Amo-te, Pai

HPIM0542O dia pertence-te e deverias ter lugar de destaque, ou, no máximo, aparecer eu contigo, mas não, coloco a foto com o meio que te completa.

Aprendi a ver-vos assim, juntos, divertidos, arreliados, cansados, a precisar de desabafar, a precisar de férias, a precisar de apanhar ar, a precisar de paciência para me aturar, a precisar de tudo, mas sempre juntos, unidos, dispostos a ajudarem-se.

Este ano é especial, é mais um ano que aqui estás, a meu lado, a vermos o futebol sempre juntos, a dares-me perduravelmente os mesmos avisos quando saio de casa, como seu eu não ultrapassasse a doidice dos dezoito anos – que se calhar não ultrapasso -, mas acima de tudo, a mantermos sempre o nosso beijo. Não há um dia que não chegue a casa sem te dar um beijo na testa, não há um dia que não saia de casa sem te dar um beijo na testa. Muitos dizem que o beijo na testa é respeito, mas, para mim, quando o dou a ti, é muito mais do que isso. É o amor em estado puro. É um gesto automatizado, rotineiro, como tantos outros na nossa vida, mas que se um dia, por algum motivo, não o podemos dar, é um dia incompleto. É um dia partido ao meio, onde lutamos nos pensamentos pela metade que falta. O automatismo do beijo na testa, antes de sair ou depois de chegar, não é rotina, é amor. Não é um hábito que se criou, é uma certeza sem a qual não saberia viver.

Durante todos  estes anos, não fui sempre o filho que se sonha, com tanto de tolo, de desleixado, de irresponsável, mas o brilho que sempre guardaste para me olhar, até quando me ralhavas, não podia ser indiferente. Hoje, com os anos a andarem e a felicidade de te ter por aqui, a ti e à mãe, vou saboreando melhor esta textura leve que nos suporta a casa no ar. Não vivemos no chão, vivemos no ar. Suportados por um amor de base sólida, que não nasceu, que se foi criando, amadurecendo, à medida que vocês me viam a melhorar e que eu vos percebia melhor. Não posso imaginar a minha vida de outra forma, mesmo sabendo que vos fiz sofrer em partes. Eu cresci ao fazer essas doidices, consegui perceber melhor o amor que vocês tem por mim e o elogio que merece essa tua paz, pai. Chamas-me para fazer isto ou aquilo, a reclamar que eu não faço nada, e eu, passado pouco tempo, lá chego. E nada. Não me deixaste fazer, está feito. Reclamas para eu perceber que não é o certo, mas tens prazer de me entregar o mundo na mão. Isso é amor. Mas agora chega, eu também te quero dar mundo em mãos. Não vou esperar que me chames, vou fazer primeiro e avisar-te depois. Não tens que carregar o mundo em cima de ti, eu estou a crescer, quero ser uma parte do homem que foste, que és e que serás. Quero ser como tu, simpático, simples, divertido, sem medo do trabalho, sem necessidade de reconhecimentos que não o próprio, amigo do amigo, com o coração na boca e com um sorriso que, quando se solta, desmancha as maiores intempéries. Tu não és especial, pai. Especiais há muitos. Tu és qualquer coisa muito maior que isso, que ainda não tem nome. Tu és a junção da bondade com o doce, da alegria com a razoabilidade, do entusiasmo com a pacatez. Tu és parte do meu mundo, tu e a mãe. São o meu suporte. Mas, pai, eu cresci. Chega de carregares o mundo, para mo entregar. Eu também o quero carregar. E contigo.

Feliz dia da mulher, senhoras e senhores!

mulher, dia da mulher, homens, especialBelas, torneadas, roliças, cheiinhas, loiras, morenas, de cabelo curto ou longo, de olhos azuis, ou verdes, ou castanhos, mais novas ou mais velhas, mais sorridentes ou mais taciturnas, brancas, negras ou amarelas, não interessa. Hoje é o vosso dia! O dia que o calendário das Nações Unidas aponta como de celebração.

Hoje, porém, é só mais um. Um de muitos, onde vocês colorem os nossos dias. Algum homem parou para pensar num mundo sem mulheres? Futebol, cervejas na mesa, tampa da sanita levantada, pouco cuidado com as roupas, saídas à noite, problemas resolvidos com palmadas nas costas, sem ponderação excessiva sobre as palavras a serem ditas, e agora devem estar à espera das coisas más, não é? Pois bem, as boas são as más. Dois dias, três talvez, quem sabe umas semanas, e já não suportaríamos essa vida. Seria desenxabida, quase como uma sapateira sem recheio, uma sopa sem sal, um leitão sem molho.

