Verdades Políticas

Verdades Políticas

Vou terminar a semana a dizer assim: vamos deixar à política o que é da política e à vida o que é da vida.

Passamos a vida a politizar tudo porque, por crença, queremos – desejamos tanto! – que os outros acreditem naquilo que nós acreditamos. Parece-nos tão óbvio! E isso é legítimo e bonito, mas estamos a esquecer uma coisa: somos hipervigilantes! Compramos um carro vermelho e todos os carros vermelhos nos aparecem na rua. Mas não deixemos que isso nos inflame a vida. Se fossemos todos de direita, hoje estaríamos todos a trabalhar ou a procurar trabalho; se fossemos todos de esquerda, hoje estaríamos todos a trabalhar ou a procurar trabalho. A política já fez o mundo e o mundo está feito por ela. Mas isso não nos deve inibir de gostarmos do que gostamos, ou de não aprovarmos o que não aprovamos. A nossa verdade é a nossa verdade e a verdade dos outros é a verdade dos outros. Limá-la é bonito, mostra cedência, intelectualidade e até honestidade, mas tentar mudar a dos só mostra desrespeito, arrogância e receio das nossas convicções.

A espingarda do nosso argumento é a credibilização da nossa ideia, não a descredibilização da outra. E isso não deve influenciar o eu gostar ou não duma pessoa de direita ou de esquerda, duma ideia de direita ou de esquerda.

A verdade, por mais maçadora que se torne, estará quase sempre ao meio. Ali entre o que é certo para uns e errado para outros. O resto são só as convicções próprias.

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