Benchmarking da vida

Benchmarking da vida

Sou amarrado ao efémero. Desde miúdo que sou assim. Não me consigo concentrar na mesma tarefa por demasiado tempo, porque a cabeça me viaja. Vivo tantas vidas, sinto tantas coisas e descanso tão pouco.

Esta é a história da minha vida.

Nasci a jogar à bola e a pensar em ser polícia, depois assaltante, a seguir queria ser jornalista, mas depois tinha a vontade de ser eu o motivo da notícia. E fui estudar Turismo e acabei no Marketing, a pensar como gostava de ter talento para ser escritor. Feliz. Sempre feliz. A sofrer muito no caminho, entre provas sem prova, entre confusões sem confusões. Sempre fui assim: capaz de me confundir onde não há confusão nenhuma; capaz de ver a luz onde só existe o breu. Não me sinto mal por isso, só me sinto pouco coerente. Acasos, gostava de ser mais coerente. Não pela vontade de ser mais perfeitinho aos olhos dos outros, apenas pela vontade de sentir, para mim mesmo, que sou capaz de fazer mais. Aliás, de ir mais longe. A minha vontade é ir mais longe, sempre mais longe. Mas entrego-me pouco a essa necessidade. Trabalho muito, é verdade, mas com o coração. E o coração nem sempre é grande parceiro da metodologia.

Tento melhorar essa parte, porque, quando calha de arranjar tempo para mim, percebo que me apaixonei novamente pelo que já foi um amor. Quando pensei que a tarefa estava inócua, que já nada de novo tinha a me dar, percebo que não, que a responsabilidade era apenas minha. Punha outras tarefas à frente dessa, que me pareciam mais entusiasmantes naqueles instantes, mas depois percebia que não podemos amar tudo ao mesmo tempo. Que há as pessoas com quem passeamos de mão dada e mulheres que abanam os atributos na pista, mas nem tudo é o mesmo, nem todo o desejo é igual, muito menos o amor se compara. No trabalho é igual. Eu percebi que é igual.

Preciso organizar-me, menear-me entre o urgente e o fundamental, partir para o mar das alucinações em devaneios de escrita, mas mantendo os pés na areia movediça do quotidiano onde tudo está a acontecer, onde posso fazer a diferença. No quotidiano, embrulhados entre cafés para despertar e computadores abertos sempre na mesma página, é onde podemos fazer a diferença. E eu quero fazer a diferença. Não é muito humilde dizê-lo, mas se não for gabarolas para mim, nunca serei humilde para vocês. Os que se escondem nas palavras de arrogância, quando falham na quantificação dos objectivos internos, é que se tornam mais expressivos na sua vontade de serem bons aos olhos dos outros. E eu quero é ser bom para mim, sempre para mim, que, quando o for, quando me sentir ainda mais orgulhoso de mim, vocês vão notar.

E a melhor publicidade não é a que diz melhor, é a que mostra melhor. Não sou o mais pequeno do mercado, contudo também não sou o maior. O pulo é que vai definir o rumo e o destino. Se for grande, ah, se for mesmo grande, vou altivar-me para outro patamar; se for pequeno, vou ter que saltar novamente. E novamente; e novamente; e novamente. Até que o pulo me seja tão grande que não me lembre das vezes em que não consegui. E isto é benchmarking.

Entretanto, recebi mais uma proposta de trabalho para o ricardoalopes.com e fiquei muito feliz. Foi mais um pulito.

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