Não somos capazes de ver além do óbvio, preguiçamos na natureza que chamamos complexa. Não nos capacitamos que o talvez sorridente é um sim e o talvez fechado é um não, que o não normalmente é o sim e o sim o não, que o “tu é que decides” é um jamais enfeitado, que uma chapadinha seguida de parvo é um elogio, a afirmação de se ter derretido, que o “não precisas de te preocupar” é o por favor não te esqueças, que o “já passou” é o ainda não me esqueci, que o “não me fica muito bem” é o isqueiro para acendermos o és linda, que o “estás giro” é a placa de aviso para nunca mais usarmos aquela roupa, ou cortarmos o cabelo daquela forma, que o “mais logo” é o não me apetece. E por aí fora, the show must go on. Digam lá se não é mais giro assim, com lavor pela conquista, com atenção pela partilha. Fosse fácil e todos viravam ateus do sexo, do amor.

No entanto, não se coíbam de imaginar um mundo sem olhares ternos, sem vozes paulatinas, quase soprando as palavras, sem peles macias, torneadas, sem cabelos esvoaçantes, sem toques meigos, sem abraços fortes, sem elogios que nos tiram a força das pernas. Imaginem!

Este dia não é delas, é nosso também. As mulheres são parte da nossa vida, são talvez a parte maior da nossa vida. Assim, festejemos com elas, ofertando-lhes a atenção que merecem durante 365 dias do ano.

Feliz dia da mulher, senhoras e senhores!

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Gratidão é o contrário de ser ingrato

gratidão, agradecimento, reconhecimentoSer grato é o contrário de ser ingrato, e ser ingrato é o oposto de ser grato. Fácil assim, sem ciência, sem complicações, sem palavras caras do dicionário dos ricos.

Não é preciso ser escritor para alcançar o pulsar de uma gratidão, para ver um sorriso de quem fica sem palavras para soletrar os vocábulos do agradecimento. Um abraço é grato, muito mais que uma prenda da Chanel embrulhada num papel de cor viva, com um laço do tamanho do mundo. Um beijo, um roçar de lábios na face, um deslizar de pele carnuda por pele brilhante, é um éter de sensações boas, de afagos do reconhecimento. É um agradecimento, pois claro.

Vivemos num mundo que a própria desgraça, vestida com fatos de marca e cheia de cultura, nos diz que devemos trabalhar mais e ganhar menos, que devemos sacrificar-nos por uma causa que não conseguem decifrar em palavras ao alcance de leigos, do povo, da génese da população mundial. Dizem-nos: coitadinhos, são tão valentes. São o melhor povo do mundo.

Somos? Então, onde está a gratidão? Não queremos um rio que desce pela encosta a jorrar dinheiro, queremos o básico, o mínimo. Queremos sentir que quem leva o leme, do nosso rumo, se mostra orgulhoso. Relembro, ser grato é o contrário de ser ingrato. A admiração, o êxtase que leva alguém a chamar o outro de melhor, de valente, vê-se no olhar, nos pequenos gestos de uma mão que não se sabe onde pôr, de tão estendida que está. Em vocês não se vê isso, não o demonstram. Não o sentem.

Não digam que são gratos ao nosso esforço, nós é que somos gratos à textura da nossa pele, à força do nosso íntimo, do caminho que criamos de dentro para fora. Agora, dizer que em vós existe gratidão é mentir. Gratidão é outra coisa, é o contrário de ser ingrato.

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Sentes o Natal?

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O Natal começa a romper. Pela primeira vez, por estes dias, senti-me mais incumbido do espirito natalício. Dei por mim a reparar que ele está aí a chegar. Mesmo a chegar.

Como tenho andado, um tanto ou quanto, afastado da televisão, o natal acaba por se perder nos aglomerados diários, de uma rotina absorvente. Sim, porque o tão aclamado espirito natalício vive, em grande parte, do poder da televisão, do deslize de catadupas de publicidades, de popotas e leopoldinas, de marcas de brinquedos e ofertas especiais das perfumarias.

É facto que várias casas se vestem de pinheiros e luzes alegóricas, com vermelhos e amarelos, mas a verdade é que o aconchego, aquele arrepio natalício, sente-se é nas publicidades com pais-natal, nos shoppings com iluminações sumptuosas e nas lojas com sugestões de compra, embebidas em flocos de neve e gorros fofinhos.

O Natal, o da família, resume-se aos dias de consoada e vinte-cinco, aí é que se expõe o tal carinho associado ao Natal. Até lá, é engodo; é um espírito vendido, por marcas de brinquedos e aproveitado por outras demais.

O Natal não é união, é uma azáfama mentirosa. No entanto, eu também vivo nela, também não a contrario. Ligo-lhe pouco, é certo, mas também vivo nos meandros dela. É Natal, é Natal… la, la,la, la!

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É o carinho pela vida!

