Novos Caminhos

Novos Caminhos

Já vos aconteceu? A mim acontece-me tantas vezes, demasiadas. Ando à deriva da vontade, sem conseguir mergulhar na sua essência. Perdido como um peixinho na areia.

Guardo aquela vontade louca de criar, aquela infinda ânsia de fazer diferente, de ser eu mesmo, de me apartar das verdades alheias todas, enquanto me mantenho à tona do quotidiano. O que só faz de mim um náufrago. É doloroso, mas é verdade. Achamo-nos mais do que somos, quando olhamos ao que negamos. E não falo de negar aos outros, falo de negar a  nós. Os beijos que não demos porque achámos que não eramos capazes de alcançar aquela pessoa, os amo-te que não partilhámos porque acreditámos que eram desnecessários, os ajuda-me que não pedimos porque achámos que ficava mal, e tanto mais. Andamos assim, às metades, a acreditar que estamos a viver um todo. Podemos ter o mundo, as pessoas todas vergadas a nós, que nos sentimos uma fraude, uma parte incompleta do tanto que queríamos ser e ter. Mas, quando nos perguntam o que queríamos ser e ter, simplesmente não sabemos responder. Foi tanto tempo a escondê-lo de nós, a ofuscá-lo do que acreditamos, que, quando nos damos conta, estamos apenas a responder ao nosso inconsciente o que um político responderia a uma pessoa que passa fome: farei o melhor que puder.

E é assim, criticamos, mas somos políticos de nós mesmos. Temos um FMI das nossas sensações, porque não atentamos ao que nos faz sentir, preferimos atentar ao que cremos que os outros poderão sentir e, principalmente, pensar. Pomos os pensamentos acima da sensações, porque já muitas pessoas viveram antes de nós. Foram criadas fórmulas para a sociedade e, com elas, cálculos para a felicidade. Um pobre será sempre um pobre. Um político será sempre um político – e aqui não me arrisco mais.

Vivemos há tantos anos dentro duma redoma, que, mesmo parados, sentimo-nos exaustos. Aliás, parados é quando nos sentimos mais exaustos. Contudo, nem isso nos faz pensar. Queremos ser mais do que somos, mas achamos que o que somos já está bom, porque o mais é, no fim de contas, tudo o que já eramos nos nossos sonhos e anulámos. Quando nos libertamos, somos um novo mundo que se criou, sentimos um êxtase que nos ultrapassa, que nos leva a caminhos que não conhecemos. Somos felizes. E isso era o que deveríamos ser sempre, não era?

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