Encostas de Sufoco

mulher, vento, sol, solidão, atenção

Derruis pela encosta do teu desejo,
Deslizando no preceito do teu ajeito,
Como uma flor angelical,
A aguardar ser recebida por um ser dominical.

Embrulhas-te numa pluma de vento,
Corres só, a fugir do isolamento.
Temendo, afinal, a minúcia da solidão,
Para findares a viver em sofreguidão.

Os ventos que se acolhem no teu cabelo,
Sopram pelas feições e formam um rolo
Pleno da tua beleza, que escorre como caracóis,
Que se encandece na alegria de vários sóis.

No dia que o temor te fugir,
Que o consigas ver partir,
Irás sorrir e perceber quanta atenção te vão pedir.

Ral
http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

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Escrever sobre altruísmo

altruísmo, ajuda, apoioEscrever sobre altruísmo é oferecer-vos as palavras, dá-las em vitrinas feitas de pensamentos meus, para me tornar interlocutor de palavras vossas.

Tudo começa nas palavras. Falam da tecnologia, da evolução, mas é a comunicação, as palavras, que tudo movem. O mundo gira soprado pelas palavras. Elas são altruístas. Não têm como não ser, quando se resumem em partilha. Usamos as palavras para falar para nós, mas essa reflexão, essa conversa para dentro, é somente um rascunho do que pretendemos decifrar, partilhar, aos outros. Falar é ser altruísta, usando palavras boas ou más, bonitas ou feias, caras ou corriqueiras. Eu sinto que sou altruísta. Gosto muito de ajudar os outros no que posso. Mas ajudo muito nas palavras, os actos são deles. Eu digo, porque já o vivi, faz assim; a decisão de fazer é dele. A vida é dele. Eu delego um pouco de mim nele, com palavras altruístas, mas a decisão, o movimento, a atitude, tem que ser dele. Ele é que sabe. Ele é que decide.

Contudo, não só as palavras que fazem o altruísmo. Os gestos também fazem, claro, conforme a situação. Se o homem tem fome, altruistamente, eu posso dizer come, porque sei que a fome se mata com comida, não obstante, se ele não tiver dinheiro, a palavra não é altruísta, é chata. Ele sabe que a fome se assassina com a comida, falta-lhe é o mote para a comida. Aí, nesse caso, eu preciso agir. Preciso, afinal, dar-lhe a comida. Não o dinheiro. A comida. É essa que lhe vai matar a escassez, é essa que vai fazer de mim altruísta.

Altruísta, aliás, que já fui agora. Falei do altruísmo, pus-vos a pensar no altruísmo e a ver que um senhor com fome pode ser mais feliz com um pedaço de pão.  Haverá algo mais altruísta que isto? Não sei, não posso saber. Vocês é que estão desse lado, você é que têm problemas que este ecrã não me deixa ver. Posso ajudar? Juro que quero ajudar. Gosto de falar, de conversar com pessoas que necessitam de palavras minhas, de atitudes bondosas. Isso, ajuda, é o que eu quero dar. Mas ajuda não é altruísmo, se for favor. Atenção, altruísmo é dar sem mais nem não. Não há condição. Não há interesse. Só bondade. Só coisas boas.

Altruísmo é bonito quando não quer ser bonito. Se for atrás da lindeza não é altruísta, é exibicionista.

Para encomenda de livros, sem portes: ricardoalopes.lopes@gmail.com

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Feliz dia da mulher, senhoras e senhores!

mulher, dia da mulher, homens, especialBelas, torneadas, roliças, cheiinhas, loiras, morenas, de cabelo curto ou longo, de olhos azuis, ou verdes, ou castanhos, mais novas ou mais velhas, mais sorridentes ou mais taciturnas, brancas, negras ou amarelas, não interessa. Hoje é o vosso dia! O dia que o calendário das Nações Unidas aponta como de celebração.

