Há sempre os loucos que estão dispostos a errar!

Há sempre loucos dispostos a errar!

Ai meu deus, se eu erro. Estou tão nervoso! São estas as frases mais típicas, logo que nos aproximamos dum evento que nunca antes realizámos, ou com o qual não estamos muito acostumados – e, consequentemente, seguros.

Esta é a normalidade das coisas, creio, até pelo nosso lado mais orgânico, mas que, a meu ver, está errado. Não pela nossa natureza, que essa salvaguardar-nos-á sempre do risco, criando-nos autodefesas, que estão associadas aos nervos. E os nervos até são bons, deixam a nossa atenção alerta, despertam-nos para os mínimos detalhes, que será o que nos irá dar garantias de fazer um bom trabalho. Porém, existe, também, a vertente cultural, que nos é infligida, por via intravenosa, diria, desde que nascemos. Olha lá aquilo, filho, não estragues. Não te metas nisso, é perigoso. É importante é que tenhas estabilidade, que construas  a tua família, sustentes os teus filhos, ergas uma casa de que todos se orgulhem e sejas feliz até ao fim da vida. Mas isso supõe que sabem qual é a nossa felicidade e isso nem sempre é verdade. Quase nunca é verdade.

Nos dias que correm, a vida acontece numa catadupa de ocorrências, o que faz com que, quem acreditar que a vida se resume a estabilidade, nos arrisquemos a ficar no mesmo sítio. O medo de errar, de pôr em causa, não pode ser maior que a vontade de fazer bem. E isso é o que, infelizmente, acontece. Somos educados para que não erremos. Na escola não se avalia criatividade, não se dá liberdade a ela, foca-se tudo na medição dos conhecimentos de forma errónea. Um aluno que veja  além do mestre que criou uma determinada matéria, será castrado. Ele não está ali para pôr em causa, está ali para acatar, para concordar e para interpretar da forma que está pré-definida. Não se quer espírito criativo, opinião crítica, quer-se conhecimento cru. E isso está mal, porque fortalece ainda mais o receio de errar, que a sociedade já tão bem inflige ao miúdo, ao adolescente e ao adulto. Ainda mais ao adulto, por incrível que pareça, mas apenas porque ele já foi miúdo e adolescente. É a soma. Já tem cravada na pele a tatuagem do erro. “Mais vale não fazer, do que fazer mal”. E isso, sim, está errado, porque o erro é o maior motor do acerto. A vitória nunca é posta em causa, nunca obriga a reflexão. Como permite a evolução, então? Não permite, apenas fortalece o instinto, a confiança. E aí é que está o problema! As vitórias reais, as contínuas, vivem de confiança. E, quando fazemos apenas o comum, não nos sentimos orgulhosos, ou quando falhamos não nos damos a possibilidade de repetir. Para ser mais fácil lidar com a derrota. E isso diminui-nos o nosso potencial de evolução, pela aparente acalmia/conforto que é não sermos  gozados pelos nossos amigos no café, ou comentados pela nossa vizinhança nos chats. E assim, aos poucos, o mundo pára. Ou não! Porque há sempre os loucos que estão dispostos a melhorar, errando. E que bom que é o erro!

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