Por acaso, não aconteceu nada por acaso

Por acaso, não aconteceu nada por acaso

Houve quem conquistasse o mundo porque foi à procura da sua amada, houve quem parasse guerras porque só queria suportar a sua dor interior e nós perdemos tempo a tentar resolver problemas que ainda não aconteceram. Vivemos na sôfrega ansiedade de controlar tudo o que não foi criado. Aleitamos tudo o que a nossa cabeça nos dá em pensamentos, mas não temos a capacidade de o relativizar e o sentir, porque nunca aconteceu.

Tudo é o fim, para nós. Podia pegar na óbvia expectativa de afirmar que é um caso da internet, das redes sociais, mas na verdade não acredito nisso. Já existia antes, vai existir depois e existe agora. O modo como o propagamos, ao medo do fim, é que é diferente. Ou o modo como nos chega esse medo. A namorada que não nos suporta num contexto e espera de nós uma coisa diferente e antecipamos um final, o amigo que nos goza e esperamos alterar o modo de estar para ficarmos ao nível dele(s), a internet que nos diz o que queríamos mas dum modo diferente e queremos metamorfosearmo-nos para darmos resposta a essa expectativa do que é certo. O outro é famoso porque faz assim, porquê devo fazer diferente? Porque devo ser diferente? Não sou diferente, só sou burro. É assim que funciona o nosso pensamento e não sabemos lidar com ele.

Um ex-professor meu, por estes dias, apareceu destacado na net, com uma frase deste género: “estamos afogados em informação e sedentos de conhecimento”. E é isto mesmo. Perdemos a capacidade de compreender que a informação só é útil quando necessitamos dela, até lá é um armazém de coisas boas que nos podem dar jeito. Mas só quando a experimentamos é que podemos saber se ela nos é útil, até lá, é só o conhecimento de outras pessoas, a experiência de outras pessoas, a tentar agarrar-se à nossa pele e dominar a nossa mente. O acaso deixa de existir, porque achamos que já conhecemos tudo. O JáFoste já contou como é, o amigo já viveu isso e o Chagas Freitas já tem uma frase para o que acontece. E não podemos ser maus, não podemos errar e não podemos sofrer. Mas assim nunca aprendemos, só temos informação e nunca conhecimento. Porque o acontecimento é que promove o conhecimento, não a antecipação. Senão: por acaso, não aconteceu nada por acaso.

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