho do Restelo’ criaram-se quase 10 milhões de ‘Velhos do Restelo’.

Voltando à temática desta redacção, o New York Times definiu, em 2011, Guimarães como uma das 41 cidades no mundo a visitar, pela sua emergente vocação cultural, definiu uma cultura criativa da cidade invicta que lhe permite, hoje, já não se encostar apenas ao seu famoso vinho. Não suficiente, ontem enquanto gozava de um sol abrasador, de uma água e de uma revigorante esplanada, lia a Visão e eis que mais uma reportagem, do consagrado jornal, se virava para Portugal: face às dificuldades não se incendeiam carros, não se chora, criam-se raves em armazéns abandonados, aproveitam-se paredes degradas para se expor arte urbana, alteram-se conceitos e faz-se sobressair uma cultura jovem e inovadora, num Portugal fatalmente atingido pela crise.

Estarão eles errados ou seremos nós incapazes de nos ver como um povo de valor? Deixaremos palavras de um tirano, camuflado de nosso representante, destruir todo o nosso brio, nobreza?

Compromisso com a vitória

Já, aqui, escrevi sobre diversos, distintos e variados temas, inexplicavelmente a vitória nunca foi um deles. A grande, a consagrada, vitória.

O que é a vitória? Num tom irónico, trocista, poderia dizer que é o nome da águia, um nome próprio, mas em qualquer um desses casos eu teria que, a esta hora, já ter empregado quatro maiúsculas, que não empreguei. As maiúsculas que, oportuna e imponentemente, abrem os nomes próprios. Mas não é a essas ‘Vitórias’ que me aludo, refiro-me às conquistas, às glorificações, aos títulos.

A vitória é interdisciplinar, pode ir do desporto à gestão, do intelecto à força.

Qual é o sabor, o gosto, da vitória?

É mélico, apimentado. É mélico pela paz, pela serenidade, de um objectivo alcançado. É apimentado pela euforia, pela adrenalina, de uma montanha escalada.

Uma vez premiado, para sempre premiado. Basta uma vitória, uma conquista, para nos tornarmos imortais nesse objectivo. Podemos nunca mais granjear metas a que nos propomos, mas aquela já alcançamos, já é nossa. Porém, a vitória é viciante, quem uma vez a conquista não mais se permite afastar-se dela.

Como criamos então um compromisso com a vitória?

Escrevemos num papel o objectivo, o destino, da nossa batalha. Seguidamente, colocamo-lo num sítio visível, num sítio que diariamente nos logre ver, nos imponha lê-lo. Forçosamente estará sempre presente em nós ao que nos propusemos. Existirá um compromisso.

Como aumentar a pressão a esse compromisso? Falá-lo, contá-lo, dizê-lo ao mundo. Aí, aí não decepcionaremos só a nós se não o obtivermos, alienaremos a vergonha à frustração de não o abisparmos. Redobraremos os esforços, aumentaremos a perseverança.

O que te leva a escrever sobre isto?

Leva-me um devaneio, uma ideia escondida, com a qual ainda não consigo criar um compromisso. Um propósito que é só meu e de quem ganhou o direito de o conhecer, alguém importante, alguém que amo. Existe um plano, ainda não é um papel escrito e visível, é só um rascunho, mas existe. Existe agora um pequeno aumento do compromisso, da responsabilidade. Vocês, sejam lá quem vocês forem, já sabem parte da ideia, a mais pequena. Sabem que ela existe!

Sabem o que mais nos afasta da, supracitada, vitória? A falta de compromisso com ela.

Assumam os vossos sonhos, as vossas metas, os vossos objectivos: estarão assim mais perto de os alcançar.

2011 em palavras, 2012 entrelinhas

PUM,PUM,PUUUUUMMMM… euforia ao rubro, champanhe a disparar, abraços calorosos, beijos apaixonados, lembranças melancólicas, desejos ardentes, felicidade momentânea e passas á mistura. São isto os segundos que fazem a transição de um ano para o outro!

Eu iniciei este ano de 2011 duas vezes, levado pela euforia que acima descrevi, em plena Plaza Mayor de Salamanca, comemorei o novo ano Espanhol, bem como o ano novo Português. Agora chega o momento que por imposição temporal fazemos um rescaldo. O que eu conquistei em 2011? Desde logo bons momentos nos primeiros instantes do ano que agora termina, mas daí em diante é que veio o que considerei o melhor ano da minha vida.

Uma licenciatura terminada, uma afirmação no meu trabalho traduzida em resultados, um contrato assinado como licenciado, mantive os amigos, fiz outros, venci o mítico carnaval de Ovar, não só pelo primeiro lugar mas porque tive o melhor carnaval da minha vida, conheci uma pessoa que poderia ser mais uma mas que se mostrou muito mais que isso, independentemente do que este ano traga já se tornou intemporal no que de mais nobre tenho, o meu coração. Tive férias duas vezes com contextos diferentes, vi amigos partirem á procura de uma vida melhor, pude visitá-los, terminei o ano a lançar-me nesta aventura do blog… isto é o meu ano traduzido em meia dúzia de linhas. Foi muito mais que isto, eu valorizo circunstâncias de tal maneira pequeninas que soariam a ridículo para vocês que lêem, por isso não as partilho. Deixo-vos só a “dica” que posso ser tão feliz numa conversa de café com amigos, namorada, ou pessoas acabadas de conhecer como ao terminar uma licenciatura. Digo isto porque valorizo muito mais os inícios de ciclo que os finais deles. Sou demasiado dominado pela sede de viver, procuro prazer e lembranças em tudo o que faço. Em forma de confidência posso dizer-vos que isso me traz muitos momentos angustiantes ao longo dos 365 dias que formam um ano, mas por outro lado permite-me no dia de hoje olhar para o ano que se aproxima do fim com orgulho, nostalgia e ambição de vir o próximo.

“E as coisas más?” Estão incluídas nas boas, foram esses momentos maus que me fizeram conseguir destacar estes incríveis que agora aqui partilho. Para terminar a licenciatura foi preciso sofrer a ânsia e estudar, para vencer o carnaval e ter instantes únicos foi preciso haver momentos difíceis que criaram a união, para manter e criar relações de amizades foi preciso atravessar momentos constrangedores, para uma pessoa se tornar intemporal foi preciso ultrapassar barreiras. Mas porquê realçar o mau? Se pude, de forma redutora, criar um parágrafo com um ano tão bom, porquê estraga-lo? Os momentos maus ou menos bons (para os mais simpáticos com as palavras) são apenas o sal e a pimenta do que a vida tem de melhor. FELICIDADE! Ninguém teria a capacidade de valorizar o que de melhor tem e conquista se não experienciasse o mais difícil.

Não existe a felicidade constante, existe a capacidade de amealhar momentos aparentemente insignificantes que fazem a nossa passagem ser notada. Nunca conquistei o Mundo, mas isso não me impede de ter uma família incrível, de ter amigos presentes, uma namorada especial e colegas que diariamente me ajudam a ter orgulho em quem sou.

Ambicionem o impossível, conquistem o alcançável e desfrutem o dia!