Ideologia Política – um texto de chachada, com jajão

Política - um texto de chachada, com jajão

Acordei com vontade de criar polémica. Minto, deitei-me com vontade de criar polémica. Era uma e tal da manhã, quase duas, e via amigos meus, tão divergentes e tão confluentes, a discutirem. Olhem, apeteceu-me escrever.

Todos queremos o melhor para nós. Em relação a isso, julgo não existirem dúvidas. Todos felizes é o ideal que terá que nos mover, sempre. O que não pode ser negado é que a noção de felicidade é tão subjectiva quanto a aplicabilidade de qualquer política. Todas elas são subjectivas até serem postas em prática, pois não se conhecem os reais problemas de cada uma.

Na  ideia de Jacques Fresco, todos seríamos felizes, tremendamente felizes, sem o dinheiro a estorvar-nos. Em certa medida, concordo com ele. Todas as minhas maiores alegrias estão associadas aos sentimentos, não aos bens. Porém, alguns  dos meus motores pessoais estão associados aos bens, não posso negá-lo. Obviamente, estou numa área de gestão, como o Marketing, que terá a sua inata influência nessa minha fonte de motivação. Mas não é apenas é isso, é a vontade que tenho de criar o que ainda  não foi criado. Já sei que me dirão que numa ideologia como a de Fresco também existirá o impulso da inovação e motivção, mas é no local onde ainda me sinto céptico, em relação a ela. Fosse eu futurologista, ou dono de uma visão como a da Natália Correia, que, aquando da entrada de Portugal para a União Europeia, antecipou muitos dos problemas que mais tarde surgiriam e agora se confirmam, e daria uma resposta mais concludente.

Depois, surge o Marx, o homem que defende incontestavelmente o proletariado, mas esquece a forma como se poderá regular esse estado, que é um não-estado. O que existem são os aglomerados, que, por si, vão criar a riqueza que eles próprios vão gastar. O princípio é perfeito: faz o que ganharás; gasta o que  fizeste. O problema que se cria, numa sociedade em evolução, é o mesmo que apontam ao capitalismo, na verdade. Isto a meu ver, claro está. O poder nunca estará em nós. Porque o socialismo de hoje, nos tempos vigentes, não pode pegar nas ideologias do Marx, para se encaixar numa sociedade liberal, como a que foi pensada pelo Adam Smith. A solução seria tornar-se uma ilha, no meio de um mar revolto. Posso, uma vez mais, estar errado, mas julgo que o caso da Grécia será flagrante disso mesmo. E não falo da casa com vista para a Acropole do Varoufakis, falo da forma como, sendo devedores, se vêm na obrigação de começar a ceder, perante o peso que eles pensavam serem capazes de destruir. Destroem-se a eles, antes de abrir fendas nos restantes. E aí reside o problema.

Ao contrário do que pensam e do que eu próprio, em casos, posso fazer parecer, não defendo o neoliberalismo. Até porque não acredito muito na existência dele. Ele foi apenas uma deturpação do liberalismo, pelo ditador Pinochet, que hoje serve perfeitamente de argumento contra todos os que não acreditam que um país totalmente dominado pelo estado daria raia. Eu acredito, por princípio e ideologia, no estado de bem-estar social, que, diz-se, começou à esquerda e foi-se movendo para a direita. Eu não acredito muito nisso, também. Acredito, isso sim, que ele, quando verdadeiramente levado a cabo, se situa ao meio. E não será novidade para ninguém que eu gosto de agradar a deus e ao diabo, portanto julgo que era óbvio para todos a  minha posição. Apaziguadora, sem grandes vincos, mas a pender para um conteúdo que tenha sempre alternativa. E eu acredito que há alternativas às políticas de austeridade  – as ditas neoliberais, será isso?-, porque julgo que elas estão deturpadas de nascença. Visto de fora, obviamente, parece que tudo está montado para beneficiar os maiores – e está -, mas não pelas empresas. E são as empresas que eu defendo, não os bancos (mesmo sendo eles privados). E defendo-as porque são a minha realidade e porque acredito que serão sempre uma grande parte da combustão dum país.