Hoje, porém, é só mais um. Um de muitos, onde vocês colorem os nossos dias. Algum homem parou para pensar num mundo sem mulheres? Futebol, cervejas na mesa, tampa da sanita levantada, pouco cuidado com as roupas, saídas à noite, problemas resolvidos com palmadas nas costas, sem ponderação excessiva sobre as palavras a serem ditas, e agora devem estar à espera das coisas más, não é? Pois bem, as boas são as más. Dois dias, três talvez, quem sabe umas semanas, e já não suportaríamos essa vida. Seria desenxabida, quase como uma sapateira sem recheio, uma sopa sem sal, um leitão sem molho.

Não somos capazes de ver além do óbvio, preguiçamos na natureza que chamamos complexa. Não nos capacitamos que o talvez sorridente é um sim e o talvez fechado é um não, que o não normalmente é o sim e o sim o não, que o “tu é que decides” é um jamais enfeitado, que uma chapadinha seguida de parvo é um elogio, a afirmação de se ter derretido, que o “não precisas de te preocupar” é o por favor não te esqueças, que o “já passou” é o ainda não me esqueci, que o “não me fica muito bem” é o isqueiro para acendermos o és linda, que o “estás giro” é a placa de aviso para nunca mais usarmos aquela roupa, ou cortarmos o cabelo daquela forma, que o “mais logo” é o não me apetece. E por aí fora, the show must go on. Digam lá se não é mais giro assim, com lavor pela conquista, com atenção pela partilha. Fosse fácil e todos viravam ateus do sexo, do amor.

No entanto, não se coíbam de imaginar um mundo sem olhares ternos, sem vozes paulatinas, quase soprando as palavras, sem peles macias, torneadas, sem cabelos esvoaçantes, sem toques meigos, sem abraços fortes, sem elogios que nos tiram a força das pernas. Imaginem!

Este dia não é delas, é nosso também. As mulheres são parte da nossa vida, são talvez a parte maior da nossa vida. Assim, festejemos com elas, ofertando-lhes a atenção que merecem durante 365 dias do ano.

Feliz dia da mulher, senhoras e senhores!

Para encomenda de livros, sem portes: ricardoalopes.lopes@gmail.com

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Exmo. Sr. PM dê-me só estes dois minutos…

Hoje é dia de greve geral, greve com a qual não estou de acordo, conforme referi no post de ontem. No entanto, também estou revoltado com os caminhos deste país, desta governação, por isso decidi publicar o meu texto, que saiu na edição de 05 de maio, no Jornal Praça Pública. Foi um, pequeno, grito de revolta!

Revolta. Pareceu-me uma palavra justa, agora que me está a ler, para resumir todo o meu primeiro parágrafo.

Sou um jovem a realizar estágio profissional, para licenciados – por alguns factores, só em Setembro último me foi possível iniciá-lo. Onde já iam os dois ordenados mínimos de direito, já havia mingado não sei quantos por cento, já não era isento de descontos. Fui ainda informado que, com isto, não ganhei direito ao fundo de desemprego, não que me interesse estar nele mas bem sabe que isto não está fácil, os 9 meses são somente considerados estágio, independentemente de estarem abrangido por descontos. Afiançaram-me, ainda, que não poderia estar mais que três meses de baixa, pois correria o risco de perder o direito a concluir o estágio, nesta ou outra empresa. Bem sei que a medida não é sua, mas sei também que o senhor a acusou, entre outras, de ser excessiva, no entanto agora vejo isto ainda pior. Elucide-me: quer com isto dizer que posso apanhar uma gripezita, porém nem pensar numa doença grave?

Acredito que já o saiba, ainda assim deixe-me lembrar-lhe, leva-me por mês mais de 100 €.

É normal que o desconheça, porque tem 10 milhões de pessoas para governar e uma troika para agradar, mas faço 60 quilómetros para trabalhar, 30 para cada lado. Até aqui nada que o Exmo. Sr. PM tenha responsabilidade, apenas o informo porque metade desse percurso é feito numa SCUT – naturalmente paga. Já fez o percurso Ovar-Porto pela estrada nacional? Se já o fez, que duvido, naturalmente estaria num dia com tempo, talvez uma peregrinação fosse opção. Já agora, permita-me perguntar-lhe: fez de jipe? Chegou em algum momento a sentir a trepidação dos buracos?

