O Porto (fora) do Instagram

O Porto (fora) do InstagramO mal dos nosso dias é a força com que pensamos, ao invés de sentirmos. Paramos a olhar uma paisagem e pensamos no quotidiano, pensamos há quanto tempo não estávamos ali no nosso Passeio das Virtudes, ou a mirar o nosso Porto desde a Serra do Pilar. Mas não sentimos. Não notamos o ar a entrar-nos pela respiração, em vez de apenas sair.

Vivemos uma agitação contínua que é comandada pela necessidade de desempenhar papéis. Temos que ser bons homens e mulheres, temos que ser bons profissionais, excelentes pais e mães, ainda melhores conselheiros e não podemos ser demasiado macios, nem contemplativos, ou corremos o risco de ser engolidos pela fervorosa onda de intrépidos conquistadores do quotidiano. Sobreviver não é difícil, é só ter capacidade de adaptabilidade, um certo jogo de cintura no pensamento, para agora sermos vorazes profissionais e a seguir melancólicos confidentes. Mas, no fim, não vivemos, porque queremos corresponder apenas ao que esperam de nós, ou ao que achamos que esperam de nós. E paramo-nos nos momentos, mas apenas para fotografá-los. De que me vale ir ao Douro, aos socalcos do vinho mais dourado do mundo, se não o fotografar, se os outros não souberem que lá estive?

E aí perdem-se as histórias. O Porto é para ser visto, mas é muito mais para ser vivido. Experimente parar-se nele, olhá-lo, viajá-lo em sensações e terá muito mais para contar que num filtro de Instragam.

Ricardo Alves Lopes (Ral)
Ricardo Alves Lopes – Marketing & Comunicação
www.ricardoalopes.com — com Ricardo Alves Lopes.

Texto escrita para a página de Facebook da Gbliss – Follow your Bliss

Benchmarking da vida

Benchmarking da vida

Sou amarrado ao efémero. Desde miúdo que sou assim. Não me consigo concentrar na mesma tarefa por demasiado tempo, porque a cabeça me viaja. Vivo tantas vidas, sinto tantas coisas e descanso tão pouco.

Esta é a história da minha vida.

Nasci a jogar à bola e a pensar em ser polícia, depois assaltante, a seguir queria ser jornalista, mas depois tinha a vontade de ser eu o motivo da notícia. E fui estudar Turismo e acabei no Marketing, a pensar como gostava de ter talento para ser escritor. Feliz. Sempre feliz. A sofrer muito no caminho, entre provas sem prova, entre confusões sem confusões. Sempre fui assim: capaz de me confundir onde não há confusão nenhuma; capaz de ver a luz onde só existe o breu. Não me sinto mal por isso, só me sinto pouco coerente. Acasos, gostava de ser mais coerente. Não pela vontade de ser mais perfeitinho aos olhos dos outros, apenas pela vontade de sentir, para mim mesmo, que sou capaz de fazer mais. Aliás, de ir mais longe. A minha vontade é ir mais longe, sempre mais longe. Mas entrego-me pouco a essa necessidade. Trabalho muito, é verdade, mas com o coração. E o coração nem sempre é grande parceiro da metodologia.

Tento melhorar essa parte, porque, quando calha de arranjar tempo para mim, percebo que me apaixonei novamente pelo que já foi um amor. Quando pensei que a tarefa estava inócua, que já nada de novo tinha a me dar, percebo que não, que a responsabilidade era apenas minha. Punha outras tarefas à frente dessa, que me pareciam mais entusiasmantes naqueles instantes, mas depois percebia que não podemos amar tudo ao mesmo tempo. Que há as pessoas com quem passeamos de mão dada e mulheres que abanam os atributos na pista, mas nem tudo é o mesmo, nem todo o desejo é igual, muito menos o amor se compara. No trabalho é igual. Eu percebi que é igual.

Preciso organizar-me, menear-me entre o urgente e o fundamental, partir para o mar das alucinações em devaneios de escrita, mas mantendo os pés na areia movediça do quotidiano onde tudo está a acontecer, onde posso fazer a diferença. No quotidiano, embrulhados entre cafés para despertar e computadores abertos sempre na mesma página, é onde podemos fazer a diferença. E eu quero fazer a diferença. Não é muito humilde dizê-lo, mas se não for gabarolas para mim, nunca serei humilde para vocês. Os que se escondem nas palavras de arrogância, quando falham na quantificação dos objectivos internos, é que se tornam mais expressivos na sua vontade de serem bons aos olhos dos outros. E eu quero é ser bom para mim, sempre para mim, que, quando o for, quando me sentir ainda mais orgulhoso de mim, vocês vão notar.

E a melhor publicidade não é a que diz melhor, é a que mostra melhor. Não sou o mais pequeno do mercado, contudo também não sou o maior. O pulo é que vai definir o rumo e o destino. Se for grande, ah, se for mesmo grande, vou altivar-me para outro patamar; se for pequeno, vou ter que saltar novamente. E novamente; e novamente; e novamente. Até que o pulo me seja tão grande que não me lembre das vezes em que não consegui. E isto é benchmarking.

