Oi, Linda

Oi, Linda - dia dos namoradosAmanhã é o dia do amor. De celebrarmos isto que nos liga. Ardente por vezes, muito monótono noutras ocasiões. Sempre ansioso.

Queremos mais, não é?

Não há mal nenhum nisso. Desde que não nos separe, como é lógico. Queremos mais, fazemos para que seja mais. Damos a mão e discutimos. Atiramo-nos ao abismo do desconhecido juntos. Sempre juntos. Porque, desde que te conheci, nunca mais te larguei da mão. Ao início, não sabia bem quem eras, portanto sorria de tudo. Tudo era perfeito e uma aprendizagem. Que bom!

Com os anos, claro, começam a vir alguns entraves. Deixamos estas pegadas no caminho que nos influenciam. Queremos agradar a sociedade, criamos crenças que nos limitam mais do que potenciam, mas continuamos juntos. Eu e tu. E isso é que importa, não é?

Sua linda, vida.

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Um sonho real

Loba.cx

Ando a tentar aprender uma coisa por dia. Hoje, ontem e anteontem foi a ser grato pelo que a vida me dá.

Aqui estão alguns, no total somos mais de 80. Uma família? É exagerado. Os melhores amigos? É sempre suspeito. Mas pessoas que se respeitam, relacionam e remam todas para o mesmo lado. A rir, a chorar e a suar. Tudo faz parte.

O trabalho e a vida pessoal não se separam, completam-se. E termos na nossa vida 80 pessoas, com quem partilhamos grande parte das nossas horas, todas a remar para o mesmo lado é algo que nos deve fazer sorrir e agradecer. Respeitar.

E admirar.

Por tudo isto, receber uma estrela, no meio deste universo tão grande de pessoas incríveis, em que qualquer uma merecia, faz-me sentir ainda mais incrível. E quando temos pessoas à nossa volta que nos fazem sentir incríveis, só devemos agradecer.

Obrigado, Adelino Silva e João Gaspar, por terem criado muito mais que uma empresa ou agência. Por terem criado um sonho, que se tornou de todos. E continua.

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As Praias que me movem, como ao Mar

As praias que me movem, Costa da Caparica

1 mês por cá e a linha do horizonte continua deitada, a areia a receber o mar e o mar a ir e voltar. A procurar e a achar.

O mar é uma boa metáfora. Aquece e arrefece em função das marés e não da estação do ano. Nós é que nos deixamos enganar pela temperatura em volta, pelo ambiente que nos rodeia. Vai e vem. Muitas vezes. Sempre à procura de novas correntes, a fazer novas ondas e a procurar costas onde esbarrar. E esbarra sempre. Porque elas podem ser mais íngremes, empedernidas ou arenosas, que são sempre costas. Praias e penhascos. Portanto, a visão é diferente, mas a sensação é a mesma. De conquista. Conquista metros de costa – mais do que devia, até, no nosso Furadouro e em outras praias -, mas sabendo que o procura é sempre o mesmo. Acalmar as suas correntes. Rebentá-las em algo que lhe dê chão. Para, depois, voltar à sua imensidão certo que escreveu mais um capítulo de vida. De rebentação. De calma que vem da agitação e que cria mais agitação. Entusiasmo.

E eu sou um assim, um mar que veio rebentar a Lisboa. E que gosta de Lisboa como gosta de Ovar, do Porto ou da Indochina. Desde que rebente as minhas marés em praias que me acalmem e agitem para novas aventuras. Como esta da Costa da Caparica, que foi uma das primeiras que me recebeu.

Preencher o tempo até às férias!

Aborrecimento e Tempo

Fui arrombado por uma sensação que me fez pensar no quão mal poderia estar: a um domingo à noite, com o corpo besuntado de sol e a pele reluzir cremes muito úteis no pós-sol, pus-me a ler artigos (Bertrand Russel, Marco Aurélio, Eugene Delacroix, etc) sobre o aborrecimento. Haverá coisa mais aborrecida, do que ler sobre o aborrecimento?

Eu acredito que sim. Gosto tanto de ler sobre as coisas que amo, como sobre as que detesto. Acho – ou sinto! – que o conhecimento de tudo o que nos envolve, querendo ou não que seja relevante na nossa vida, é que nos permite lidar com essas situações. Sou pouco de “inteligenciar” as emoções, mas sou muito de baralhá-las. Assim, procuro formas de as controlar. Hoje melhor, amanhã pior, depois sempre diferente. Gosto de conhecer. Gosto de ler. E só sei que não amo o aborrecimento, porque sei o que é o aborrecimento. Não porque tenha lido sobre ele, apenas porque senti vontade de pesquisar sobre ele. Aborrecido não é esperar, aborrecido é fazer coisas para ocupar tempo. E isso eu não faço. Procuro coisas que amo e que possa encostar nos momentos de menos loucura, para que preencham o espaço com a sua existência. Nunca para que eu não fique aborrecido. E digo-o, a isto, com a certeza premente que falta uma semana para as minhas férias e não quero seguir o tempo até lá. Quero fazê-lo, vivê-lo, preenchê-lo e aproveitá-lo. Senão, serei só mais um a lutar contra o aborrecimento. E isso, com pena, já existe em demasia. O tempo não se ocupa: preenche-se. Eu vou preencher o meu. Até às férias!

