Notas de Verão #1

Verão

Apetece-me escrever sobre o Verão.

O Verão é sol e calor, alegria e loucura. O Verão é adrenalina. Sorrisos, pensamento livre e problemas ligeiros. Havaianas nos pés, caipirinhas no copo e mojitos no pensamento. Gins na esplanada, conversas no café e finos no pôr do sol. Verão são festivais, Bob Marley no rádio e Richie Campbell na Ericeira. Areia nos parques de estacionamento, pó no pára-brisas e desenhos na mala. Avisos no vidro: “Lava-me, ò porco”.

Verão é inconsciência, ou consciência. Sol na portada ao acordar e calor na varanda ao deitar. Verão é fumar na janela em roupa interior e vir ao jardim em tronco nu. Tomar banho no jardim. Verão são férias, os miúdos felizes e os pais arreliados. Verão são três meses. Verão é isto. Mas é pouco. Queríamos mais. A calma de vê-lo a partir no horizonte, a sensação de alívio de o contemplarmos na imensidão do mar, ou dos prédios sem fim, e a inspiração de não o pensarmos.

O Verão é feliz. Não pensa, sente.

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Amor de pedra

É só uma rocha,
Mas é tanto mais o que me move,
É uma companhia, alguém
Que sem vida me comove.

Não desisto de tudo por ser pedra,
Por não pensar e não se ajeitar,
Guardo-a no bolso à espera
Que um dia tudo isso possa mudar.

A amizade é assim,
Não importa se é pedra ou flor,
Acreditamos sempre, com esforço,
Que tudo vai mudar para melhor.

Não é porque erra que a pedra se desfaz.
Não acerta a árvore, mas voa até
Aos arbustos, e eu, como amigo,
Vou trazê-la de volta, aqui para ao pé.

Ser amigo é isto,
Levar a pedra no bolso, guardada,
Cientes dos lanhos e dos alvos falhados,
Mas sempre amada.

O erro não é exclusivo da pedra que falha,
A que a atira ou ampara,
Também não está livre,
Mesmo que seja coisa mais rara.

Ela é uma pedra,
Mas eu sou um ser-humano,
Pensante e inquisidor,
Mas sem vontade de ser tirano.

O mal deste mundo é que se fazem
Dos donos das pedras
Amigos de verdade
Que só nos levam a perdas.

Ser amigo é estimar uma pedra
Que hoje é de cimento,
Mas amanhã será de carne
E não pode cair em esquecimento.

Preço das inimizades

Vens-me ao rumo dos olhos
E depois abalas na várzea da água,
Que te debanda em açougues de folhos,
Mas que a mim na recordação flutua.

És mais que uma mera memória,
És uma certeza, uma vénia do passado,
Que me define uma trajectória.
Não sou o que fui, contudo sou também o que havia desmemoriado.

Ficaste-te por aqui, no seio
De mim e de ti, como se aquele nosso passeio
Fosse muito mais que um dia normal,
Do que um ensejo usual.

Não te marcaste pela água que deslizava no rio,
Ou pela lembrança que podia criar contigo,
Decidiste que querias ser mais do que isso,
Que necessitavas de fazer aquele golpe preciso.

Atiraste-me a faca, pegaste no dinheiro,
Porém, sem pensar que eu podia reagir primeiro
E sair de perto de ti, como vencedor,
Como, no fundo, o maior conquistador.

A ti, valia a fortuna,
A mim, valiam as folhas que deslizavam no vento
Do céu, no caminho que fazia de ti réu.
Era o dinheiro? Pedisses,
Não necessitavas dessas mesquinhices,
Que fizeram de ti só,
Fugitivo e triste que dá dó.

As amizades enchem barriga,
Acolhem sóis e abrigam tempestades,
O dinheiro traz por tudo inverdades.

A escolha era tua,
Fizeste-a e eu venci.
Fiquei bem sem ti.

Ral
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Basket para todos

2013-07-26 00.52.41

Para quem lê este texto e não é de Ovar, poderá fazer pouco sentido. No entanto, se quem é de fora tiver amigos e gostar de divertir-se, até pode fazer um sentido enorme.

Hoje é dia dos avós e o Mick Jagger faz anos, mas o que me percorre o pensamento é que logo entro na minha primeira paragem de férias deste Verão – sem deixar de enviar um beijo aos meus avós e dar os parabéns ao Mick. Vou descer um bocadinho até as zonas de praia, colorir a pele de tom mais escuro e deixar-me cair em mergulhos apaixonados e caipirinhas frescas. É só, para já, uma semana, mas retemperará forças e aumentará ânsias de felicidade.

