Impossível

Impossível

Sei que não me sabes. Adormeci no regaço dos teus braços. Quente e feliz, repousando os meus costumes na brandura dos teu modos.

Sou feliz no peso da tua pele, brilhante, a resplandecer na candura de um verão que se põe no horizonte como uma máquina fotográfica. Registou todos os momentos em que essa imensidão nos flagrou na imagem de dois pombos que voam, brancos, por entre as planícies de uma vida que tantas vezes se acinzenta.

Não me percebes a dormir, na agitação de uma existência que se multiplica nas aparições, e desaparecimentos, do quotidiano. Mas eu vivo no presente do futuro. Deixei de ter o agora. O agora é o lugar-comum dos mortais e eu não quero ser um mortal. Um mortal tem fim e eu não quero ter fim. Quero ter caminho no pedaço de céu da memória, quero construir pontes na recordação, acomodar alicerces no agora e viajar no futuro. Quero tudo o que é impossível. Tu és impossível.

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