Errei

errei

Queria dizer-te que errei. Sussurrar-te no ouvido que foi um laivo de desespero.

Todos nós, na contradição de ambicionarmos ser tanto do que não somos, tombamos na cilada de crer que sendo o que tu queres – sim, porque eu aqui falo para ti – estaremos mais perto da felicidade. Mas não estamos nem somos. Não somos porque não sabemos o que tu queres que nós sejamos; não somos porque, assim que trajamos as vestes do alheio, descosemos as pernas do nosso andar. Ficamos marionetas. E as marionetas não têm vida, têm respostas. Respostas a estímulos, que nem sempre são os correctos. O ventrículo que falha, por exemplo, é o ventrículo que expõe o erro do boneco. Um erro, assim, passam a ser dois erros.

E a vida vai-se vivendo, assim, com dois erros de cada vez. Os momentos enganam e nós prosseguimos a insistir no trajar das vestes alheias, no ventrículo que jamais deveríamos ser. Dos que já foram felizes. E eu só te queria dizer que ainda te quero. Depois do muito que mudou, ainda te quero. Com todas as minhas diferenças, para o homem que fui. O que te roubou da letargia dos dias e alimentou durante semanas, num jogo de versos e numa conquista de estrofes.

Terminou no dia em que dei o passo atrás, ventriculando as palavras do que queria estar a ser e não conseguia. Erramos. Todos erramos. E eu errei.

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