O Fantasma

 

O fantasma

Exorto fantasmas nas

Linhas que vos aparecem

Na moldura de um ecrã,

Tal como um divã.

 

Sou fantasma na minha

Própria existência,

À procura de um rumo

Que me dê mais do que sobrevivência.

 

Escrevo as dores, convertidas

Em cartas de mil e um amores.

São lindos, são pungentes,

Mas também são contraproducentes.

 

Os fantasmas não têm alma,

Quando são feitos apenas de alma.

São mantos brancos, expostos,

Que mostram muito mais que mortos.

 

Os fantasmas são sobreviventes

Das guerras que vamos travando,

Mais ou menos conscientes,

Enquanto pela vida vamos caminhando.

 

É o amor que se perde;

É o amor se conquista,

A batalha que se trava

E a lembrança que fica à vista.

 

São as memórias e as premonições

São os alguidares, todos eles,

Repletos de difamações,

Que nos fazem tirar juízos reles.

 

O passado vira presente,

Quando a gente, perdidos,

Acredita que o agora,

O mesmo presente, será diferente.

 

Os fantasmas são os monstros

Que nos habitam

E fazem temer

Tudo o que queremos viver.

 

Foge, monstro; foge, fantasma;

Que nessa alma só existe

Tudo o que me pasma.

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