Isabel Moreira, a ansiedade e a exposição

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A Isabel Moreira, com todos os defeitos políticos que lhe posso apontar, é uma pessoa. E isso não é algo que nos seja fácil assimilar, quando tratamos assuntos relacionados com alguém que expõe a sua pessoa e, pior, a sua opinião publicamente. Mas a verdade é que é. É uma pessoa, que, a grande maioria de nós, não conhece.

Portanto, se pensarmos, todos temos telhados de vidro e vivemos num limbo de ansiedade e tranquilidade. Entre a falsa tranquilidade que é não fazer nada, não nos expormos e a falsa tranquilidade que é atingirmos os nossos objectivos profissionais, ou quem sabe pessoais, e estarmos expostos – estando a ansiedade presente em qualquer um dos casos, no virar da esquina. E é esse limbo, ou fronteira, que quando estamos deste lado não identificamos. Porque é mais fácil analisar superficialmente, eliminando os medos, as ansiedades e as derrotas, para termos um todo, ainda que seja parcial, e podermos fazermos uma graçola ou um julgamento mais contundente. Eu já o fiz.

Mas o que não sabemos, nunca, é o que está por detrás de tudo isso. E depois dizemos que é uma loucura famosos se matarem, famosos se meterem na droga, quando têm tudo. Sem sabermos o que é o tudo, claro. A Isabel Moreira escreveu um texto sobre a  ansiedade, o bicho que corrói tantas pessoas. Eu, por exemplo, sou um dos que quer fazer tudo bem, como acho que deveríamos querer todos. Porém, isso é uma merda. Porque quem quer fazer tudo bem, raramente está preparado para fazer tudo mal. E isso bloqueia, inibe, faz parecer que é melhor o não tentar do que o arriscar, porque, caso falhemos, nos limitará as forças. E isso é tudo o que há de mais errado. O maior prazer da vitória, sem margem para qualquer tipo de dúvidas, está em tudo o que conquistámos antes dela. E nessas conquistas encontram-se todas as derrotas, que são os louros que compõe a coroa com que nos ornamentaremos depois.

Portanto, não há nada pior que avaliarmos partes como se fossem um todo. E tudo isto para dizer que foi uma vergonha a notícia que o (inevitável) CM publicou sobre a vida privada da Isabel Moreira. O mau jornalismo é o que conta partes de histórias, parcialmente, sem enquadrar a história toda. Para, assim, de forma fingida, nos fazer sentir donos da verdade absoluta e podermos expor a nossa opinião, que não é mais que um julgamento enviesado. É uma merda estarmos expostos. Mas é uma merda muito maior não vivermos. Portanto, pensemos sempre duas vezes antes de crermos que sabemos tudo sobre alguém, ou podemos julgar. A verdade só é absoluta enquanto é nossa. Assim que a expusermos a alguém, se o receptor for bom, sofrerá logo alterações. E isso é a maior maravilha da vida. E de quem a quer viver de verdade!

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