Contudo, o título do texto é outro, é o Basket Para Todos. Uma actividade que se tornou tradição em Ovar e que reúne gerações, faz os mais pequenos e os mais velhos sorrirem como se todos tivessem nascido no mesmo ano e partilhassem os mesmíssimos interesses. É um festival de alegria, onde também se joga basket. Participo nele desde a primeira edição, desde que se começou a jogar no playground de São Miguel. A organização era outra e as coisas foram evoluindo, mas o intuito mantém-se: amizade, diversão e basket. Tudo coisas boas!

Nunca fui de me ralar de encurtar os meus minutos em campo, para os que dominam mais a modalidade que eu, sempre me importei mais com as conversas de balneário, com os cumprimentos de força e com as fraternidades pós jogo. Aí, sim, sinto-me um crack. A nossa equipa foi-se metamorfoseando ao longo dos anos, mudando algumas peças, contudo a imagem manteve-se idêntica. Amigos felizes, divertidos, com histórias para contar e jantares de não mais esquecer. Para mim, isso é o basket para todos. É, aliás, o sentido de tudo na vida. Queiramos nós ser felizes e podemos ser. Ainda assim, a minha equipa, este ano chamada de Gangue Malvado, jogará a final e eu já cá não estarei. Sem hipocrisias, as finais são para ganhar e eu torcerei pelo sucesso, num torneio onde já jogamos finais e meias-finais e nunca vencemos. Não obstante, existe uma conquista que já ninguém nos tira. Os minutos, horas, dias e semanas que já passamos ao longo dos anos neste torneio. Poderei viver cem anos, algo que até tenho esperança que aconteça, que nunca esquecerei estes convívios de Julho, que se apresentam como um pré-Verão recheado de alegria e companheirismo.

Assim, à distância, amanhã estarei a torcer por vocês durante todo o jogo, a brindar a cada um dos copos que levantem no jantar final e a agradecer a todos os outros participantes que abrilhantaram este torneio que é de todos nós.

Vivo de felicidade e no Gangue Malvado ela existe, pelo que já me sinto Campeão! Agora, só falta marcarem triplos, não falharem bandejas e acertarem nos ressaltos, para me recordarem que só faço falta no jantar. Aí, no jantar, não admito que não se recordem que eu podia brilhar e ser o melhor marcador, no restante confio em todos, desde os treinadores pouco consensuais, até aos adeptos fieis e aos jogadores bem-dispostos. O título está ganho, este mês já ninguém nos tira!

Até já, que as celebrações não acabarão amanhã!

Ral
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Com onze amigos, faz-se um mar!

1000696_641054092591415_1244279513_nCom sete paus faz-se uma canoa, mas com muitos amigos faz-se um mar. Um mar de sensações boas, de histórias divertidas e risadas infinitas.

Depois de mais um fim-de-semana junto de quem me faz feliz, de quem rouba o que há de melhor em mim, sinto que o mundo não é assim tão complicado, por muito que agora se tenha fechado dentro de um escritório e cerrado as portadas de luz solar, para surgir um candeeiro que me alumia as teclas, devotas das minhas ideias. Viver sempre na diversão tirar-lhe-ia prazer, oferecer-lhe-ia rotina. Assim, ganhei, com este fim-de-semana, o que semanas e semanas de trabalho não poderão apagar. Felicidade, gáudio, optimismo e oxigénio. Muito oxigénio, por muito que ainda tussa as poeiras e os cigarros.

Foi com uma surpresa que acabei por ir mais um ano, e isso não esquecerei. Amizade é o que não devemos deixar de aclamar, sempre e sempre. Felizmente, tenho amigos que me ajudam a fazê-lo, com a facilidade de saber que, exclusivamente, narro acontecimentos. O elogio é consequência, natural e afortunada. Com mais um bafejo de sorte, pude levar a princesa que me acarinha os sorrisos e me faz resplandecer, como o sol que tombava sobre o mar e nos queimava a pele. Tudo aconteceu de repente, tudo mudou em dois dias e tudo findou por ser maravilhoso.

As narrativas divertidas, guardo-as para as caipirinhas de Verão em esplanadas. Aqui, era somente para agradecer aos meus amigos os amigos que são, bem como à minha princesa a princesa que é.

Quanto a mim, vou continuando a sorrir para uma vida que me sorri. Sabendo que com onze, doze, treze, ou dois amigos, faz-se um mar. Um mar de alegria!

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Amor

amor, cadeados, eterno, sinceroSem muitas delongas, hoje apetece-me escrever sobre o amor. Sobre a forma como o nosso coração palpita na presença das pessoas certas; sobre como balanceamos no íntimo das nossas pernas, no afago dos nossos órgãos, quando as pessoas correctas nos dizem o que desejamos ouvir, no momento que não esperamos escutar.