Não me levantei cedo, levantei apenas cedinho. A tempo de apanhar o sol a ruborizar todos os que em baixo dele passeiam. Ele hoje nasceu feliz, com um sorriso de quem ontem partiu, que a nós nos encheu de saudade e a ele de alegria.

O fim-de-semana desperta em mim leveza, deixa-me desatado de responsabilidades. Acordei com uma vontade grande de esbracejar, saltar fora pelas vidraças do quarto e gritar ao mundo que estou vivo. Pois, afinal, estou mesmo. Estou e sei a bênção que isso é, nunca a devemos a esquecer. Seja o astro-rei mais nosso amigo, o céu mais nosso companheiro, ou o luar mais confidente, sejamos sempre abonados pelo condão da vida, por essa varinha mágica que nos faz planar sobre esta graça de Deus, da ciência, ou do que for. As árvores, as simples árvores, em determinados dias, parece que têm algo a dizer-nos, algo que teimamos em não ouvir em dias de corrupio, em dias que a ventoinha da vida nos leva para confusões desnecessárias.

Saí pela manhã e tomei um café com a minha princesa, com aquela menina que faz com que o meu sorriso seja sempre diferente, tenha sempre algo de novo. Beijei-a e parti de volta aos meus botões, a estes botões que ganham vida a partir destes pensamentos que giram, como um peão, dentro da minha cabeça. Não me perguntem porquê, não façam chacota, mas liguei uma colectânea do Bryan Adams e deixei-me ir andando linha por linha, palavra por palavra, a percorrer estes caminhos da escrita ao sábado. É um dia que normalmente não uso para escrever no blogue, que me descanso de vocês, para vocês se poderem descansar de mim. Escrevo para outros projectos, escrevo somente para mim, para as saudades que guardo de mundos que nunca vivi, contudo hoje apeteceu-me saltar para dentro deste ecrã e puxar um bocadinho de cada um de vocês . Sentem o meu abraço? É o carinho pela vida!

PS – Não se esqueçam, caso tenham curiosidade de saber mais detalhes sobre o livro que lançarei, lá para meados de Novembro, basta clicarem neste destacado: Livro – Ricardo Alves Lopes (Ral)

Cultura do Toque

Toque é sedução, é carinho, é confiança. É primordial no alicerçar de uma vida partilhada, é um expoente de relações, sejam elas de que tipo for. O toque é paixão!

Seduzimos com um toque, após longas horas de conversas, de interesse mútuo, de desejo camuflado, não é o beijo que nos mostra o Éden, é o toque. Pela intensidade dele percebemos a química, despontamos o sorriso e sentimo-nos a entrar no calor da conquista, no início da partilha.

Acarinhamos com um toque, seja uma palmada nas costas ou um aperto de mão, forte, intenso e duradouro, demonstrando a nossa presença incondicional. Não o dizemos porque a cultura masculina não é bruta mas é brusca, não é parva mas é indelicada, não é meiga mas é intensa. Para o homem não basta ser, também precisa de parecer. Desconfiem de homens, de gerações recentes, com machismos vincados. Os tempos mudaram. Nem roubar o sítio da mulher, nem estender os pés no sofá para ler o jornal. Hoje existe a cultura do toque, retracta o aproximar.

Tocar é confiança. Tocar é pessoal, é cúmplice. Assim que tocamos ganhamos a confiança, eliminamos o sítio ao meio, a distância. Aproximamos, deslizamos corpos ao encontro um do outro, em movimentos dignos de slow motion, até que, dedo por dedo, existe o toque. Seja um amigo, uma conquista, ou uma pessoa que começamos a amar, nunca mais nada será igual. Conquistamos a sua confiança, tornamo-nos merecedores do seu respeito e criamos uma responsabilidade.

Aproveito este último parágrafo como trampolim para dar um saltinho ao Marketing, nos últimos posts tenho passado pouco por lá. O Marketing é toque. O marketing procura o desejo do consumidor e vai seduzindo-o com o que ele procura no produto. O marketing percebe que ele não compra o carro porque é veloz, percebe que ele o compra porque lhe aquece o íntimo, lhe mexe com a auto-estima. O marketing acarinha o consumidor, agradece a sua existência com cartões de cliente. O marketing conquista a confiança, derruba as estratégias de venda ao engano, o marketing assim que consegue o toque, o aperto de mão, a primeira compra, acarreta em si a responsabilidade de não mais perder este potencial consumidor, que se tornou comprador e com o evoluir das estratégias de reconhecimento virou cliente, amigo. O marketing é pessoal, é sensível. Tem o dom de trabalhando para milhares, talvez milhões, de pessoas, aquecer cada uma como se fosse apenas para si que ele se debruçasse. O Marketing é fascínio, é curiosidade, é desejo e é conquista. Eu fui conquistado!