Os silêncios sinceros com que as crianças nos ensinam

Silêncios sinceros com que as crianças nos ensinam

A volta à escrita. Tenho passado tanto e tanto tempo com este blog vazio. São dias inteiros preenchidos por sonhos, por vontades cada vez mais vincadas de sermos mais e melhores e são os mais pequenos a ensinar-nos.

A sinceridade com que nos brindam assusta-nos. Não há influência do medo de ser inferior, da necessidade de pintar a moldura com o melhor quadro, de ser sempre perfeito. Querem ser sempre só eles, ensinam-nos a mostrar a verdade, com a fragilidade que ela nos traz, sabendo que é sempre a melhor saída.

A vida rouba-nos a possibilidade de sabermos sequer o que queremos ser. Estamos muito focados onde queremos chegar e investimos pouco tempo em saber quem queremos ser. Eles ensinam-nos. Dizem que querem ser isto, que sonham ser aquilo. Mas nunca colocam os outros no meio dessa equação. Quando colocam é para questionar: queres ser, também? Não se importam nada de termos uma vida organizada, de parecermos mais confiantes do que somos, só perguntam se os queremos acompanhar nesse sonho. É tão lindo. Tão capaz de nos levar de volta às nossas raízes. Porquê que nunca fui bombeiro? Pensei nisso tantas vezes.

Não sei. Sei que gosto do que sou, do que tenho, mas há tanto mais que podia ser, ter. Esse tanto mais é o caminho a ser feito, mas o para trás deixa mágoas. Podemos dizer que não, insinuar-nos que fizemos as escolhas certas, mas deixa. Deixa tantas que, por vezes, assusta-nos que nos digam: pareces sempre bem. Pensamos se ao querermos tanto acertar não errámos.

O caminho fica por preencher com as coisas e pessoas que não estão, com os medos que venceram as vontades vestidos de certezas, de intransigências. Queríamos, mas a humildade de sermos quem somos é, também, aceitarmos quem os outros são, sem supormos. Mas nem sempre é fácil, a vontade de vencer, de ter, é tão grande que não nos expomos ao que somos. Tentamos ser mais. Achamos que os outros queriam mais. Não ficam, afinal, as mágoas. Ficam as saudades do que podíamos ter vivido.

Por vezes, um silêncio vale tanto como um adoro-te, amo-te, quero-te, ou espero-te. Mas também há sempre estes sorrisos de domingo à tarde, dos miúdos que nos dizem: vou, queres vir? Mesmo que estejamos deitados na cama, com os olhos fechados e à espera que a noite chegue. E, se duvidarmos por um segundo, indiferentes à nossa incerteza, apenas repetem: eu gostava. E é isso que conquista: a certeza que se não o disserem é porque respeitam, não porque tentam adivinhar o que somos e queremos. E isso faz-nos aceitar, ir. O medo não é fragilidade, as defesas é que são. E a sinceridade é que conquista, seja forte ou tremelicante. Interessa é que seja sincera.

PS – É assim desde que começou a andar. E é assim que espero que continue a ser. É um puto maravilhoso e tenho a sorte de ser meu afilhado. Os sorrisos valem tudo.

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