Mar como testemunha

Mar como testemunha

Quanto mais percebemos, mais nos distanciamos. Pensar é uma idiossincrasia que nos atrapalhe tanto quanto nos favorece.

Se pensarmos no mar, é apenas o azul molhado que nos toca a costa; é o local onde esbarramos o corpo no verão e deixamos a salitra mergulhar-nos o olhar. O mar é onde vivem os peixes e onde se põe o horizonte. Mas o mar não pensado – o sentido – é o lugar onde afogamos as nossas agitações, o sítio onde mergulhamos a nossa alegria e o poiso onde criamos o nosso sorriso. Pobres dos que nunca o conheceram, mas mais pobres ainda dos que nunca o sentiram.

O mar não é frio nem é quente, é o momento. Gosto da paz dele para pensar, pensar tanto até ao ponto em que só sinto. E o pensamento só é bom para isso: para nos explodir. Se o pensamento nos explode em mais pensamentos, estamos tramados. Se o pensamento nos explode em sensações, estamos no mar da vida; aquele que desagua nos nossos desejos e cresce nos nossos sentidos.

O mar é sempre testemunha, no seu azul diurno ou no seu acastanhado de fim de dia. O mar é sempre o mar e eu sou sempre eu. Isto foi ontem depois do trabalho, mas podia ser hoje antes do labor. Importa é que, mesmo que o sol se ponha, o mar fique.

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