Saber que nos amam não chega, nos dias em que o pessimismo ganha espaço à alegria. Nesses dias, a maior bênção que dispomos são as pessoas que, por conhecimento e amor, nos dizem o que esperamos sempre ouvir, no momento que não sentimos merecer. Não é ser enganador, é ter as palavras acertadas para as ocasiões certas. Um elogio no momento que tudo nos corre de feição é como um whisky no fim de uma noite de garrafas de vinho. Só embebeda mais, não é saboreado. Mas um whisky no fim de um dia de trabalho, de uma jornada de esforço, pode ser um simples trago do paladar dos divos. Usei o exemplo do álcool pelo facilitismo de comparação, o mesmo seria verdade no nascer de uma planta no meio da Primavera, ou em pleno Inverno cerrado do céu. O contrabalanço é o que enrijece.

O amor é como uma viagem, feita a dois, a três, a mil. Não importa a quantos. O amor não é somente beijos apaixonados, carinhos voluptuosos, o amor são palavras. As tais que se diz que não resolvem nada, são também o motor das resoluções. Os actos nascem nas palavras. As palavras não devem ser negadas ou demovidas de importância, devem é ser apreciadas e usadas. Não são vazias, garanto-vos, carecem é de ser postas em prática. Mas é nelas que tudo começa. Os campeões fazem-se nas palestras, nos ensinamentos, e esses são dados por palavras. O amor é igual, faz-se nas cartas, nas conversas, nas prosas. E solidifica-se nos actos, nos beijos, nos abraços, nas ternuras, nas histórias.

Eu amo o amor e sei que ele me ama. Sim, porque o amor, na minha vida, tem nomes. E cada um deles, desses nomes, passeia pelo meu coração e cabeça. Amar é não ter medo de ser ridículo. E eu não tenho. Até porque também o seria sem o amor.

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Para ti, meu irmão!

irmão, amigo imaginário, amorHoje é o dia mundial do irmão, todavia eu sou filho único. Alimento o irmão que nunca tive. Um género de amigo imaginário.

Confesso que, na meninice, senti o vão da ausência de um irmão. Residíamos uma fase em que era pouco usual verem-se filhos únicos, poucos eram os meus amigos na mesma situação que eu. A grande maioria dividia-se em duas fatias, de um lado os que tinham os irmãos mais velhos e bem-sucedidos, o que lhes outorgava um certo status por descendência, e os que tinham irmãos mais novos, o que lhes legava um certo autoritarismo pela postura sobranceira que adoptavam no seio familiar. E eu ali, sozinho de irmãos, a perceber um bocadinho de cada um. A aprender, de certa maneira, como seria se tivesse um irmão.

A desenvoltura dos anos, porém, trouxe-me uma visão diferente dessa situação. Amadureceu-me, portanto. Percebi, com naturalidade e sem celeuma, que os meus pais já não se aprontavam para trazer mais descendência, o que, a bem da verdade, até me era vantajoso nos afagos e prendas. Virei mimado, claro. No entanto, entendi que, afinal, eu não era assim tão solitário, que dispunha de amigos em quantidade avultada. Não sei se por ter transitado esse amor, que nunca dei a um irmão, para pessoas que me eram próximas, ou se, somente, fui bafejado por uma benquerença que me ladeou de pessoas boas. A verdade é que reparei que era feliz. Todo feliz.

Assim, neste dia especial para os irmãos, escrevo este texto ao irmão que nunca tive. Sei que, se ele tivesse vindo, eu o teria amado como se fosse uma parte de mim, uma extensão do meu corpo que jamais estaria preparado para abandonar ou deixar de apoiar e admirar incondicionalmente. Não obstante, ele não veio e não posso deixar de lhe agradecer. Não sei se com ele não teria sido igual, mas ainda assim arisco agradecer. O amor que ele despoletou no meu íntimo, bem lá no fundo do meu interior, eu transpus para os meus amigos, para aquelas caricias da amizade que me transportam pessoas da primária até à universidade, do jardim-escola até ao infinito dos meus dias.

Mano, não nasceste, mas deste-me a possibilidade de utilizar este termo – mano – para todas as pessoas que me completam de alguma forma. Uns são mais de quando faço uns jogos de basket ou futebol, outros são mais das noites tolas em que bebemos um copo, outros dos cafés semanais, outros da altura das férias, outros do somatório de tudo isso, mas no fim são todos meus manos. Cada um completa-me em determinada coisa, faz uma extensão de mim. Tu, irmão de sangue, que nunca nasceste, desejo que saibas que te amo. Se alguma vez duvidares, espreita o quanto respeito cada amigo, o quanto admiro cada traço deles, para saberes tudo o que teria para te dar.

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