São as saudades

São as saudades

Sei lá, apetece-me escrever-te com as saudades que tenho. Nunca vivemos nada juntos, nunca nos encontrámos nas peregrinações que a vida nos cria, mas sempre tivemos algo em comum.

Podemos não o ter dito um ao outro, silenciados pela distância do que tanto que se queria mencionar e a oportunidade não chegou. Mas julgo que há algo. Perdoa-me, tenho a certeza que há algo. A fundura do teu olhar, tão imensa como um poço, deixa-me cair desamparado na vertigem destas saudades de que te falo. São saudades.

Eu sei que não temos um passado. Ou temos? Não sei, sei que podemos ter um futuro assente nestas saudades do que ainda não vivi. São as melhores, pelo que tanto que ainda me fazem acreditar. São mais sofredoras, porque não se traduzem imagens, traduzem-se apenas em esperanças. Mas são o que eu sinto. E se são o que eu sinto, é com o que vivo.

Queres olhar e escutar os silêncios que preencheram os nossos vazios ou queres encher a alma desta nuvem de esperança? Podemos atravessar todos os socalcos dos rios da vida, sem nunca termos que mergulhar. Basta levitarmos. As saudades são assim: leves. Tão leves quanto uma pena, tão densas quanto um nevoeiro. As saudades são natureza. Ou tu é que és natureza e mudas o meu mundo. Não sei. São saudades, do antes, do agora ou do depois. São saudades. Porque saudades são os sítios onde desejamos estar.

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