Amar o futuro é um erro

Amar o futuro é um erro

Amar o futuro é um erro. Acelera-nos o processo e deixa-nos infelizes. Inseguros.

Amar o futuro e planear o futuro são coisas diferentes. Sensações diferentes. É o medo que nos move, quando a nossa adoração, o nosso fruto de paixão, está no amanhã. Nunca nos retribui. Porque quando o abraçamos já é passado.

Traímos o presente.

O presente que, em pleno altar da maternidade, nos disse “acompanhar-te-ei até ao teu último segundo”, passa a ser segundo plano da nossa vida. Deixamos de o amar. Passamos a olhá-lo como um chato, como um incompleto, que só nos fala e aparece para aborrecer. Queremos é o futuro, aquelas curvas incertas do desconhecido, aquele gemido do oculto. E ficamos sozinhos. Porque o futuro nunca cá está.

Amar o presente é planear com ele o futuro. Dizer-lhe: eu quero lá estar. Mas contigo. Sempre contigo. Quero que sejas o meu dia, a minha noite e o meu tudo. O futuro é só o outro, mas que nunca será o principal.

Queres vir comigo ver os barcos, presente? É uma viagem sem viajar.

Não há nada mais feio que estar em guerra com quem se amou por muito tempo

Não estou a falar de mulheres. Estou a referir-me a momentos passados. Quando gostamos muito de um sítio, sabendo e sentindo que lá passámos grandes momentos, tendemos a procurá-lo em todo o lado. Em todos os momentos.
Gostamos das sensações e vivemos presos a elas, a criar essa expectativa em cima de outros sítios e momentos – e mesmo pessoas. Isso é estar em guerra com quem amámos.

A paixão chama-se paixão por ser efémera. Se lhe tirarmos a vertente passageira roubamos-lhe a existência. O comediante tem na piada a sua maior virtude e defeito. O vilão tem na maldade o seu maior defeito e o seu maior fascínio. A vida é assim, feita de contradições. O bom e o mau estão sempre muito próximos e cheios de razões lógicas para se afastarem. Mas não se afastam.

A vida tem que ser vivida no limbo do bom e mau, porque é aí que ela acontece. No resto, só passa.

Por isso é que, em mais esta viagem sem viajar, acabei com a maldade do convívio dos Vampiros Grupo de Carnaval. Troquei o local e fui refazer as lembranças. Não era o sítio que fazia o momento. Eram as pessoas. E isso já era sabido. Mas estava em guerra com quem amava: com as lembranças dos bons momentos.

Agora, refi-los. E de um amor passei a dois. Três. Quatro. Tantos quantos viver sem a expectativa do que foi o passado. São as pessoas que fazem os locais, mesmo quando eles estão despidos delas. A ausência de pessoas também é uma forma de amar as pessoas.

Mas este fim-de-semana não foi o caso. Estive repleto de pessoas em redor e num sítio que não conhecia. Gostei.

O que está para lá dos montes?

Montes e Montanhas

Felicidade.

Tenho quase a certeza que cada montanha esconde alegria.
Do outro lado está relva por onde nos atiramos, a molhar as calças e a deslizar. A pintá-las de verde! Tenho a certeza disto. Sempre que passeava com os meus pais – e passávamos por montanhas – era isto que sentia.

Lembro-me, por exemplo, de passearmos pelo Minho e eu ver montes e passar horas – todo o caminho – a pensar como seria do outro lado. Sorria. Com o pensamento, as piadas dos meus pais e a música que tocava. Tantas vezes Kelly Family! Talvez os meus pais tenham mais jeito para fazer filhos do que para escolher música, mas é inevitável ela ser uma boa lembrança. É a banda sonora das férias na infância. Ou de umas que me marcaram.

Os problemas surgem na nossa vida e podemos vê-los como vales para coisas melhores. Sobem muito, descem e depois sobem novamente! A pique! Tantas vezes para pontos mais altos que os anteriores. Por isso, pelas ondulações, o desconhecido fascina e faz medo. É sempre assim. O fascínio tem que vir do medo. Mas porquê que não guardamos esta lembrança boa das montanhas que mostram o desconhecido como a capa duma coisa boa?

Não sei a resposta. Mas sei que hoje pensei nisto e não tive vertigens com a altura das montanhas. Tive saudades das férias com os meus pais. Não fumava, não temia o medo e procurava o desconhecido. Hoje ainda procuro. Mas tenho medo. E fumo (foda-se)!

Somos todos assim, tirando a parte do fumar, não é? Acho que isso é bom. Faz-nos novas montanhas. As russas que são a nossa vida. Sobe e desce. Sobe e desce. Sobe e desce. Vivemos.

E, pronto, foi nisto que pensei hoje ao ver as montanhas quem pintam a vista do meu emprego.
É bom ser feliz e ter recordações da infância – mesmo que elas impliquem músicas dos Kelly Family. Lembramo-nos que para lá das montanhas está a felicidade.

Obrigado, Oliveira de Azeméis. Lembraste-me a infância e fizeste-me viajar pela minha segunda viagem sem viajar. Este blog começa a ser real.

PS – Esta era a música dos Kelly Family que tocava: https://www.youtube.com/watch?v=1viSfRzI8to
Os gostos podem ser discutíveis. As lembranças não! São como o que está para lá da montanha: uma projecção nossa!

