Não juntes dinheiro

não juntes dinheiro

Bayona, Espanha

Junta amigos, uma praia e uma cidade desconhecida. Traz à memória histórias de infância, adolescência e cria novas. Vive.

Faz felizes os de quem gostas e sê feliz. Muito feliz. A felicidade é paz. Saber que foste, saber que viveste. Acontecer. Não importa se é bom, se é mau ou desenxabido. Importa é que tenha acontecido. Que o mar tenha beijado a costa. Que a garrafa tenha sido esvaziada e que a vida tenha acontecido. A vida acontecer é ser feliz.

E o dinheiro não paga isso. Mesmo que faça falta para outras coisas.

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Vou ou fico?

AVIAO-TAP

O vento sopra, as asas de metal

Abrem-se como linces do ar,

O avião parte, dissipa-se,

E eles ainda se vão a recordar.

 

São dias rápidos, fugidios

Como uma corrente húmida,

Em que se vão as histórias

E  fica a dúvida.

 

Estarei eu bem aqui?

Não deveria eu pegar naquele avião

E ir para França ou, sei lá,

Qualquer outra nação?

 

São anos de luta, com mesas cheias

Que agora vejo vazias,

Sem amigos tantos, conhecidos,

Que foram sem heresias.

 

Não lhes olho a desgraça,

Por muito que lhes conheça a dor.

Não quero esse apogeu de coitadinho,

Quando por eles tenho é respeito e amor.

 

Estão fora, longe, em vidas diferentes,

Mas a ganhar o que aqui não encontro

Em horas e horas de expedientes,

Com miséria, sem confronto.

 

Não resvalo nas lamentações da partida,

Para gáudio dos maldizentes,

Que não lhes vêem dor, esquecendo

Que cá há família e outras gentes.

 

Pergunto-me. Estarei certo?

Valerá este luta num país sem chama,

Que se tombou na crise,

Ainda que com tanta gente que o ama?

 

Não sei as respostas e disponho-me ao trabalho,

Laboro com o afinco de quem crê

Que a dedicação há-de ser sempre recompensada,

Dê para onde dê.

 

A vocês, que foram,

Digo que aqui há um amigo,

Sem plural, só com um:

estou sempre contigo.

 

Ral

O meu carnaval

1896725_10202628957397365_863012179_nTerminou, esfumou-se no ar como a chuva que caiu desalmada. É mais um carnaval que vai. Aliás, é mais um carnaval que fica.

Foram meses de alegria, de partilha de vidas com uma finalidade. O fim era o desfile, mas ele é maior que as maquetes que levamos. Uma maquete que se põe na rua são mil histórias, muito mais risadas e laços que se estendem. No meu texto do Ovarnews, falarei do carnaval em geral, de todas as pessoas que o fazem, aqui quero dirigir palavras a todos os amigos que partilharam comigo estes dias, semanas, meses.

São cinco anos que levo de Vampiros e em cada um deles sou mais feliz. Não importa se ganhámos se ganham outros, importa perceber a forma como em reuniões mais sérias e mais galhofeiras começamos a dar forma a ideias que, ao começo, parecem sempre tão abstractas. Cada tira de esponja que leva cola, cada ferro que é soldado, cada tubo que é dobrado, é como um abraço que damos. Um abraço grande, forte, sentido.

Para mim, o carnaval não é só folia e piadas, é uma escola. Em quarenta pessoas, tenho tanto que aprender, tanto que crescer. Há cinco anos juntei-me a vocês, sendo amigo de três ou quatro, conhecendo outros tantos. Hoje, cinco carnavais volvidos, sei que a minha vida seria sempre diferente se não tivesse entrado. Poderia ser mais rica em outras coisas, não duvido, mas não consigo pensar nessa riqueza, quando me sinto afortunado de cada jantar nosso, de cada encontro na sede, de cada sensação de nostalgia quando nos vemos dias depois do fim do carnaval. Em cada um de vocês, conquisto mais um bocado de mim. Uns mais estouvados, outros mais ponderados, outros mais medidos, outros mais responsáveis, mas todos tão importantes.

Não são todos que se podem gabar de ter quarenta amigos. Eu posso. Tenho amigos em mais grupos, fora dos grupos, mas nestes meses tenho uma família de quarenta pessoas, que me completa o agregado. Esse calor não se apaga durante o ano. Sei que vos encontrarei em outros jantares, num simples copo, em mais uma reunião. E isso é uma riqueza que não cabe no bolso, não cabe no coração, não cabe no corpo. Transcende tudo.
Aos Vampiros, todos, deixo o meu obrigado. Ainda me lembro da minha vida sem vocês, mas nunca mais a quero viver. Carnaval de Ovar é folia, mas vocês, amigos, são família. Não há vitória maior que esta saudade imediata! Carrega, Vampirada!

Obrigado é o que tenho para dizer. Muito obrigado.

