O 25 de Abril é usado e abusado!

25 de Abril Usado e Abusado

 

Este mote é um bocado estúpido de ser aplicado, num dia como o de hoje. Porém, os valores de Abril são a liberdade, sim, que deve ser celebrada sempre, com toda a exaltação que o direito à nossa opinião merece, mas não se esgotam aí e todos os demais podem e devem ser discutidos. Não porque tenham sido errados na altura, mas, sim, porque o mundo evoluiu. E se não percebermos isso seremos mais uns a navegar num mar revolto, protegidas por umas naus por nós construídas, que são um orgulho, contudo fáceis de serem ultrapassadas pelas lanches do capitalismo. E, sim, uso o termo capitalismo porque ele é o que desperta a fúria dos que dizem que esquecemos o 25 de Abril quando acreditamos que o investimento externo pode salvar-nos.

Não acredito em ditaduras, não acredito em fascismo, mas também não acredito que todos tenhamos capacidade de decisão. E não porque sejamos burros, apenas porque quantos mais formos a mandar, mais seremos a desresponsabilizarmo-nos. E isso é um problema. As leis devem ser mais rigorosas, os detractores devem ser punidos e a trafulhice deve ser irradiada. Mas isso não é um problema de esquerda nem direita, como o nosso país e o Brasil já tão bem o demonstraram. Portanto, não se deve usar o 25 de Abril como forma de ataque a quem acredita em coisas diferentes das que os que nos proporcionaram a liberdade acreditavam. Senão, estaremos somente a trair a memória deles, certo?

Os Capitães de Abril, foram, são e serão icónicos. A eles devo-lhes tudo – sem ter vivido a ditadura. Mas acreditar que eles estavam certos em tudo é chacinar a liberdade pela qual eles lutaram. Lutar pela liberdade é dar espaço a que todos pensemos por nós. E isso não é ser contra eles, é honrá-los.

Esta é a minha homenagem ao 25 de Abril, num dia em que apanhei sol, trabalhei um bocadinho, fui tomar café com amigos e ainda me dei ao luxo de escrever sobre futebol e política, sem ter que olhar por cima do ombro. Isso é o 25 de Abril, não o respeitar tudo o que os outros, os “filhos dos capitães de Abril”, nos obrigam a aceitar como ideologicamente bonito, e crente, e incrível, e respeitoso. Aliás, como o nosso Presidente da República, um ilustre pop-star, oriundo das catacumbas da direita, hoje conseguiu num discurso cheio de respeito pelo passado, prezes pelo presente e esperança pelo futuro.

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