Esse Desporto Menor que é o Futebol

17150.0.originalEsse desporto menor que é o futebol, que nos tenha ensinado que a vida é muito mais que futebol. A Sara Moreira, a Patrícia Mamona, o Tsanko e o Rui Costa fizeram algo de mágico, que foi visto como bom auguro para o futebol. O Saramago, em tempos, elevou-nos. Não era um Cristiano Ronaldo, mas escrevia diferente, despudorado. No entanto, a diferença assusta, ainda que marque.

Se formos bons, podemos confiar em nós. O medo que temos é fruto duma desconfiança natural. Ai do estrangeiro que nos desdiga, mas, também, ai do português que se imponha. É arrogante. Mas ser arrogante não é ganhar, não é dizer que somos bons, nem é fazer o que aquele menino que nem português fala fez. Abraçar. Nós podemos abraçar e ganhar, ganhar e abraçar. Podemos ser românticos e pragmáticos. Podemos ser tudo o que quisermos. Se expulsarmos o fado. Que o orgulhemos, sempre, mas sem o vivermos. Ele é uma música, não é uma sina. Foi o que quis dizer no meu texto da manhã. Crescemos!

As nossas gerações estão descritas na evolução dos nossos ídolos do futebol. Já não temos que ter medo de quem somos. E, não, o futebol não é menor nisso, não é um desporto de homens, tampouco onde os barbudos bebem cerveja e cospem bacoradas. É onde nos espelhamos enquanto país. É onde os ingleses, os franceses, os alemães e todos se demonstram enquanto países. E isto não é por o futebol ser maior que os países, maior que as artes, ou maior que qualquer outra coisa. É por ser, apenas, um caminho atalhado para todos. E nas outras áreas vencemos um a um, mesmo que tenhamos equipas nas costas. Aqui, no futebol, vencemos juntos. Somos um só. E Portugal conseguiu isso. Evoluiu do Eusébio dos bons costumes, para o Figo que se enturmou nos melhores estrangeiros, até ao Ronaldo que os ultrapassou. No meio teve o Mourinho. No final tem o Fernando Santos. Pelo meio estamos nós todos. Evoluídos, crescidos e mais confiantes. Não deixemos que isto acabe. E não no futebol, no restante. Porque, ao contrário do que pensamos, o futebol reflecte o que nós somos e não nos tornamos em nada por meio do futebol. Somos maiores do que muitos dos outros, porque pensamos muito mais do que os outros, desconfiamos muito mais do que os outros e sentimos muito mais do que os outros. E isso fez-nos sofrer, mas também nos fez crescer. Crescer muito mais do que os outros, crescer com os pés no chão, com as lágrimas na cara e com o pensamento no futuro. O Ronaldo foi quem melhor o personificou, mas também porque nós lá estivemos. Mesmo duvidando, mesmo criticando. Porque era isso que nós éramos. Éramos! Já não somos. Agora, somos os que acreditam que podem ganhar, que podem ser portugueses e bem sucedidos. E no futebol também. Porque a vida não é só futebol. Ele é só o espelho.

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