O blog de viagens sem viajar

Blog de viagens sem viagensEstou mesmo a pensar neste projeto. Adoro a ideia de conhecer novas culturas, locais e pessoas. Aquela sensação de ficar sem chão, por estar a pisar novos chãos. Por ser tudo novo. Assim, movido por essa sensação de conquista de novos mundos, estou a pensar muito nesta ideia de um blog de viagens. E vou operacionalizá-lo com 3 coisas:

1 – Vontade;
2 – Fotos do telemóvel;
3 – Textos;

Não falta nada, estão aqui os ingredientes todos. Menos as viagens, claro. Que é a minha maior dificuldade. Viajo pouco. Para o que quero, pelo menos. Portanto, vou fazê-lo com viagens do quotidiano. É esse o meu objetivo, aliás: viajar no quotidiano.

Começo por Ovar – ainda sem criar um blog. É uma cidade que me acolhe desde sempre e me cria. Momentos, histórias e vida. É verdade. É uma cidade que cria vida. Tenho aqui amigos, coisas de que não abdico e muitas coisas que já nem vejo, que são corriqueiras. Como esta Praça das Galinhas, que, por estes dias, me fez sentir inveja.

Vi uma espanhola a partilhar nas redes sociais uma foto da cidade, da praça, e invejei-lhe a forma como olhava a cidade: ladrilhada de azulejos e pura na sua beleza rústica. Pensei: foda-se, isto para ela é muito mais bonito. E, então, hoje combinei com um amigo beber um fino nela, ao fim do dia de trabalho. Viajei.

Pelas histórias dele, pelas minhas e pela cidade. Foi bonito. Tão bonito que até comecei um blog de viagens. Obrigado, Ovar.

Obrigado

É um dia que a lógica me diria para cá não vir postar, não existirão pessoas com interesse de ler algo alheio ao Natal. Ainda assim pretendo escrever algo que não sendo ligado á quadra Natalícia representa o que deveria ser o espírito, não desta época, mas de todo o ano.

Este blogue surgiu naturalmente do meu gosto por escrever e partilhar opiniões. No entanto ele só se tornou real quando pessoas a quem muito devo, com a esperança que a mim também devam, me impulsionaram de forma consciente ou inconsciente para fazê-lo. É sobre isto que hoje escrevo, agradecimento a quem me move. Levando aos primórdios, os que permitiram este “espaço” foram os meus pais, sem eles não existiria. Depois vêm os professores que me deram as bases de compreensão, escrita e comunicação. De seguida vêm os amigos que desde sempre me acompanham e me permitiram viver num meio rodeado de discussões e debates de ideias que tanto me enriquecem.

Agora as pessoas que potenciaram tudo isto de uma forma mais directa. Alguém que escreve, já não como hobbie mas sim como algo mais sério, não perdendo o encanto de quando não há essa pressão, lançou um livro. Estive na apresentação dele, gostei do que vi e ouvi e em seguida gostei do que li (Dois Maços de Fernando Miguel Santos – aconselho). Deixou-me um bichinho. Um amigo próximo e de ideias semelhantes criou o seu próprio blog (marketinguerrilha.wordpress.com – aconselho). Ao dizer-mo espicaçou-me de uma forma saudável e produtiva. Por fim, mas não menos importante, a única pessoa que me trouxe até aqui conscientemente. Alguém especial que com o seu jeito, também ele especial, de ver o Mundo me fez acreditar que eu posso ser o que quiser ser. Fez-me acreditar que eu tinha capacidade para ter este sítio aberto a todos e abrilhantou-me isso com o apoio de quem com uma simples palavra me move. Muito devo a esta pessoa.

Finalizo este texto com um simples, OBRIGADO! Não apenas aos que aqui referi, mas a todos. Como um amigo meu diz, “Nós não somos mais que o resultado do meio que nos rodeia”! Por isso devemos agradecer, o que gostamos e mesmo o que não gostamos. Tudo e todos têm algo para nos dar.

PS – Feliz Natal para todos!

Politicar ou não politicar?

Tocou o alarme, visitei e li alguns blogs. Percebi que a essência de um blog de sucesso está na discussão política. Declames quase filosóficos, comentários com escolha cuidada de palavras “caras”, opiniões diversas que se tocam apenas na crítica, visão intransigente em relação a quem nos governa, pessoas de cultura elevada e opinião fundamentada, outras que nem tanto e por ai fora.

Fiquei agastado pelo arrojo do título do meu post de ontem. Não discuto política neste blog, nem tenciono vir a fazê-lo. Como referi no início desse mesmo post, não me sinto minimamente habilitado. Não por ignorância das minhas ideologias, ou falta de crença nelas, apenas porque desconheço qual a aplicabilidade das mesmas. Sou um miúdo, espero crescer, mas para agora sou um miúdo. De momento ainda não me sinto no direito de imprimir a arrogância típica de um comentador político, refiro arrogância num sentido de conhecimento de causa e consequente defesa vincada disso mesmo.

Aqui solto pensamentos, posso criticar, positiva ou negativamente, mas sempre no sentido de pessoas e seus comportamentos. Não abarco nos meus textos espaço para revolucionarismos ou contestações políticas. Deixo a quem de direito! Não julgo quem o faz, apenas não me identifico.

Um forte abraço!