O futuro faz-se de agora

O futuro faz-se do agora

Não, não quero senti-lo. Quero parar. Estagnar a minha vida neste exacto ponto em que me encontro.

Sinto a areia movediça a arreganhar-me os pés, a rachar por entre os muros que criei com o passado. Quando cheguei a este ponto, quis olvidar o obsoleto, deixá-lo desmemoriado numa vala da minha vida. Quis largá-lo porque achei que futuro algum o aceitaria. Para olhar o futuro, necessitamos pousar o passado, largá-lo, se possível, acorrentá-lo a um poste de estrada ou abandoná-lo num ermo, para podermos prosseguir o caminho.

Eu amarrei o meu passado. Deixei-o preso nas lamúrias do que queria para o futuro e não via no presente. Segui, segui sempre, até chegar a esta praia. Agora, abracei-o, tenho aqui entre os meus braços, como um feto da pessoa que sou. Sinto a areia movediça, o ar incerto da escolha difícil. Mas o viajante, o que quanto mais viajava mais queria viajar, percebeu que só encontrou a felicidade quando a abraçou. E o abraço não se dá em viagem; dá-se parado. E eu estou a abraçar a pessoa que sou, a que fui, para encarar a que serei. A viagem é boa, mas a paragem também. Eu parei. Estou na praia e vou mergulhar no presente, atirar-me de cabeça nas algas do agora, para quando respirar, olhar à volta da tona onde cheguei, perceber que o futuro se fez de agora. Faz-se sempre de agora.

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