Fazer anos só é bom quando não fazemos sozinhos, quando temos com quem partilhar um festejo antagónico de mais um ano que passou. Feliz das boas aventuranças que a vivência trouxe, da partilha de alegria e amor, de tristeza e complicação que nos foi possível, da certeza que regámos mais trezentos e sessenta e cinco dias com água divina, com água da juventude eterna. Por outro lado, mais um ano é mais um passo para o fim. Isso assusta-me, por muito que ainda tenha apenas vinte e seis anos. Fresquinhos, feitos há poucos dias.

Viver é uma amálgama. No meu caso, é uma insatisfação constante. Se tenho um globo a girar, um oceano a encher-se como um tanque em dia de chuva, quero mais, quero que o globo gire mais, que o tanque se encha mais e mais. Se tenho um dia de globo parado, de tanque vazio, consigo olhar os dias em que se moveu e encheu, os dias mais felizes. De certa maneira, sou uma pessoa estranha. Uma pessoa estranha e feliz.

No dia dos meus anos, a minha namorada inventou-me uma festa surpresa a dois, em pleno andamento do mundo. Soprei as velas, quando pensei que isso já não era coisa para ser feita naquela altura. Agradeço-lhe o especial, não somente o especial dela, o especial global. O especial que ela é, o especial que ela entrega às coisas, o especial que ela me faz ser. Aos meus pais, devo a vida. E a vida não é só respirar, é mais. É ser feliz, saber que sou feliz, e querer ser mais feliz. Na empresa, soprei também velas. Olhei pessoas que há quase quatro anos não eram ninguém na minha vida, eram vultos distantes da luz dos meus dias, mas que agora são quase família. Não lhes partilho as minhas agonias, não lhes vou espalhar as minhas alegrias, contudo fazem parte da família, são pessoas que tocam os meus dias com a certeza que sou muito tendo-os por perto. Fizeram-me ser parte do que sou no profissional que escolhi para a minha vida. A sensação de entrar para um escritório a saber que se fosse para o meio do armazém seria tratado da mesma forma é única, é boa para ser quem sou. À noite, nesse dia quinze, chegaram-se amigos. Partilhei a mesa, café e minis. Esqueci que fazia anos e tive conversas do dia, o melhor que posso pedir num dia que não gosto particularmente de ser o centro de tudo. Não gosto que tenha que ser especial, pois seria o atestado que todos os outros não são. Assim, quando vos digo que o aniversário foi normal, não se assustem, isso é bom.

Depois, que é o mesmo que este sábado, chegou a festa. O jantar de aniversário partilhado com mais um amigo de parabéns e com outra que parte à aventura do mundo para ter os direitos que cá lhe roubam. Foi maravilhoso. Não precisei de ninguém em especial, precisei de todos, da miscelânea de pessoas que compuseram uma sala, que fizeram de um restaurante amigo um sítio de culto da amizade. Não tenho melhores amigos, tenho amigos. Em cada momento, há um amigo que é o melhor. Hoje é o A, amanhã é o B, mas, certamente, depois também será o C. isso é a melhor bênção que possuo. É uma alegria imensa, que agora me escorre por estas linhas.

Fui feliz no dia quinze e fui feliz no sábado. Mas não fui feliz por terem estado lá, amigos e namorada, pais e colegas, conhecidos e família. Fui feliz por saberem que estiveram lá nestes dois dias e que vão estar aqui sempre. Hoje, amanhã, depois, e enquanto o ser divino, o que me controla o mecanismo dos órgãos, me permitir continuar a fazer anos.
Quero festas, claro que quero, mas mais do que festas quero os amigos que sempre tive. Eles são especiais e nem estão a ler estas palavras, canso-os com tantos textos que para aqui disparo, mas também não preciso que eles leiam isto. Direi sempre, sem vergonha, individualmente: gosto de ti pa caralho.

O termo não é bonito, é bruto, mas o coração é mole, é intraduzível. É agradecido!

Ral
http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

O meu agradecimento

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Quero acreditar que não me escapou ninguém, que a todos agradeci. A tarefa de dar os parabéns está facilitada pelo Facebook, mas não mandarei boquinhas a isso, ou não fosse eu, constantemente, um dos salvados por ele mesmo.

Agradeci individualmente, porque todos me deram os parabéns individualmente. Faz-me sentido.

Foi bom durante o dia passar a conversa por todos os grandes amigos, por todas as pessoas que fazem de mim quem sou. O telefone apitou com o indicativo de Angola, de sítios da Grã-Bretanha, de Dublin a Londres, para não esquecer os ares de França. É assim, hoje já não podemos viver sem Roaming. O nosso coração palpita em muitas partes do mundo, pum, pum, são as saudades. São amenizadas nas palavras, mas só lá para o Natal lhes darei um jeito completo, com fortes abraços e mesas de amendoins e tremoços, regadas a uma boa cerveja das que só se faz em Portugal.