Entretanto, recebi mais uma proposta de trabalho para o ricardoalopes.com e fiquei muito feliz. Foi mais um pulito.

Lisboa

Lisboa

 

Demovo-me da vontade
que tenho de te puxar,
meu amor. Não o poderei
fazer, mesmo que só te queira para ficar.

És linda, bela como uma
flor pousada no regaço
de uma varanda, toda ela,
voltada para o esplendor.

O sol brilha, tão alto,
a maré passa pelo Tejo,
subo os Descobrimentos
e recordo-me de há quanto não te vejo.

São rios de flores,
marés de ilusões
e lá caminho eu,
sozinho, até ao Camões.

Restauradores, Chiado e Bairro,
tudo a compasso da minha
solidão, por entre vazios,
que um dia já foram a minha imensidão.

És bela, planas pelo Terreiro,
lado a lado com o Arco,
mas não te posso agarrar;
és livre e eu já sou forasteiro.

Nunca fui dono dessa magia,
mas nos momentos a sós,
sentia uma imensa alegria.

És livre, Lisboa,
e eu sou apenas
admirador, ou não
houvesse vivido em ti um grande amor.

Ela admirava-te,
queria passear-te
e nunca mais deixar-te.

Porém, hoje, meu amor,
sou e tu,
com este nosso ardor,
que já não disfarça a dor.

(beija-me)

Ricardo Alves Lopes – Marketing & Comunicação

Marketing, Comunicação e Sociedade

Meus caros, doces e bons amigos, comecei um novo projecto. É mais uma aventura, em que quero aprender e partilhar com vocês.
Quem tiver curiosidade, pode seguir os links abaixo, fazer gosto na página de facebook ou seguir logo para a descoberta dos textos já publicados. Espero por vocês.

Página de Facebook: www.facebook.com/pages/Ricardo-Alves-Lopes-Marketing-Comunica%

Site: www.ricardoalopes.com

Ricardoalopes – um novo ano

Ricardo Alves Lopes - Ral - TempestadideiasGostaria que o novo ano fosse feito de aventuras do passado, com criações bem presentes. Era isto que eu desejava.

Na enxurrada de ideias que nos desaguam quando um ano se apronta para findar, esta foi uma das que me assolou. Pensei nela uma vez, depois uma segunda e quando me dei conta uma terceira. Queria resoluções, como todas as pessoas querem quando julgam que algo de novo está a começar. Pensei deixar de fumar, mas comecei logo mal o ano: sem deixar. Pensei em ser menos ansioso, mas quanto mais dava por mim a pensar em ansiedade, mais ansioso ficava. Desisti.

Coexistia com essa romaria de pensamentos nas primeiras horas do ano, ou dias, até que peguei numa ideia do passado e reflecti: se o novo ano é para coisas novas, porque não reformular obectivos antigos?

E assim fiz. Comecei, ainda no segredo dos deuses, um plano que há algum tempo tinha para mim. Partilhá-lo com vocês é mera vaidade, um certo pretensiosismo de quem quer falar, falar sempre, mas nunca correr o risco de não ser escutado. Eu sou um bocado assim, mas tentar negá-lo só se for lá para 2016. Que este ano estou a principiá-lo com um novo projecto, feito de ideias antigas. Está para breve. Se quiserem, aguardem. Darei novidades, porque ‘ricardoalopes’ deixará de ser apenas a minha abreviatura de nome para o e-mail. Será algo mais, que espero que possam gostar.

Eu, por cá vou andando, sorrindo para os desejos e rangendo os dentes aos medos. Se um dia for ridículo, sei que todos mo dirão. E aí eu aguentarei. Até lá, vou testando os meus limites.

Cabeça no presente, olhos no futuro

Cabeça no presente, olhos no futuro

Usando uma analogia futebolística: a passagem dos escalões de formação para a equipa principal acarreta uma série de dificuldades, que se resolvem com um período de adaptação ou com uma maturidade e talento inatos. No Marketing, ou em qualquer outra profissão, acontece o mesmo.

A minha passagem do contexto académico para uma realidade de mercado, inserido numa PME, foi, primeiro que tudo, entusiasmante, mas também decepcionante. O IPAM dá-nos o que mais nenhuma universidade nos dá: uma enorme aproximação à realidade dos mercados e às vivências quotidianas de uma empresa. Mas, ainda assim, não nos pode dar o que só o tempo dará: experiência.

Desse modo, os meus primeiros meses foram desafiantes. Cheguei a uma empresa sem qualquer tipo de base de gestão de marketing, em que necessitei de criar uma identidade, primeiro visual, para a marca. Os lugares onde era necessário distribuir o produto e a informação, a coerência de comunicação necessária em todos eles, o deixar claro a toda equipa de trabalho o que nos diferenciava, para nos posicionarmos com uma missão e visão claramente definidas.

