Para ti, meu irmão!

irmão, amigo imaginário, amorHoje é o dia mundial do irmão, todavia eu sou filho único. Alimento o irmão que nunca tive. Um género de amigo imaginário.

Confesso que, na meninice, senti o vão da ausência de um irmão. Residíamos uma fase em que era pouco usual verem-se filhos únicos, poucos eram os meus amigos na mesma situação que eu. A grande maioria dividia-se em duas fatias, de um lado os que tinham os irmãos mais velhos e bem-sucedidos, o que lhes outorgava um certo status por descendência, e os que tinham irmãos mais novos, o que lhes legava um certo autoritarismo pela postura sobranceira que adoptavam no seio familiar. E eu ali, sozinho de irmãos, a perceber um bocadinho de cada um. A aprender, de certa maneira, como seria se tivesse um irmão.

A desenvoltura dos anos, porém, trouxe-me uma visão diferente dessa situação. Amadureceu-me, portanto. Percebi, com naturalidade e sem celeuma, que os meus pais já não se aprontavam para trazer mais descendência, o que, a bem da verdade, até me era vantajoso nos afagos e prendas. Virei mimado, claro. No entanto, entendi que, afinal, eu não era assim tão solitário, que dispunha de amigos em quantidade avultada. Não sei se por ter transitado esse amor, que nunca dei a um irmão, para pessoas que me eram próximas, ou se, somente, fui bafejado por uma benquerença que me ladeou de pessoas boas. A verdade é que reparei que era feliz. Todo feliz.

Assim, neste dia especial para os irmãos, escrevo este texto ao irmão que nunca tive. Sei que, se ele tivesse vindo, eu o teria amado como se fosse uma parte de mim, uma extensão do meu corpo que jamais estaria preparado para abandonar ou deixar de apoiar e admirar incondicionalmente. Não obstante, ele não veio e não posso deixar de lhe agradecer. Não sei se com ele não teria sido igual, mas ainda assim arisco agradecer. O amor que ele despoletou no meu íntimo, bem lá no fundo do meu interior, eu transpus para os meus amigos, para aquelas caricias da amizade que me transportam pessoas da primária até à universidade, do jardim-escola até ao infinito dos meus dias.

Mano, não nasceste, mas deste-me a possibilidade de utilizar este termo – mano – para todas as pessoas que me completam de alguma forma. Uns são mais de quando faço uns jogos de basket ou futebol, outros são mais das noites tolas em que bebemos um copo, outros dos cafés semanais, outros da altura das férias, outros do somatório de tudo isso, mas no fim são todos meus manos. Cada um completa-me em determinada coisa, faz uma extensão de mim. Tu, irmão de sangue, que nunca nasceste, desejo que saibas que te amo. Se alguma vez duvidares, espreita o quanto respeito cada amigo, o quanto admiro cada traço deles, para saberes tudo o que teria para te dar.

Para encomenda de livros, sem portes: ricardoalopes.lopes@gmail.com

Para compra directa: http://www.bubok.pt/livros/6257/Realidades

O raio do destino…

Podia ter sido tão feliz, podia ter conquistado o mundo, podíamos ter ficado juntos para sempre… mas o destino não quis!

O destino é tramado!

Ele é totalmente abstracto, mas veste-se de rigidez, para arcar com as culpas das falências, de milhares de seres espalhados por esse mundo, por esse planeta. O destino é danado! Eu não o conheço, não o consigo tocar, mas conheço tantas pessoas que já viram a sua vida destruída por ele. Será ele um Deus do mal? Omnipresente e maldoso? Maléfico e perverso?

Nunca ouvi ninguém elogiá-lo, dizer que conseguiu isto ou aquilo, conquistou este ou aquele, porque o destino assim o quis. Nunca, nunca, nunca. Ouço sim que perderam isto ou aquilo, não conseguiram conquistar este ou aquela, porque o maroto do destino lá se pôs no caminho. Esse malvado, o destino. Por que é que ele não junta as pessoas? Por que é que as pessoas só falam dele quando roubou algo?

Ele é um bocado larápio, não é? Rouba a vida, a felicidade, às pessoas. Eu não o conheço, mas pelo que ouço falar dele não tenho curiosidade nenhuma, também. Pensando bem, até tenho. Eu, qual psicólogo, imagino-o como um coitado, frustrado e desesperado, por arcar com as frustrações de um mundo inteiro. Cansado de viver. Cansado de viver as frustrações dos outros.

Ele não será como um amigo imaginário? Na infância, criamos esses amigos, com nome, traços de personalidade, que servem para nos acompanhar, para nos dar alegrias que, nos momentos a sós, não seriam possíveis, de outra forma. Na idade adulta, criamos o destino, igualmente imaginário, mas sem traços de personalidade. Pois, não convém que ele tenha personalidade. Não convém porque se a tivesse não aceitaria ser culpado por todas as frustrações sem ripostar, sem exclamar que tu e tu é que se deviam ter mexido por isto e aquilo e não culpá-lo a ele pelo que não fizeram.

O raio do destino… é o amigo imaginário dos pouco audazes!

 

PS – Já sabem que para saber mais sobre o livro que, em princípio, irei lançar, é só passarem aqui: https://www.facebook.com/groups/118634761614210/