As ruas sem saída

As Ruas Sem Saída

A vida distrai. Distrai-nos imenso do caminho que temos. Por muito que façamos planos e idealizemos atalhos para a nossa vontade, há sempre um programa, uma persecução de agradar ao meio que nos envolve, um livro ou uma historieta que nos rouba desse caminho.

Tenho pesadelos com a perda de rumo. A consciência do muito que tenho a percorrer assombra-me na ideia de que uma noite estrelada se trocará por uma obscura, fétida, que me roubará a esperança e me deixará ao deus-dará numa viela sem saída. As aparentes ruas sem saída são os maiores pesadelos das noites mal dormidas de quem tenta mais e não consegue. Sabemos o que é o mais, não sabemos é como descrevê-lo. Um passo em frente é curto, quando pensamos que a rua tem a imensidão duma vida. As pequenas vitórias, por serem pequenas, são desvalorizadas e palmilhamos metas sem nos apercebermos que as passamos. Já vamos no terceiro bairro, tantos metros à frente do início da corrida, mas os instintos ainda nos dizem que estamos no primeiro bairro, na primeira rua sem saída.

Isso assusta.

Essa ausência de vontade de olharmos as nossas conquistas tira-nos do rumo. Muitas vezes, achamos que são as derrotas, pequenas ou grandes, que nos tiram do caminho certo. Mas eu acho que não; o que nos tira da frente da meta são as fitas de vitória que se nos vão colando os olhos, das outras vitórias. As mais pequenas. As que não valorizamos.

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