No final do dia, mesmo não ligando ao dia, senti-me abençoado. Não foi um dia extraordinário, foi com trabalho, amor, amigos e família, como no fundo são todos. E isso é a maior prenda que tenho. Ser feliz em todos os dias, até nos mais infelizes. Eu sou sempre eu e vocês são sempre vocês, e só por isso agradecerei toda a minha vida.

Obrigado a vocês, aqueceram um pouco o meu dia de inverno. Enfim, fizeram de um dia de chuva uma tarde de agosto no Algarve. E isso não tem preço. Obrigado!

Ral

 

Basket para todos

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Para quem lê este texto e não é de Ovar, poderá fazer pouco sentido. No entanto, se quem é de fora tiver amigos e gostar de divertir-se, até pode fazer um sentido enorme.

Hoje é dia dos avós e o Mick Jagger faz anos, mas o que me percorre o pensamento é que logo entro na minha primeira paragem de férias deste Verão – sem deixar de enviar um beijo aos meus avós e dar os parabéns ao Mick. Vou descer um bocadinho até as zonas de praia, colorir a pele de tom mais escuro e deixar-me cair em mergulhos apaixonados e caipirinhas frescas. É só, para já, uma semana, mas retemperará forças e aumentará ânsias de felicidade.

Contudo, o título do texto é outro, é o Basket Para Todos. Uma actividade que se tornou tradição em Ovar e que reúne gerações, faz os mais pequenos e os mais velhos sorrirem como se todos tivessem nascido no mesmo ano e partilhassem os mesmíssimos interesses. É um festival de alegria, onde também se joga basket. Participo nele desde a primeira edição, desde que se começou a jogar no playground de São Miguel. A organização era outra e as coisas foram evoluindo, mas o intuito mantém-se: amizade, diversão e basket. Tudo coisas boas!

Nunca fui de me ralar de encurtar os meus minutos em campo, para os que dominam mais a modalidade que eu, sempre me importei mais com as conversas de balneário, com os cumprimentos de força e com as fraternidades pós jogo. Aí, sim, sinto-me um crack. A nossa equipa foi-se metamorfoseando ao longo dos anos, mudando algumas peças, contudo a imagem manteve-se idêntica. Amigos felizes, divertidos, com histórias para contar e jantares de não mais esquecer. Para mim, isso é o basket para todos. É, aliás, o sentido de tudo na vida. Queiramos nós ser felizes e podemos ser. Ainda assim, a minha equipa, este ano chamada de Gangue Malvado, jogará a final e eu já cá não estarei. Sem hipocrisias, as finais são para ganhar e eu torcerei pelo sucesso, num torneio onde já jogamos finais e meias-finais e nunca vencemos. Não obstante, existe uma conquista que já ninguém nos tira. Os minutos, horas, dias e semanas que já passamos ao longo dos anos neste torneio. Poderei viver cem anos, algo que até tenho esperança que aconteça, que nunca esquecerei estes convívios de Julho, que se apresentam como um pré-Verão recheado de alegria e companheirismo.

Assim, à distância, amanhã estarei a torcer por vocês durante todo o jogo, a brindar a cada um dos copos que levantem no jantar final e a agradecer a todos os outros participantes que abrilhantaram este torneio que é de todos nós.

Vivo de felicidade e no Gangue Malvado ela existe, pelo que já me sinto Campeão! Agora, só falta marcarem triplos, não falharem bandejas e acertarem nos ressaltos, para me recordarem que só faço falta no jantar. Aí, no jantar, não admito que não se recordem que eu podia brilhar e ser o melhor marcador, no restante confio em todos, desde os treinadores pouco consensuais, até aos adeptos fieis e aos jogadores bem-dispostos. O título está ganho, este mês já ninguém nos tira!

Até já, que as celebrações não acabarão amanhã!

Ral
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O Verão que há

esplanada, férias, verão, amigos

Depois de um Abril, um Maio e um Junho de chuvas,
Chega um Verão a ferver,
Para conversas múltiplas ou unas,
Em esplanadas que nos enchem de prazer.

Amigos são como um sinónimo,
São como uma casta,
Fazem com que na vida não sejamos um anónimo;
Fazem com que irradiemos felicidade, mesmo sem pasta.

O país está mal,
As oportunidades escasseiam,
Mas eu lá me mantenho pelo Sobral,
Agarrado aos amigos que por cá jornadeiam.

Uns deixam saudades, os que estão longe,
Contudo, eu sei que não esquecidos.
Estejam em Luanda, em Le Blanc, em Argenton, em Londres ou em Limoges,
Por cá são sempre lembrados.

Agora, com o sol no céu posto,
Já me encho de vontade de mergulhar,
Pois o tempo já lembra Agosto
E esta é a estação de aproveitar.

As férias hão-de chegar, suadas e merecidas,
Como uma recompensa do dinheiro que não vem,
Que não aparece,
Mas que a gente não esquece.

Ral