Tudo isto parece a base de um qualquer relatório que produzimos para uma cadeira, mas a verdade é que engloba outros factores que, até chegarmos ao trabalho, não ideamos. Por exemplo, a base de tudo, para um conhecimento real dos resultados das nossas acções, é algo tão básico como métricas. E por métricas estou a referir-me aos princípios mais básicos de controlo, como são o número de contactos recebidos, ou o número de orçamentos enviados, mas a verdade é que nem sempre existe predisposição imediata para isso. Compreendamos que essas barreiras não surgem por má vontade ou desleixo das pessoas, surgem por uma falta de hábito, que implica uma mudança de rotinas. Essa mudança leva tempo, mas não foi para mim uma derrota trabalhar meses a fio numa tarefa, aparentemente, insignificante. Foi o contrário.

É importante estarmos disponíveis para laborarmos todos os detalhes e os compreendermos de uma forma mais ampla do que eles parecem no momento. Eu não lutei para que fizessem tracinhos numa folha quando o telefone tocava, lutei para que compreendessem que cada tracinho nos diria onde estávamos a falhar e a acertar e que poderiam ter peso na estabilidade do futuro profissional deles. E isto, estou em crer, é o fundamental para conseguirmos manter a motivação no nosso trabalho.

Obviamente, toda esta minha experiência poderá estar extremada pela realidade que encontrei (uma empresa sem quadros superiores), mas são coisas que acontecem, acreditem. Já tive a possibilidade de prestar serviços, ao nível da criação de conteúdos, em empresas do sector turístico ou de Facebook Marketing, já tive a oportunidade de me expressar em público em alguns colóquios e em todas essas ocasiões cheguei a uma conclusão: os entraves ao nosso trabalho estarão sempre nos hábitos e receios. Claro que os budgets nos ajudam e me têm permitido participações feiras de negócio ou publicidades massificadas importantes para a empresa, mas, actualmente, temos ao dispor um infindável número de opções de baixo custo que permitem promover a notoriedade da marca ou alicerçá-la ao nível comercial, o que não temos é um chip que permita que, no imediato, as pessoas vejam algo arrojado como uma saída de futuro.

Existe no nosso país uma vontade muito enraizada, quando toca a negócios de pequena dimensão, mas também em casos de negócios maiores, de procurar seguir por caminhos já antes trilhados que, à partida, são sinónimo de sucesso. Quando cheguei à empresa, uma empresa de peças de automóvel usadas, pedi ao designer subcontratado que realizasse, em conjunto comigo, um branding em que fosse possível a descolagem dos carros e, ao mesmo tempo, fosse colorido. O resultado chegou e todos duvidaram, ninguém queria crer que aquilo, cheio de verdes e cores diversas, poderia ser a imagem de uma empresa que vende peças automóvel usadas e é associada ao termo ‘sucata’ (tão depreciativo e bruto). Mas a verdade é que, quatro anos volvidos, foi exactamente esse arrojo, em junção com o nosso posicionamento e produto, que nos colocou no sector como uma referência. O verde só queria demonstrar que, reutilizando, somos amigos do ambiente. Como vêem, o princípio era básico.

Por isso, para concluir, digo-vos: não deixem que as hesitações alheias inibam as vossas crenças. Cada não que vos é dito é uma nova possibilidade de procurarem (e estudarem) mais fundamentos para as vossas ideias. Se eu tivesse desistido, quando não me punham risquinhos numa folha de papel, se calhar não continuava na empresa, não teria tido possibilidade de colaborar pontualmente com outras empresas, não teria tido a coragem de me tornar cronista em alguns jornais, muito menos de ter editado um livro com o IPAM.

Não são áreas que se toquem, a escrita é apenas a minha paixão, mas só quando conseguimos acreditar em nós, no trabalho ou na vida, temos a capacidade de lutar pelos nossos sonhos. Eu lutei. Ainda não realizei nem um terço deles, mas tenho uma vida pela frente e a certeza que já realizei alguns a dar-me força.

Não desistam! As dificuldades, quando acreditam no vosso trabalho, são apenas os degraus para chegar ao cimo. Cansam, mas enrijecem.

 

Artigo redigido para a revista digital IPAM INTERACTION, em Outubro de 2014 (páginas 17, 18 e 19) 

Link revista:        http://issuu.com/ipamaveiro/docs/ipamnews_6

Link de vídeo em contexto trabalho: http://vimeo.com/110870233

Site da empresa: http://www.jesusbaptista.com/pecas-auto-usadas/

Desafios

Se tiverem curiosidade sobre o início do meu percurso profissional e sobre alguns desafios que fui encontrando, podem ler as páginas 17, 18 e 19 da revista Interaction Ipam News, onde escrevo sobre isso.

O meu muito obrigado ao IPAM e à sempre simpática professora Irina Saur-Amaral, por mais este convite/desafio, que tanto prazer e orgulho me deu.

http://issuu.com/ipamaveiro/docs/ipamnews_6