Há alguns dias tive um pequeno problema de saúde, não precisa de se preocupar que não é grave, inclusive já tive igual problema há algum tempo. Isso fez-me reparar em mais uma pequena, grande, alteração no nosso sistema de saúde. Nessa primeira vez estive a fazer curativo, vulgarmente chamado de penso, durante 15 dias, desta feita foi menos tempo, porém mais caro. Mais caro porque nessa altura o curativo era um direito, actualmente é uma regalia. Tive que pagar cada penso que fiz, taxado “á vontade do freguês”.

Caramba, Exmo. Sr. PM, eu percebo que necessita agradar os grandes da europa, a troika, que gosta de intitular de mercados, mas sabia que os elogios deles valem o que valem? Eles não são seus amigos, muito menos nossos, eles simplesmente venderam-lhe dinheiro. Assim, é natural que elogiem cada tostão que devolve, o que nós sofremos, a paragem da economia do país, a eles pouco lhes importa. Eu percebo que seria uma óptima bandeira, de campanha pessoal, afirmar que reduziu o défice, que pagou religiosamente cada centavo que havia sido emprestado, contudo sabia que também seria interessante haver país para os que a seguir vierem?

Exmo. Sr. PM, existe uma dúvida que há muito me corrói, não consigo deixar de partilhá-la: diga-me, não ‘expulsou’ de lá o Sócrates pelo PEC 4 ser demasiado austero?

Enquanto escrevo, ainda não sei a sua resposta à minha pergunta, mas apraz-me dizer que de semana a semana coloca isto cada vez mais austero. Tenho, também, a hombridade de confessar que não lhe invejo a posição. Agradar a 10 milhões não é fácil, é impossível, todavia não agradar a nenhum também não é tarefa simples. Eu sei que me poderá alertar que está a governar os erros do mandato passado, ao que  lhe direi: sim, é verdade. Não conseguirei é impedir-me de lhe dizer que o senhor PM, como pessoa inteligente que é, saberá tão bem como eu que isto vem mais de trás, desde os primeiros fundos que chegaram. Quem sabe, do tempo do nosso Exmo. Sr. PR. Aproveito este texto, este parágrafo, para lhe dar – a ele – os meus votos de boa sorte, na sua gestão da reforma. Árdua tarefa.

Seria com um enorme agrado que agora diria que foi um prazer escrever-lhe este texto, mas tristemente não foi. Foi um sacrilégio. Estamos a sofrer, Exmo. Sr. PM: saúde; ordenados; direitos; ensino; livre circulação. Coisas a mais. O cinto já não tem furos, a barriga já encolheu da fome, mas, ainda assim ,o cinto não tem furos.

Não sou economista, sou um pouco gestor, não de topo, contudo sou, acima de tudo, português, Exmo. Sr. PM. Dê-me ouvidos, só estou a apalavrar o que todos, os que não têm património digno de registo, sentem.

Gostaria de deixar uma última questão:

Mingou-me o ordenado, desconta-me mais de 100 € por mês, arrecada com o meu caminho para o trabalho, não me deixa estar doente, quando estou até um penso me cobra, o que posso eu fazer para ter direito a uma vida digna? Eu fui bem comportado, não tenho créditos contraídos, estudei, sou trabalhador, diga-me: o que posso fazer mais?

Atentamente,

Ricardo Alves Lopes (Ral)

Tudo o que desejarem saber sobre o meu livro – ReALidades – é só clicarem aqui, neste destacado: Livro (ReALidades) – Ricardo Alves Lopes (Ral)

Filtro

Findos estes dois dias de adição cognitiva e motivacional, a que me propus, o saldo é positivo. Conforme esperava!

