Lisboa

Lisboa

 

Demovo-me da vontade
que tenho de te puxar,
meu amor. Não o poderei
fazer, mesmo que só te queira para ficar.

És linda, bela como uma
flor pousada no regaço
de uma varanda, toda ela,
voltada para o esplendor.

O sol brilha, tão alto,
a maré passa pelo Tejo,
subo os Descobrimentos
e recordo-me de há quanto não te vejo.

São rios de flores,
marés de ilusões
e lá caminho eu,
sozinho, até ao Camões.

Restauradores, Chiado e Bairro,
tudo a compasso da minha
solidão, por entre vazios,
que um dia já foram a minha imensidão.

És bela, planas pelo Terreiro,
lado a lado com o Arco,
mas não te posso agarrar;
és livre e eu já sou forasteiro.

Nunca fui dono dessa magia,
mas nos momentos a sós,
sentia uma imensa alegria.

És livre, Lisboa,
e eu sou apenas
admirador, ou não
houvesse vivido em ti um grande amor.

Ela admirava-te,
queria passear-te
e nunca mais deixar-te.

Porém, hoje, meu amor,
sou e tu,
com este nosso ardor,
que já não disfarça a dor.

(beija-me)

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