Farto-me de ler grandes autores, quase todos eles defensores do poder do povo (que também eu defendo!), mas com ideais muito mais Marxistas que eu. Saramago é de longe dos meus autores preferidos, com todo o pendor que lhe era reconhecido e que ele reforçava. Mas eu não sobreponho a ideologia ao prazer da arte. O sacana tinha a capacidade de me fazer admirar um texto, e quase subscrevê-lo, mesmo eu compreendendo que, nos dias que correm, ele não seria aplicável, de tão utópico que era. Porque eu gosto do abstraccionismo da arte que nos remete para o poder social total, pois também sou sonhador, contudo tenho também o meu pendor académico (maldita a ideia de ir para marketing!) a lembrar-me que a realidade nem sempre se pinta com o pincel do sonho. Eu sonho, sonho muito, até quando escrevo, mas depois também viajo no meu quotidiano por empresas onde bem sei o que é a luta de apontar um rumo e vê-lo a ser perdido na vontade do mais por menos. Por isso, percebam, eu defendo a meritocracia, claro que defendo. Era apologista, por exemplo, de um decreto em que as subidas de facturação e lucros estivessem directamente relacionadas ao crescimento dos ordenados, porque acredito que isso não bloquearia o investimento. Pelo contrário, sou piamente crente que o envolvimento dos ditos quadros inferiores no processo de sugestão (nem sempre de decisão) dos quadros superiores só traz vantagens. Acho, aliás, que esse pressuposto, para o desempenho profissional, e mesmo para a realização pessoal, é muito mais preponderante que a remuneração. Todavia, não sou inocente ao ponto de acreditar que não ganhando condignamente podemos ser felizes ou estar envolvidos nos objectivos da empresa. Por isso referi aquele decreto.

Para mim, o Estado deve dar liberdade aos seus agentes, mas não libertinagem. A educação, a saúde, a segurança e a cultura, que coloco separada da educação, deverão ser sempre responsabilidade do estado. O estado, por meios dos agentes económicos, que serão os privados, deverá garantir os meios de suporte a estes baluartes de qualquer sociedade. Como consegui-lo? Criando condições para que os investimentos sejam conseguidos, sem nenhum tipo de anarquia, mas com a certeza que eles não se governam por si. Têm liberdade, sim, mas apenas até onde começa a dos outros. É assim a democracia, não é?

Portanto, a  liberdade deve ser regulada, mas não pelo meio de uma voz uníssona de um aglomerado de gente infinda. Porque essa voz nunca existirá. O mal do socialismo, ainda que moderado, a meu ver, é que dará sempre demasiado espaço ao anarquismo, para alegria do Proudhon. Se me disserem que não é assim, eu direi que é muito mais social-democracia do que do socialismo. E aí poderão dizer-me outra coisa, que é o facto da social-democracia estar deturpada. E, amigos, aí, dar-vos-ei toda a razão do mundo! Chegamos, portanto, à conclusão que já há muito defendo: o sistema político, para mim, está desvirtuado. Porque a única ideologia em que eu acreditava não consegue ser fiel a si mesma. Há excepções, claro está, como a dos países nórdicos, que, em certa medida, se mantêm alheios a estas políticas que se vão fazendo pelo Ocidente. Criam os melhores exemplos de energias renováveis, distinguem-se nas tecnologias e ainda conseguem revolucionar o ensino. Haverá revoluções por lá, para o bem do povo? Não creio. Eles pagam impostos enormes, mas recebem-nos de volta. Cá, com a austeridade, é que isso não tem acontecido. Paga-se para nunca o receber de volta, porque ele segue direitinho para o local onde foram criados buracos. E esses buracos, meus caros, foram criados pela direita e pela esquerda, ou por todo o arco governativo, nos últimos quarenta anos ou mais. E por isso não acredito na política. Não há ideais. Eles servem de estandarte, ao fundo, quando fazemos protestos ou estamos em campanha, mas depois desaparecem. Voam pelas janelas de Belém como Marfins caídos de aviões ou árvores cortadas no interior.

E, olhem, no final de contas, não mora aqui polémica nenhuma, só descrença. Afinal, era só ‘jajão’.

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