Escrever sobre altruísmo

altruísmo, ajuda, apoioEscrever sobre altruísmo é oferecer-vos as palavras, dá-las em vitrinas feitas de pensamentos meus, para me tornar interlocutor de palavras vossas.

Tudo começa nas palavras. Falam da tecnologia, da evolução, mas é a comunicação, as palavras, que tudo movem. O mundo gira soprado pelas palavras. Elas são altruístas. Não têm como não ser, quando se resumem em partilha. Usamos as palavras para falar para nós, mas essa reflexão, essa conversa para dentro, é somente um rascunho do que pretendemos decifrar, partilhar, aos outros. Falar é ser altruísta, usando palavras boas ou más, bonitas ou feias, caras ou corriqueiras. Eu sinto que sou altruísta. Gosto muito de ajudar os outros no que posso. Mas ajudo muito nas palavras, os actos são deles. Eu digo, porque já o vivi, faz assim; a decisão de fazer é dele. A vida é dele. Eu delego um pouco de mim nele, com palavras altruístas, mas a decisão, o movimento, a atitude, tem que ser dele. Ele é que sabe. Ele é que decide.

Contudo, não só as palavras que fazem o altruísmo. Os gestos também fazem, claro, conforme a situação. Se o homem tem fome, altruistamente, eu posso dizer come, porque sei que a fome se mata com comida, não obstante, se ele não tiver dinheiro, a palavra não é altruísta, é chata. Ele sabe que a fome se assassina com a comida, falta-lhe é o mote para a comida. Aí, nesse caso, eu preciso agir. Preciso, afinal, dar-lhe a comida. Não o dinheiro. A comida. É essa que lhe vai matar a escassez, é essa que vai fazer de mim altruísta.

Altruísta, aliás, que já fui agora. Falei do altruísmo, pus-vos a pensar no altruísmo e a ver que um senhor com fome pode ser mais feliz com um pedaço de pão.  Haverá algo mais altruísta que isto? Não sei, não posso saber. Vocês é que estão desse lado, você é que têm problemas que este ecrã não me deixa ver. Posso ajudar? Juro que quero ajudar. Gosto de falar, de conversar com pessoas que necessitam de palavras minhas, de atitudes bondosas. Isso, ajuda, é o que eu quero dar. Mas ajuda não é altruísmo, se for favor. Atenção, altruísmo é dar sem mais nem não. Não há condição. Não há interesse. Só bondade. Só coisas boas.

Altruísmo é bonito quando não quer ser bonito. Se for atrás da lindeza não é altruísta, é exibicionista.

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Em terra de ninguém

Quantas e quantas vezes somos estrangeiros. Somos estrangeiros no nosso país, somos estrangeiros no país dos outros. Não somos de ninguém, mesmo sendo de todos.

Que belo texto aqui fiz, mas a verdade é que por vezes me sinto assim. Não encontro identificação com quem me rodeia, seja português, inglês ou francês. Frustrante e aliciante, portanto.

Frustrante porque por vezes sentimo-nos sozinhos, mesmo que em muitos sentidos seja bom andarmos isolados, em muitos outros queremos companhia. A partilha de ideias, o esclarecimento de dúvidas, a recolha de experiências é para nós um forte potenciador de felicidade e sucesso. Como eu quero ser feliz e bem-sucedido, torna-se fácil a compreensão do meu desapontamento. Ainda assim, não deixo de travar batalhas, de agarrar por um braço quem merece e puxar até mim, até ao meu lado. A sobranceria de afirmar que eu é que estou no caminho certo faz de mim um arrogante, sem dúvida. No entanto, se olharem em detalhe para a afirmação, perceberão que eu sinto-me é inseguro, que procuro um apoio que não me exponha tanto a incertos. Não quero ser feliz, quero que sejamos felizes.

A soma do parágrafo anterior é a prova do quão aliciante é viver desta forma. No fundo, o que faço é acreditar no disparatado. Olhar para ideias estapafúrdias e tentar fazer delas exequíveis. Sem nunca ter receio de as expor. O segredo para não sermos copiados é sermos estúpidos ao ponto de ninguém acreditar em nós. A desconfiança das pessoas ultrapassa a barreira do lógico e cria acordos próprias.

– Oh, se a ideia fosse boa ele não contava.

Não, se fosse má é que eu não contava. Tinha vergonha, como é óbvio! Mas se é dessa forma que querem comportar-se, é dessa forma que ajudarão sem se aperceberem. Transformam o que podia ser um projecto nosso, num projecto meu. Fazem-me dono da terra de ninguém. Obrigado, pois claro!

Escrevi com o máximo pretensiosismo, que me permiti, este texto. Fi-lo porque hoje estou confiante, porque hoje estou feliz, mas acima de tudo porque quero que hoje  estejam felizes e confiantes.