Diversas temáticas dentro da central (Marketing), diferentes pessoas, distintos pontos de vista, vozes mais agudas, mais graves, mais monocórdicas, mas todas com algo para apreendermos. Para abrirmos a mente. Destacaria de hoje, com o devido respeito aos restantes: o caso da Bordallo Pinheiro; o caso da Renova; O caso Beirão, na presença do director José Redondo – cativante e coerente com a sua marca; O caso Frize, fantástica presença do fabuloso Pedro Tochas – aplaudido de pé; Deixando uma nota final à contagiante boa disposição do Ayres e João Paulo Rodrigues da Ayres Bespoke Taylor;

Regressando ao que me trouxe a esta redacção, eu diria que o sucesso pessoal passa pela nossa capacidade de filtragem. Não o filtro do cigarro que aqui coloquei para vos trazer à leitura, mas sim um filtro mental, de percepção. Dentro da mesma conferência, não raras vezes, aparecem dois palestrantes que nos fascinam, porém com visões distintas. Isso não faz de nós esquizofrénicos, faz de nós pessoas intuitivas, capazes de se influenciar pela empatia. Pessoalmente, gosto de criar empatia. Daí em diante, ergue-se o que somos, as ambições – não sonhos, é um pouco diferente – e como lutamos por elas. Como essas ambições estão definidas, para nós, vai influenciar o que bebemos de cada orador. Eu tenho as minhas ambições, por isso considero que a participação nesta jornada foi um sucesso. Retrai de cada um o que mais me interessava. Oportunismo? Interesse? Talvez, mas se foi dito, comprovado, o que me impede de fazê-lo?

Eu tenho todos os sonhos do mundo em mim, como alguém outrora disse. Não os trago todos à superfície a cada momento, mantenho-os velados num local que nunca é esquecido, para de tempo a tempo os ir alimentando. Sabem o que ganho com isso? Um dia os sonhos tornam-se ambições, tornam-se possíveis de alcançar. Alguns já consegui, outros já são ambições, outros estão acomodados no sítio, à espera de receber nova vizinhança. Novos sonhos.

Não vivam a sonhar, mas vivam com sonhos!

P.S – Aleatoriamente, concluí este texto a escutar o, grande, Bob – Don’t worry, be happy!

Noção de requinte

Não, não irei fazer consultoria de imagem. Muito menos dizer o que tem mais estilo e o que é mais tosco. Apenas aqui vim confirmar uma contradição minha.

Movido pelo meu trabalho tive a necessidade de consultar alguns relatórios, algumas páginas da web, alguns perfis de Facebook e algumas instalações, ainda que virtualmente. Conclui o mais óbvio que podem, ou pode conforme o Word insistentemente me solicita, imaginar: existem pessoas com um enorme bom gosto e outras com uma noção de requinte, um tanto ou quanto, dúbia, incerta.

Deparei-me com espaços simplistas completamente convidativos. A navegação neles é prazerosa. Por outro lado encontrei áreas, zonas, lugares, completamente aterradores. Uma autêntica parafernália de informação, coisas, em cada cantinho mais recôndito. Todo o espaço é utilizado, num angustiante receio que algo fique por dizer, que algo fique por mostrar. Ufa, uma canseira a cada clique.

Eu não sou um guru, no entanto posso facilmente formular opiniões com base no que são as minhas experiências, as minhas vivências. Seguindo essa lógica posso vos garantir: Estimulem a visão, não a cansem; Despertem a atenção, não a retirem; Levantem o véu, não deixem cair o pano;

A capacidade de simplificação das coisas é sem dúvida das maiores virtudes que podemos ter. Reparem que disse simplificação e não facilitação. São coisas diferentes.

De que forma isto é uma contradição minha? Olhei para o meu blogue e encontrei um excesso de adereços, de informações, deu-me uma vontade súbita de o tornar mais clean, mais tudo o que aqui disse. Porém, olhando em torno das alternativas gratuitas, ainda não foi desta.

Quem sabe no futuro, quando puder ser criado por mim… (agradeço sugestões)