O Triste Fado do Futebol Português. E da vida!

Triste Fado do Futebol Português. E da Vida!

Não estou contra Portugal, nunca estarei. Acho é que temos muito mais medo de fazer mal, do que vontade de fazer bem.

Sei que nem todos concordarão comigo, que relembrarão grandes selecções de 1966 e 2000, ou mesmo 2004, mas eu acho que o problema de Portugal é, mais do que táctico, cultural. Temos medo de ser felizes. Carregamos o Fado para os mundiais e europeus. Volta e meia aparecem Ronaldos e Mourinhos que contrariam a lógica, mas mesmo eles, cá, embrenhados nesta lógica de não ser demasiado arrogante nem convencido, se retraem. Sentem necessidade de provar que são melhores que os outros, porque todos os põem em causa, todos desconfiam, todos pedem explicações. Todos querem provas, mesmo quando elas estão dadas.

Não é bom ser arrogante, mas é pior ser gabarolas. E os alemães são e ninguém diz nada. Mas não dizem porquê? Porque ganham. Não procuram tantos problemas, concentram-se mais em soluções. Enquanto nós nos mantemos o país dos Descobrimentos, mas que não os soube aproveitar. O país que acha interessante o sucesso, mas não o suficiente para o admirar. “Quando a esmola é grande, o pobre desconfia”. “Há marosca!”. Mas, de repente, num ápice de loucura, da quase bipolaridade que tanto afecta os que não confiam em si, temos um raide de entusiasmo efusivo. E isso faz o quê?

Faz com que nunca tenhamos calma. O fulgor é bom, mas não é constante. E isso é o que os alemães são: constantes. Nós, não. Somos latinos no sangue na guelra, mas hipocondríacos nos pensamentos. Fomos ensinados a desconfiar do sucesso e, por isso, quando ele pode ser real, preferimos tentar explicá-lo, temê-lo, em vez de aproveitá-lo. E isso é triste, porque faz-nos mais invejosos do que verdadeiramente bons.

Hoje, mesmo com o golo deles, podíamos ter ganho. Mas foi uma dificuldade que apareceu e, quando elas aparecem, preferimos cantar o fado e lamentar a nossa triste sina. É menos glorioso, mas é mais emotivo. E isso é o que nós gostamos!!

Não é defeito nem virtude, é feitio. Dizem. Mas, para mim, a boa dose está sempre ao meio. Por isso é que não queria ser alemão. Preferia ser português, como sou, mas com um bocadinho de mais optimismo. O Fado antigo já acabou, agora a Carminho, a Mariza e a Ana Moura até são todas airosas. Nós podíamos fazer o mesmo. Em campo e na vida.

3 thoughts on “O Triste Fado do Futebol Português. E da vida!

  1. Antes do Europeu começar… só se falava de finais e títulos!!! Ontem, depois de um banho de realidade, já se fala em ganhar os próximos jogos. Depois de sábado espero que não se fale em fazer contas e esperar por um “milagre”… tem sido assim!
    Mas se pensar que entramos a perder no europeu caseiro e chegamos à final… vamos acreditar… e esperar que este fado tão português não nos deixe, a todos, fadidos!

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