Dia dos avós

1 – Tinha pouco mais que três anos, quando ela me gritou: “Como é que foste capaz, Ricardo?”, sem conseguir esconder um sorriso que lhe fugia pela cara, nos olhos, nas covinhas e nos lábios. Criava galinhas (três ou quatro) e eu despejei um saco inteiro de milho. 5 Kg, salvo erro. Era a minha bisavó. Ajudou a que eu fosse criado com um sorriso até perto dos meus cinco anos. Depois que partiu, fui incapaz de entrar em funerais até à idade adulta.

2 – Estava emigrado, via-o pouco. Não era um santo, mas também não era um mau homem. Levava-nos sempre aos melhores restaurantes. Não por serem os mais caros, mas porque todos gostavam de nós. A comida era só o tempero, o resto é que era o valor. Acompanhei-o nos últimos tempos, no último dia, nos últimos minutos. Era o meu avô da Venezuela. Materno.

3 – Era ruim, gritava muito, desdizia-se a cada frase, mas bastava um neto levantar o olhar, que tudo mudava. Não era a voz, era o olhar. Apenas aparecer. Talvez eu devesse ter aparecido mais. Nem sempre a vida deixa, mas devia. Não porque fosse melhor pessoa por isso, mas talvez porque ela ficasse mais calma por isso. Partiu há pouco tempo e deixa a saudade de saber que podia ter vivido mais. Não em anos, em momentos. Mas os nervos domavam-na. Foi assim quase toda a vida. Ainda que tivesse abraços, raros, especiais.

4 – Está vivo, com o seu aspecto galã. Calmo, apaziguador e de opiniões vincadas. É o meu avô paterno.

5 – Sempre bem-disposta e com um ar optimista que contagia. Não precisa de muitas palavras para mostrar que a família é tudo. Do mais novo ao mais velho, todos tratados da mesma forma. É a minha avó paterna.

Passou o dia e não liguei a ninguém. Deixo as frases dos que estão vivos mais curtas, para que as possa dizer pessoalmente. Não porque duvide do que sinto, não porque ache que sou má pessoa por ser desligado ou sempre com muitas coisas para fazer, apenas porque o quero fazer. Mas o que me dói é não ter ligado ao meu pequeno, que perdeu a avó há pouco tempo e não lhe via a maldade que a idade adulta teima em mostrar. Apenas a beleza do abraço que eu sei o que fazia sentir. Não esqueci. Os netos são sempre os netos, mas só porque os avós existem. Hoje é o dia deles e esta é a minha homenagem. Não é um texto que resolve a ausência de chamadas, mas é um texto que mostra que não ficaram esquecidos. Um beijo, avós. Todos. Vivos e não. E um beijo meu pequenito, que és maior que a idade que tens. Muito maior. E sabes amar o amor como os adultos não sabem. Ou não se lembram. És lindo!

(Re)Começo

(Re)ComeçosUm início de ano diferente! Tirou-me da minha zona de conforto, arremessou-me para o entusiasmo duma nova aventura – onde se multiplicam os erros e as aprendizagens -, ao mesmo tempo que me permitiu viver o meu carnaval. Não podia ter sonhado com nada melhor para este (re)começo. Não porque estivesse infeliz na minha ‘anterior’ vida, porque não estava, apenas porque o desconhecido, o risco e a adrenalina, ainda que sejam desafiantes, só fazem sentido quando temos um rumo. E eu estou a fazer o meu.
Um novo desafio começou, profissional e pessoalmente. Estou feliz. E o resto são peaners. Viva o Carnaval e a vida que queremos viver!

Carnaval de Ovar

Carnaval de Ovar

Nunca será fácil para quem é de fora compreendê-lo. Nem é esse o objectivo. Vestir calças aos xadrez e camisas às riscas, usar óculos escuros à noite, trajar o casaco dum grupo todos os dias, durante um mês e tal, não falar de mais nada, jantar sempre juntos ao sábado, e talvez à sexta, quem sabe à quinta e até ao domingo. Passear com orgulho a presença num grupo, sabendo que há trabalho para fazer na sede, que a pressão aperta, que a família sofre, que os olhos pestanejam no emprego e as pernas latejam. Sair de casa à quinta e voltar ao domingo. Fazer uma noitada e estar desperto para desfilar logo no fim dela. Atirar os foguetes e apanhar as canas quando ficamos em primeiro, em segundo, em terceiro, em décimo ou em centésimo. Explicar que não vamos “fantasiados de quê”, que vamos a fazer um espetáculo de rua. Dar a entender que todos os caminhos se lotam de pessoas em euforia e que isto não é só um feriado ou uma tolerância de ponto, é uma forma de estar, uma época que é ansiada, uma adrenalina que não é partilhada. Correspondida, mas não partilhada. Vivida, somente!

Isto é nosso. É o nosso carnaval. O que ninguém percebe, mas admira. O que ninguém gosta, mas só até experimentar. Este grupo são os Vampiros, o meu, num ano há algum tempo ido, mas que tão grandes memórias me deixa. O valor é de todos. Todos mesmo, sem excepção. Os elementos, os apoiantes, os foliões e até os desconfiados. Todos eles fazem o Carnaval de Ovar e sem algum deles seria impossível. Portanto, não se esqueçam: desfilem, trabalhem, saiam de casa, bebam copos ou água, reclamem, digam que podia estar melhor, que antes é que era, mas nunca deixem de falar do Carnaval de Ovar. Isso é que faz de nós grandes. Os maiores!
Viva o Carnaval de Ovar!